Realismo/ Naturalismo

REALISMO/

NATURALISMO

1. UnB-DF Foi Machado de Assis, por meio de suas personagens, quem afirmou o sentido

do livro:

“Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o

estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à

esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem…”

A respeito da obra de Machado de Assis e da formação da cultura brasileira nos quase dois

séculos de existência do Brasil independente, julgue os itens abaixo.

( ) Machado de Assis foi um autor extemporâneo ao Brasil ao carregar, com sua fina

ironia, um permanente deboche a respeito do povo brasileiro, pois este não sabia

apreciar a importância da cultura, em especial o valor do livro e da literatura.

( ) Os movimentos literários e culturais brasileiros ao longo dos dois últimos séculos,

embora tenham seguido as vogas e modas européias e norte-americanas, souberam

adaptar e recriar uma cultura nacional híbrida, própria e multifacetada.

( ) O Modernismo brasileiro que aflorou em 1922 desprezou a memória nacional e criticou

aberta e deliberadamente a obra literária de Machado de Assis.

( ) No seu tempo, Machado de Assis foi um mestre das letras na periferia do mundo e

um reformador das técnicas do romance e continua a ocupar papel relevante na cultura

contemporânea do Brasil.

2. UEGO A respeito da ficção de Machado de Assis:

( ) A atenção do autor concentra-se no suceder de movimentos psicológicos. Os acontecimentos

exteriores, a natureza, o cenário, são descritos apenas quando provocam

reações nas personagens.

( ) Os textos machadianos revelam não apenas refinamento lingüístico, mas uma forma

trabalhada, limpa e perfeita.

( ) Constata-se humor sutil e permanente, destruindo as ilusões e pieguices românticas,

apresentando uma visão aguda e relativista de todos os valores da sociedade.

( ) Sua produção ficcional costuma fixar quadros regionais, repletos de descrições sobre

a natureza e de suas personagens típicas.

( ) A incorporação de recursos da crônica jornalística é visível em seus textos, nos quais

a simplicidade de linguagem volta-se para a denúncia de injustiças e de arbitrariedades

cometidas no Brasil pós-republicano.

3. UnB-DF

“O Dr. Matos era um velho advogado que, em compensação da ciência do direito, que não

sabia, possuía noções muito aproveitáveis de meteorologia e botânica, da arte de comer, do voltarete,

do gamão e da política. Era impossível a ninguém queixar-se do calor e do frio, sem ouvir dele

a causa e a natureza de um e outro, e logo a divisão das estações, a diferença dos climas, influência

destes, as chuvas, os ventos, a neve, as vazantes dos rios e suas enchentes, as marés e a

pororoca. (…) Alheio às paixões da política, se abria a boca em tal assunto era para criticar igualmente

de liberais e conservadores, os quais todos lhe pareciam abaixo do país.”

ASSIS, Machado de. “Helena”. In: Obras completas de Machado de Assis. São Paulo: Egéria, 1980, p. 33.

Considerando o texto acima, julgue os itens a seguir, a respeito da articulação entre a

narrativa literária de Machado de Assis e o contexto em que viviam as classes abastadas do

Brasil de sua época.

( ) Mesmo vivendo sob o signo da escravidão, os temas dos textos políticos disponíveis

para a classe dominante do Brasil Império versavam acerca de um mundo importado,

liberal na sua essência, e cheio de boas maneiras.

( ) O bom comportamento do “velho advogado”, sua cultura cosmopolita e sua vocação

ensaísta compunham um mosaico de formas culturais europeizadas, sem adaptação

aos trópicos brasileiros.

( ) No seu tempo, Machado de Assis, um crítico sutil e mordaz, não foi acompanhado

por ensaístas, poetas e artistas em sua maneira de observar os costumes fúteis de uma

elite encantada com a Europa.

( ) O texto escorreito e o estilo inconfundível da escritura de Machado, como no caso da

descrição de gostos e habilidades do Dr. Matos, apresentada no texto, levou-o à condição

de um inovador na técnica de construção do romance, em comparação com

outros romancistas do seu tempo, mantendo-o, ainda hoje, como referência no sentido

da afirmação internacional da língua portuguesa.

INSTRUÇÃO: As questões de números 4 e 5 referem-se ao romance O cortiço, de Aluísio

Azevedo.

4. U. Caxias do Sul-RS A obra apresenta muitos conflitos. O assassinato de Firmo, por

exemplo, expressa:

a) a degradação social experimentada por Jerônimo.

b) o ciúme provocado por Zulmira em Bertoleza.

c) a impiedade de João Romão.

d) a prepotência do dono do cortiço.

e) o desespero vivido por Piedade.

5. U. Caxias do Sul-RS A exploração sofrida pelos inquilinos do cortiço por parte do proprietário

pode ser justificada:

a) pelo fato de trabalharem na pedreira de João Romão e fazerem compras em sua taverna.

b) pela presença mais significativa de portugueses do que de brasileiros no cortiço.

c) pelos benefícios pessoais oferecidos por João Romão.

d) pela falta de opção de moradias no centro da cidade.

e) pela dificuldade enfrentada por imigrantes em conseguir trabalho no Brasil.

6. U. F. Rio Grande-RS “O resto é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de

Matacavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente.”

O fragmento de Dom Casmurro, de Machado de Assis, deixa entrever:

a) um narrador que não interfere na vida da protagonista, Capitu.

b) o tema da dúvida que permeia todo o romance.

c) as dores de amor que apenas no final encontram solução.

d) a jocosidade e a brincadeira do narrador ao tratar seus personagens.

e) a preocupação com a identidade brasileira peculiar da prosa modernista.

7. UEGO A respeito de Esaú e Jacó, de Machado de Assis, é correto afirmar que:

( ) O núcleo do livro é a história de dois gêmeos, Pedro e Paulo, que já brigavam desde

o ventre da mãe e que seguirão adversários na infância, na juventude e na maturidade.

( ) O título da obra aparece apenas como artifício para introduzir a história e enfatizar

que a rivalidade entre Pedro e Paulo havia se iniciado no ventre da mãe, em conformidade

com a narrativa bíblica.

( ) A curta vida de Flora se passou a querer conciliar os contrários dois gêmeos inimigos

que seu amor confundia — porque um completava o outro e juntos fariam um homem

perfeito.

( ) O romance, por possuir relatos comprometedores com o idealismo romântico, pertence

à 1ª fase do autor.

( ) A narrativa é lenta, através da observação detalhista das personagens.

8. UFMS A respeito do romance Dom Casmurro, é correto afirmar que:

(01) como na obra de Shakespeare — Otelo —, consuma-se o desfecho trágico, motivado

pelo ciúme: Bentinho suicida-se após matar Capitu e Escobar.

(02) há uma crítica explícita ao celibato, e as personagens são pintadas ao modo naturalista —

bons tipos que a sociedade corrompeu ou mal encaminhados por fatalidades deterministas,

como a ascendência duvidosa.

(04) a narrativa é construída na primeira pessoa e tem Bentinho como narrador-personagem.

Nessa condição, ele se propõe a reconstituir seu passado por meio da escrita, a

fim de tentar revivê-lo e, quem sabe, reencontrar sua identidade.

(08) se insere no rol das produções da estética realista, que abarcou o que se produziu na

segunda metade do século XIX, uma época marcada pela crença no progresso propiciado

pela ciência e pela representação do mundo sem idealismo ou sentimentalismo.

(16) há alusões explícitas e implícitas a Otelo, obra do dramaturgo inglês William Shakespeare.

Do ponto de vista temático, Dom Casmurro é comparável à tragédia de Shakespeare,

posto que ambas as obras abordam o afloramento do ciúme obsessivo de um

homem em relação a sua mulher, ainda que haja evidências pouco consistentes quanto

a isso.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

9. UFMS Assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

(01) Em Memórias de um Sargento de Milícias, Leonardo, filho de “uma pisadela e um

beliscão”, sobrevive entre o bem e o mal, a virtude e o pecado, conforme as circunstâncias

exigem, lançando mão do famoso “jeitinho brasileiro”.

(02) No romance Dom Casmurro, o passado surge envolto numa atmosfera de ambigüidade.

Isso confunde não só o leitor como também o próprio narrador, apesar da

aparente razão que Bentinho julga possuir.

(04) Quanto a Sérgio, protagonista de O Ateneu, só lhe resta aproximar-se do passado

como forma de reabilitação moral. Por isso usa a linguagem da destruição, simbolicamente

caracterizada pelo incêndio, devastando valores que seriam os responsáveis

por uma formação moralmente deficitária.

(08) Em Capitães da Areia, revela-se a construção de uma sociedade que só seria viável

por meio do engajamento político dos indivíduos.

(16) Em Caetés, o escritor demonstra que a ação de escrever principia pelo domínio lingüístico;

daí advém colocar o narrador-protagonista, João Valério, como um “aprendiz”

de escritor, iniciando-se nos questionamentos lingüístico-literários.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

10.U. F. Rio Grande-RS

“O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência.

Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, a

fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos

das pessoas que perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo.”

Este fragmento extraído de Dom Casmurro, de Machado de Assis, deixa entrever:

a) a recusa do narrador em lembrar-se do passado vivido com sua mãe, com a amiga

vizinha e com José Dias, o agregado.

b) o objetivo do narrador em escrever suas memórias.

c) um tom melancólico, ainda que o romance narre as peripécias burlescas do protagonista,

chamado Leonardo.

d) o tema do romance que é o sentido saudosista do romantismo brasileiro.

e) uma euforia incontida vivenciada pelo protagonista.

11. PUC-RS Em um episódio de Memórias Póstumas de Brás Cubas, o protagonista pergunta

ao “preto que vergalhava outro na praça” (…) se aquele (…) “era escravo dele.” A resposta

afirmativa evidencia a relatividade das posições que o homem assume diante da vida.

Além da visão do ser humano a partir de sua interioridade — pela análise psicológica das

personagens —, as características que seguem também identificam a obra de Machado de

Assis, com exceção:

a) da linearidade da estrutura narrativa. d) da interferência do narrador.

b) da denúncia da hipocrisia. e) da perfeição formal.

c) do tom irônico.

12.UFMS Assinale a(s) proposição(ões) correta(s).

(01) Aristarco, personagem de O Ateneu, é caracterizado pelo narrador como “duas almas

num só corpo”, oscilando entre características positivas e negativas; porém, ainda

prevalecem os traços negativos, uma vez que os positivos são apenas uma máscara.

(02) A ambigüidade de Capitu perdura durante toda a história contada por Bentinho. Ao

final da leitura de Dom Casmurro, nem o leitor, nem o narrador-personagem estão

convencidos da infidelidade de Capitu.

(04) As personagens Capitu e Aristarco, de Dom Casmurro e O Ateneu, respectivamente,

apresentam-se ao leitor assemelhadas por um traço: a ambigüidade.

(08) Ao contrário de Aristarco, Capitu, a esposa infiel de Bentinho, passará por um processo

de transformação que culminará na vitória dos traços positivos de seu caráter.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

INSTRUÇÃO: Para responder à questão 13, analisar as afirmativas que seguem, sobre os

personagens dos romances naturalistas.

I. Tipificam o ambiente social de forma idealizada.

II. Caracterizam-se, geralmente, por um profundo pessimismo.

III. Costumam apresentar traços justificados pela ação do meio.

13. PUC-RS Pela análise das afirmativas, conclui-se que está correta a alternativa:

a) somente I. b) somente II. c) I e II. d) II e III. e) I, II e III.

14. PUC-RS A subjetividade humana é retratada numa dimensão peculiar no período literário

denominado Naturalismo. O amor, por exemplo,

a) constitui um sentimento puro, impossível de ser atingido.

b) está determinado por forças que levam ao sofrimento.

c) leva o ser humano à escravidão.

d) resulta do anseio de prazer ou da necessidade biológica.

e) constitui o verdadeiro espelho da alma.

15.UFMS A respeito do romance O Ateneu, de Raul Pompéia, é correto afirmar que:

(01) o universo do internato caracteriza-se como um espaço de desilusão para os sonhos infantis

de Sérgio, carregado de pessimismo e repleto de adversidades, deixando para trás a “estufa

de carinho” na qual o narrador-personagem vivera até seu ingresso no Colégio Ateneu.

(02) o tempo da narrativa não é o mesmo das vivências da personagem, uma vez que

Sérgio procura recuperar fatos e sensações experimentados no passado e guardados

em sua memória.

(04) o tema da saudade é uma constante nos textos realistas, e também em O Ateneu, posto

que o passado é uma realidade imutável e invariável, sendo sempre fonte de uma

felicidade plena que escapa ao fingimento e à hipocrisia do presente.

(08) o narrador, Sérgio, não participa dos relatos aos quais faz referência.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

16.UFGO O Ateneu, de Raul Pompéia, reúne diversas tendências do romance do final do

século XIX.

A veracidade de tal afirmação pode ser comprovada com os seguintes argumentos:

( ) o romance apresenta traços do Realismo-Naturalismo, considerando-se que há um

estudo do cotidiano do Segundo Império brasileiro e uma atenção ao meio social,

entendido como responsável pelo condicionamento das personagens.

( ) o romance reafirma alguns procedimentos temático-formais da tradição romântica,

como o triângulo amoroso vivido pelo narrador-personagem e o final feliz, que marca

a reconciliação entre o jovem estudante e o diretor do colégio.

( ) o caráter memorialista do romance reforça as teses naturalistas apresentadas ao longo

do relato, pois o tratamento objetivo dado aos fatos privilegia o caráter documental,

em detrimento das recordações de um adulto ressentido com seu passado.

( ) os aspectos autobiográficos presentes na narrativa, uma das características fundamentais

do Realismo, dizem respeito, principalmente, à personagem dr. Cláudio,

médico do colégio e pai autoritário do estudante Sérgio, um adolescente que

demonstra desconhecer o ambiente hostil do internato.

INSTRUÇÃO: Para responder às questões 17 e 18, ler o texto que segue.

“Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei

que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como uma vaga que se

retira da praia, nos dias de ressaca.”

17. PUC-RS A imagem poética central do texto em questão recorre a elemento da natureza

para caracterizar o olhar da protagonista da narrativa. Dessa forma, evidencia-se a capacidade

de ……… da personagem, apresentada ao leitor a partir de uma abordagem ………,

típica da escola ……… .

a) sedução interiorizada realista

b) reflexão enigmática realista

c) sedução estereotipada naturalista

d) observação idealizada romântica

e) argumentação psicológica naturalista

18. PUC-RS O texto em questão demonstra uma vertente da produção literária do final do

século XIX. Ao mesmo tempo, a visão do homem como ser ……… manifesta-se em outra

tendência da época, denominada ………, diretamente marcada pelo desenvolvimento da

ciência positivista, como se pode observar na obra de ……… .

a) racional Realismo Machado de Assis

b) irracional Naturalismo Joaquim Manuel de Macedo

c) sensível Simbolismo Aluísio Azevedo

d) impassível Parnasianismo Raul Pompéia

e) instintivo Naturalismo Aluísio Azevedo

19.U.Católica-GO

Texto I

“Canção de Exílio

Um dia segui viagem

Sem olhar sobre o meu ombro.

Não vi terras de passagens

Não vi glórias nem escombros.

Guardei no fundo da mala

Um raminho de alecrim.

Apaguei a luz da sala.

Que ainda brilhava por mim.

Fechei a porta da rua

A chave joguei ao mar.

Andei tanto nesta rua

Que já não sei mais voltar.”

PAES, José Paulo. Prosas seguidas de odes mínimas. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

Texto II

“Aristarco, sentado, de pé, cruzando terríveis passadas, imobilizando-se a repentes inesperados,

gesticulando como um tribuno de meetings, clamando como um auditório de dez mil pessoas,

majestoso sempre, alçando os padrões admiráveis, como um leiloeiro, e as opulentas faturas,

desenrolou, com a memória de uma última conferência, a narrativa dos seus serviços à causa

santa da instrução. Trinta anos de tentativas e resultados, esclarecendo como um farol diversas

gerações agora influentes no destino do País! E as reformas futuras não bastava a abolição dos

castigos corporais, o que já dava uma benemerência passável. Era preciso a introdução de métodos

novos, supressão absoluta dos vexames de punição, modalidades aperfeiçoadas no sistema

das recompensas, ajeitação dos trabalhos, de maneira que seja a escola um paraíso; adoção de

normas desconhecidas cuja eficácia ele pressentia, perspicaz como as águias. Ele havia de criar…

um horror, a transformação moral da sociedade!

Uma hora trovejou-lhe à boca, em sangüínea eloqüência, o gênio do anúncio. Miramo-lo na

inteira expansão oral, como, por ocasião das festas, na plenitude da sua vivacidade prática. Contemplávamos

(eu com aterrado espanto) distendido em grandeza épica — o homem sanduíche da

educação nacional, lardeado entre dois monstruosos cartazes. Às costas, o seu passado incalculável

de trabalhos; sobre o ventre, para a frente, o seu futuro: a réclame dos imortais projetos.”

POMPÉIA, Raul. O Ateneu. Rio de Janeiro: Ediouro, 1970.

( ) O poema de José Paulo Paes lembra a Canção do Exílio de Gonçalves Dias apenas no

seu título e nos versos de sete sílabas, pois a temática e o enfoque de ambos são

absolutamente divergentes.

( ) É correto afirmar que, enquanto a Canção do Exílio de Gonçalves Dias está centrada

no sentimento saudosista e na declaração de amor à pátria, a Canção de Exílio de José

Paulo Paes apresenta o desejo do eu-lírico de fugir de si mesmo como forma de

vencer a própria angústia.

( ) O autor de O Ateneu faz o jogo da sinceridade e manipula a eloqüência escrita como

arma do instinto. Para satisfazê-lo no mesmo nível da representação literária, a sociedade,

microscópica em O Ateneu, teria de ser destruída. Américo, o incendiário, é

a personificação do instinto bruto capaz de vencer a força repressora de Aristarco.

( ) No decorrer da narrativa de O Ateneu há todo um processo de desmistificação da

figura do diretor, que, de um lado, continua ostentando a face de um deus olímpico e

intocável, e, de outro, revela suas facetas humanas, muitas vezes mesquinhas.

( ) Ema (as mesmas letras da palavra mãe) é a figura mais materialista do romance O

Ateneu. No entanto, a esposa de Aristarco representa, para Sérgio, a materialidade da

figura materna.

( ) Retomando a idéia de que “Aristarco todo era um anúncio”, referente ao caráter autopropagandista

do diretor, o narrador, em O Ateneu, reforça-o com a idéia de “homem-sanduíche”,

ou seja, a desses carregadores de cartazes com anúncios à frente e às costas.

 

20.U.Católica-GO

( ) A desilusão de Raul Pompéia em relação à sociedade em que vivia é claramente

delineada pelas personagens, quase todas tipificadas de maneira pouco elogiosa. Algumas,

que a princípio parecem sobrenadar ao lugar comum, acabam por cair, verticalmente,

no conceito do autor-personagem.

( ) Pode-se afirmar que há no romance de Pompéia uma denúncia do patriarcalismo que

vicejava ao tempo do Segundo Império. A figura de Aristarco é, a um só tempo, o

protótipo do senhor de engenho, fazendeiro, coronel, latifundiário, produtor de café e

pai, chefe de família, cuja vontade devia reinar absoluta.

( ) A narrativa do romance de Raul Pompéia não se compõe de uma tessitura dramática

determinante de um argumento ou de uma história narrada, passível de reconstituição.

Em razão disso, pode-se dizer que contradiz os processos realistas de abordagem

ou observação.

( ) “E duramente se marcavam distinções políticas, distinções financeiras, distinções

baseadas na crônica escolar do discípulo, baseadas na razão discreta das notas do

guarda-livros”. O advérbio duramente, no passo, serve para estabelecer uma ambigüidade

que se pode interpretar como:

a) dificilmente,

b) de maneira notável, fortemente.

“Confusamente ocorria-me a lembrança do meu papelzinho de namorada faz-de-conta,

e eu levava a seriedade cênica a ponto de galanteá-lo, ocupando-me com o laço da

gravata dele, com a mecha de cabelo que lhe fazia cócegas aos olhos; soprava-lhe ao

ouvido segredos indistintos para vê-lo rir, desesperado de não perceber.”

( ) Uma das denúncias feitas por Raul Pompéia a respeito do Ateneu é sobre o homossexualismo

que marcava o quotidiano do internato. O passo anterior faz referência ao

próprio autor que, em outro momento, teria dito: “Estimei-o femininamente porque

era grande, forte, bravo…” referindo-se a Bento Alves.

( ) Podemos afirmar que O Ateneu é um trabalho de recriação autobiográfica que revela

uma personalidade bastante forte, embora sensível, perfeitamente adaptada e

ajustada ao meio ambiente e aos valores da educação modelar, propiciada por um

internato a um jovem, o narrador, na época do Segundo Império.

21.U. F. Santa Maria-RS Considere a afirmativa:

As personagens podem ser divididas entre os vencedores, como João Romão, e os humildes

que se consomem no trabalho pela própria sobrevivência.

Assinale a alternativa que identifica obra, autor e período relacionados com a afirmativa

anterior.

a) O Ateneu – Raul Pompéia – Naturalismo.

b) Cinco minutos – José de Alencar – Romantismo.

c) O cortiço – Aluísio Azevedo – Naturalismo.

d) Memórias sentimentais de João Miramar – Oswald de Andrade – Modernismo.

e) A moreninha – Joaquim Manuel de Macedo – Romantismo.

22.UFRS Considere o enunciado abaixo e as três possibilidades para completá-lo.

Em A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós, através das personagens Zé Fernandes e

Jacinto de Tormes, que vivem uma vida sofisticada na Paris finissecular, percebe-se:

I. uma visão irônica da modernidade e do progresso através de descrições de inventos

reais e fictícios.

II. uma consciência dos conflitos que a vida moderna traz ao indivíduo que vive nas

grandes cidades.

III. uma mudança progressiva quanto ao modo de valorizar a vida junto à natureza e os

benefícios dela decorrentes.

Quais estão corretas?

a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) I, II e III.

23.UFRS Considere as afirmações abaixo sobre a obra de Eça de Queirós.

I. O Crime do Padre Amaro e O Primo Basílio são romances com que o autor pretende

defender uma tese.

II. A ironia é um recurso literário freqüentemente usado pelo autor para exercer a crítica

social.

III. O romance A Cidade e as Serras é típico da fase naturalista do escritor.

Quais estão corretas?

a) Apenas I. d) Apenas II e III.

b) Apenas I e II. e) I, II e III.

c) Apenas I e III.

24. UFSE Considere os seguintes fragmentos:

I. A mocinha elevou o olhar ao céu, não para contemplar as estrelas, mas para sondar os

próprios sentimentos, desgarrados e viajantes. Não logrando reconhecê-los na vastidão

infinita, fechou os olhos e cuidou que ia desfalecer à vibração daquele amor.

II. Num repelão, afastou de si a rapariga, para que a força lúbrica não viesse a matar o amorpróprio

que lhe restara. Mas foi em vão: no minuto seguinte, o ímpeto do macho o assaltou

e o empurrou contra a mulher, em cujos olhos estampava a combustão faminta do

desejo.

III. Na fronte calma e lisa como mármore polido, a luz do ocaso esbatia um róseo e suave

reflexo, di-la-íeis misteriosa lâmpada de alabastro guardando no seio diáfano o fogo

celeste da inspiração.

Em relação a esses fragmentos, é correto afirmar:

a) somente II ilustra o estilo da prosa naturalista.

b) somente I e II ilustram a idealização dos românticos.

c) I e III lembram Machado de Assis; II exemplifica a linguagem de Bernardo Guimarães.

d) I e III lembram Aluísio Azevedo; II exemplifica a linguagem de Machado de Assis.

e) I, II e III ilustram o mesmo estilo de prosa ficcional.

25. PUC-PR Identifique as temáticas abordadas em obras representativas do Realismo brasileiro:

I. O cortiço, de Aluísio de Azevedo.

II. Quincas Borba, de Machado de Assis.

III. Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha.

IV. O Ateneu, de Raul Pompéia.

( ) Romance de formação, narra as dificuldades do garoto Sérgio no internato.

( ) Narrativa em que o capitalista Rubião dilapida seu patrimônio e enlouquece depois

de se ver envolvido com o casal Sofia-Palha.

( ) Narra as dificuldades de um marinheiro forte, levado pela circunstância de seu tempo

e de seu meio a praticar um crime de morte.

( ) Em um dos núcleos de ação do romance, o português Jerônimo apaixona-se pela

brasileira Rita Baiana.

A seqüência correta é:

a) IV, II, III, I.

b) III, II, IV, I.

c) IV, III, I, II.

d) II, IV, III, I.

e) III, IV, I, II.

26. Univali-SC Leia o texto e assinale o item que completa correta e respectivamente as lacunas:

“1998 marca o 90º aniversário da morte de Machado de Assis, escritor representativo do ……

brasileiro, introdutor …… em nossa Literatura. Criou personagens marcantes entre elas ……,

famosa pela polêmica em torno de sua traição. Também é lembrado por ser o fundador …… .”

a) Simbolismo – da sátira – Flora – da Imprensa Nacional

b) Naturalismo – da degradação – Conceição – da Academia Fluminense de Letras

c) Romantismo – do suspense – Marcela – da Academia dos Esquecidos

d) Realismo – da ironia – Capitu – da Academia Brasileira de Letras

e) 1ª fase do Modernismo – da irreverência – Virgília – do Teatro Municipal de São Paulo

INSTRUÇÃO: Para responder à questão 27, analisar as afirmativas que seguem, sobre a

obra de Machado de Assis.

I. Reflete sem “retoques” uma sociedade impiedosa.

II. Rompe com a linearidade narrativa.

III. Introduz um narrador que dialoga com o leitor.

27. PUC-RS Pela análise das afirmativas, conclui-se que está correta a alternativa:

a) somente I d) II e III

b) somente II e) I, II e III

c) I e II

28. Unifor-CE

“O modo pelo qual agora se vê e se expressa a realidade é muito mais radical e unilateral do que

o enfoque simplesmente ‘realista’. Trata-se, na verdade, de um modo de considerar o homem

como produto do meio e das forças do instinto animal, numa visão fatalista e determinista, para a

qual a literatura contribui dando ênfase aos detalhes, sublinhando o lado material da vida, documentando

os limites humanos com o rigor de uma demonstração científica.”

O trecho acima está tratando:

a) da arte parnasiana. d) da prosa naturalista.

b) do regionalismo romântico. e) da última geração romântica.

c) da primeira fase do Modernismo.

29. UFSE

Assinale como VERDADEIRAS as frases que fazem uma afirmação correta e como FALSAS

aquelas em que isso não ocorre.

( ) O subtítulo “crônica de saudades” dado por Raul Pompéia ao seu romance O Ateneu

acentua a interferência da memória e seus processos subjetivos na maneira realista de

observar a vida.

( ) O conto realista identifica-se pela estrutura rigorosa de começo, meio e fim; e pelo

epílogo próximo da realidade concreta e histórica.

( ) Condoreirismo é o nome dado a uma corrente da poesia romântica, de cunho social, em

favor dos novos ideais políticos, de liberdade do espírito e da palavra, e os da abolição da

escravatura, em que se encontram os poemas de Castro Alves e Tobias Barreto.

( ) O Ateneu — em que o narrador, já adulto, relembra sua vida no colégio interno — e

Memórias Póstumas de Brás Cubas — em que o narrador, já defunto, retoma sua

história de vida — são dois romances bastante semelhantes, especialmente quanto à

maneira de mostrar a realidade.

( ) A época marcada pela corrente estética do Realismo/Naturalismo assinala, no Brasil,

além da dinamização e consolidação da vida nacional, a aceitação da cultura em

geral, e do escritor, como elemento integrante da vida social.30. UFSE

No século XIX, verificou-se uma passagem da prosa idealizante, por vezes amena e ingênua,

para uma prosa que visa à caracterização objetiva tanto do mundo social quanto das

personagens que nele se movem. Pode-se acompanhar essa passagem confrontando-se, na

seqüência dada, os seguintes romances:

a) A Moreninha e Dom Casmurro.

b) O Ateneu e Triste Fim de Policarpo Quaresma.

c) O Guarani e Triste Fim de Policarpo Quaresma.

d) A Moreninha e Noite na Taverna.

e) O Ateneu e Dom Casmurro.

31.UFMA

Eça de Queirós, em O primo Basílio, sustenta como uma de suas teses a

crítica ao movimento romântico, como na descrição de um dos personagens,

o literato Ernesto Ledesma:

“(...) Pequenino, linfático, os seus membros franzinos, ainda quase

tenros, davam-lhe um aspecto débil de colegial; o buço, delgado, empastado

em cera-mostache arrebitava-se aos cantos em pontas afiadas

como agulhas; e na cara chupada, os olhos repolhudos amorteciam-se

com um quebrado langoroso.”

Nessa descrição, a crítica ao Romantismo evidencia-se quando do emprego de:

a) atributos que elevam a condição moral de Ernesto Ledesma, como “membros quase

tenros”, “buço delgado” e “aspecto de colegial”.

b) adjetivos depreciativos como “linfático”, “pequenino” e “débil”, além da imagem conotativa

representada pelo “buço que se arrebitava aos cantos em pontas afiadas como

agulhas”.

c) verbos no pretérito imperfeito, como “davam-lhe”, “arrebitava-se” e “amorteciam-se”,

sugerindo a continuidade da ação que começou no passado.

d) elipses verbais, com o intuito de tornar o texto mais enxuto e preciso, satisfazendo,

assim, uma das características do Realismo: a objetividade.

e) metáforas e comparações inusitadas, como “olhos repolhudos” e “pontas afiadas como

agulhas”, na tentativa de enaltecer o caráter do personagem-escritor.

32.UFPB

No romance Dom Casmurro, ao lembrar o dia da revelação do amor de Capitu, o narrador

escreve:

“Confissão de crianças, tu valias bem duas ou três páginas, mas quero ser poupado. Em verdade,

não falamos nada; o muro falou por nós. Não nos movemos, as mãos é que se estenderam

pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se. Não marquei a hora exata

daquele gesto. Devia tê-la marcado; sinto a falta de uma nota escrita naquela mesma noite, e que

eu poria aqui com os erros de ortografia que trouxesse, mas não traria nenhum, tal era a diferença

entre o estudante e o adolescente. Conhecia as regras do escrever, sem suspeitar as do amar;

tinha ‘orgias de latim’ e era virgem de mulheres.”

Nesse trecho do romance verifica-se que:

a) a narrativa é construída a partir dos registros escritos do narrador.

b) a passagem nega o comportamento ingênuo de Bentinho.

c) a frase “sinto a falta de uma nota escrita naquela mesma noite” supõe que o narrador,

agora velho, não confia inteiramente naquilo que narra.

d) o registro de detalhes é sinal inequívoco do desprezo do narrador pela personagem Capitu.

e) a passagem aponta para o desnível intelectual existente entre Bentinho e Capitu.

33. Uneb-BA

“Rita, essa noite, recolhera-se aflita e assustada. Deixara de ir ter com o amante e mais tarde

admirava-se como fizera semelhante imprudência; como tivera coragem de pôr em prática justamente

no momento mais perigoso, uma coisa que ela, até aí, não se sentira com ânimo de praticar.

No íntimo respeitava o capoeira; tinha-lhe medo. Amara-o a princípio por afinidade de temperamento,

pela irresistível conexão do instinto luxurioso e canalha que predominava em ambos,

depois continuou a estar com ele por hábito, por uma espécie de vício que amaldiçoamos sem

poder largá-lo; mas desde que Jerônimo propendeu para ela, fascinando-a com a sua tranqüila

seriedade de animal bom e forte, o sangue da mestiça reclamou os seus direitos de apuração, e

Rita preferiu no europeu o macho da raça superior. O cavouqueiro, pelo seu lado, cedendo às

imposições mesológicas, enfarava a esposa, sua congênere, e queria a mulata, porque a mulata

era o prazer, era a volúpia, era o fruto dourado e acre destes sertões americanos, onde a alma de

Jerônimo aprendeu lascívias de macaco e onde seu corpo porejou o cheiro sensual dos bodes.”

AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. São Paulo: FTD, 1993. p. 169. (Coleção Grandes Leituras).

Considerando-se o fragmento transcrito no contexto de O Cortiço, de Aluísio de Azevedo,

pode-se afirmar:

a) Jerônimo representa, para Rita, a possibilidade de ascensão social.

b) Os personagens do texto são enfatizados em seus traços psicológicos.

c) O relacionamento de Rita Baiana com Firmo fundamenta-se no respeito mútuo.

d) Rita e Jerônimo são personagens que sofrem os efeitos do determinismo socioeconômico.

e) O narrador, ao justificar a atração de Rita por Jerônimo, evidencia uma visão preconceituosa.

Texto para as questões 34 e 35:

“Amanhecera um domingo alegre no cortiço, um bom dia de abril. Muita luz e pouco calor.

As tinas estavam abandonadas; os coradouros despidos. Tabuleiros e tabuleiros de roupa engomada

saíam das casinhas, carregados na maior parte pelos filhos das próprias lavadeiras. (...)

Mulheres ensaboavam os filhos pequenos debaixo da bica, muito zangadas, a darem-lhes murros,

a praguejar, e as crianças berravam, de olhos fechados, esperneando. (...)

Os papagaios pareciam também mais alegres com o domingo e lançavam das gaiolas frases

inteiras, entre gargalhadas e assobios. (...)

Dentro da taverna, os martelos de vinho branco, os copos de cerveja nacional e os dois vinténs

de parati ou laranjinha sucediam-se por cima do balcão, passando das mãos do Domingos e do

Manuel para as mãos ávidas dos operários e dos trabalhadores, que os recebiam com estrondosas

exclamações de pândega. A Isaura, que fora num pulo tomar o seu primeiro capilé, via-se tonta

com os apalpões que lhe davam.”

AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. São Paulo: Klick, 1997. p. 48-9. (Coleção Ler é Aprender)

34. F. Católica de Salvador-BA É uma característica naturalista evidenciada no texto:

a) Prevalência dos meios sobre os fins.

b) Denúncia das desigualdades sociais.

c) Preferência por grupos sociais marginalizados.

d) Ênfase na satisfação de necessidades instintivas.

e) Similaridade entre o comportamento humano e o instinto animal.

35. PUC-RS A expressão ficcional machadiana pode ser dividida em duas fases. Na segunda

delas, ……… e ……… constituem o eixo temático que conduz obras como ……… .

a) ironia pessimismo Memórias Póstumas de Brás Cubas

b) traição idealização Dom Casmurro

c) desconfiança traição Helena

d) pessimismo desconfiança Ressurreição

e) idealização ironia Esaú e Jacó

INSTRUÇÃO: Para responder às questões de 36 a 38, ler o texto que segue.

“E aquilo se foi constituindo numa grande lavanderia, agitada e barulhenta, com as suas cercas

de varas, as suas hortaliças verdejantes e os seus jardinzinhos de três e quatro palmos, que apareciam

como manchas alegres por entre a negrura das limosas tinas transbordantes e o revérbero

das claras barracas de algodão cru, armadas sobre lustrosos bancos de lavar. E os gotejantes jiraus,

cobertos de roupa molhada, cintilavam ao sol, que nem lagos de metal branco.

E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar,

a esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar

espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, e multiplicar-se como larvas no esterco.”

36. PUC-RS A expressão sublinhada no texto exemplifica uma característica do romance

………, que é ……… .

a) realista o descritivismo exaustivo

b) naturalista o determinismo do meio ambiente

c) pré-modernista a crítica social desvelada

d) naturalista a patologia das personagens

e) realista o determinismo da hereditariedade

INSTRUÇÃO: Para responder à questão 37, analisar as afirmativas que seguem, sobre o texto.

I. Mostra a formação de aglomerados humanos em um centro urbano.

II. Retrata a vida de seres que habitam ambientes degradados.

III. Compara a vida humana à vida animal.

IV. Expressa uma visão saudosista em relação à vida.

37. PUC-RS Pela análise das afirmativas, conclui-se que está correta a alternativa:

a) I. b) II. c) II e III. d) III e IV. e) I, II e III.

38. PUC-RS No texto:

a) o individual prevalece sobre o coletivo.

b) o tempo não se apresenta em uma seqüência linear.

c) a visão do mundo aparece influenciada pelo determinismo biológico.

d) a análise do comportamento humano marca a condução da narrativa.

e) a descrição do mundo objetivo predomina sobre os elementos narrativos.

39. Emescam-ES O Realismo e o Naturalismo, estilos de época contemporâneos na literatura

brasileira, têm características que os aproximam e características que os distinguem. Das

opções abaixo, há uma que não é verdadeira. Isso ocorre em:

a) Enquanto o Realismo tende para uma visão biológica do homem, o Naturalismo tem

uma acentuada tendência e preferência por temas da patologia social.

b) O Naturalismo considera o homem uma máquina guiada pela ação das leis químicas e

físicas e pela hereditariedade.

c) Os personagens, tanto das obras realistas, quanto das obras naturalistas, são tipos concretos,

vivos, frutos da observação.

d) Os autores realistas e naturalistas privilegiam em suas obras a descrição, em vez da

narração.

e) Os autores realistas e naturalistas preferem retratar, em suas obras, a vida contemporânea,

a sua época, a retratar o passado.

Texto para a questão 40:

“Bertoleza, que havia já feito subir o jantar dos caixeiros, estava de cócoras no chão, escamando

peixe, para a ceia do seu homem, quando viu parar defronte dela aquele grupo sinistro.

Reconheceu logo o filho mais velho do seu primitivo senhor, e um calafrio percorreu-lhe o

corpo. Num relance de grande perigo compreendeu a situação: adivinhou tudo com a lucidez de

quem se vê perdido para sempre. Adivinhou que tinha sido enganada; que a sua carta de alforria

era uma mentira, e que o seu amante, não tendo coragem para matá-la, restituía-a ao cativeiro.

Seu primeiro impulso foi de fugir. Mal, porém, circunvagou os olhos em torno de si, procurando

escapulir, o senhor adiantou-se dela e segurou-lhe o ombro.

— É esta! Disse aos soldados que, com um gesto, intimaram a desgraçada a segui-los. —

Prendam-na! É escrava minha!

A negra, imóvel, cercada de escamas e tripas de peixe, com uma das mãos espalmada no chão

e com a outra segurando a faca de cozinha, olhou aterrada para eles, sem pestanejar.

Os policiais, vendo que ela se não despachava, desembainharam os sabres. Bertoleza então,

erguendo-se com ímpeto de anta bravia, recuou de um salto, e antes que alguém conseguisse

alcançá-la, já de um só golpe certeiro e fundo rasgara o ventre de lado a lado.

E depois emborcou para a frente, rugindo e esfocinhando moribunda numa lameira de sangue.

João Romão fugira até o canto mais escuro do armazém, tapando o rosto com as mãos.

Nesse momento parava à porta da rua uma carruagem. Era uma comissão de abolicionistas que

vinha, de casaca, trazer-lhe respeitosamente o diploma de sócio benemérito.

Ele mandou que os conduzissem para a sala de visitas.”

AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. Cap. XXXIII, p. 164-5. Rio de janeiro: Ediouro, s.d.

40. PUC-RJ O texto corresponde à cena em que a escrava fugida Bertoleza comete suicídio,

quando se depara com os policiais que vêm capturá-la, após denúncia de seu paradeiro

feita por João Romão, o amante. Leia-o atentamente e responda às questões propostas em

“a” e “b”.

a) Explique uma característica do realismo-naturalismo expressa no trecho que compreende

os 6º e 7º parágrafos (“Os policiais... de sangue”).

b) Transcreva a passagem em que o leitor deduz a ironia dos acontecimentos, provocada

pelo contraditório comportamento de João Romão.

41.U. F. Viçosa-MG Leia atentamente a proposição:

“O Romantismo era a apoteose do sentimento; o Realismo é a anatomia do caráter. É a

crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos — para nos conhecermos,

para que saibamos se somos verdadeiros ou falsos, para condenar o que houver de mau na

nossa sociedade.”

QUEIRÓS, Eça de. In: PROENÇA FILHO, Domício. Estilos de época na literatura. São Paulo: Liceu, 1969. p. 207.

O texto de Eça de Queirós reúne alguns princípios básicos do Realismo. Dentre as alternativas

abaixo, assinale aquela que não está em conformidade com as definições do romancista

português:

a) O Realismo foi marcado por um forte espírito crítico e assumiu uma atitude mais combativa

diante dos problemas sociais contemporâneos.

b) As preocupações psicológicas da prosa de ficção realista levaram o romancista a uma conscientização

do próprio “eu” e manifestação de sua mais profunda interioridade.

c) O autor realista retratou com fidelidade a psicologia do personagem, demonstrando um

interesse maior pelas fraquezas humanas e pelos dramas existenciais.

d) Em oposição à idealização romântica, o escritor realista procurou descobrir a verdade

de seus personagens, dissecando-lhes o comportamento.

e) O sentido de observação e análise vigente no Realismo exigiu do escritor uma postura

racional e crítica diante das contradições do homem enquanto ser social.

42.U. Uberaba-MG

“(...) A negra, imóvel cercada de escamas e tripas de peixe, com uma das mãos espalmadas no

chão e com a outra segurando a faca de cozinha, olhou aterrada para eles, sem pestanejar.

Os policiais, vendo que ela se não despachava, desembainharam os sabres. Bertoleza então,

erguendo-se com ímpeto de anta bravia, recuou de um salto, e antes que alguém conseguisse

alcançá-la, já de um só golpe certeiro e fundo rasgara o ventre de lado a lado.

E depois emborcou para a frente, rugindo e esfocinhando moribunda numa lameira de

sangue.”

AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço.

O trecho exemplifica a seguinte característica da escola literária a que pertence:

a) A personagem Bertoleza é uma heroína individual e, assim como outras no romance,

não pode ser substituída pela coletividade.

b) Os seres humanos, assim como a escrava Bertoleza, supostamente alforriada, são comparados

aos animais irracionais.

c) A personagem apresentada no trecho é coisificada, já que a obra trata de realismo psicológico.

d) Mulatos e imigrantes portugueses testemunham as condições de vida da população do

Rio, por isso a obra se torna panfletária e propagandista.

43.U. F. Viçosa-MG Dentre as alternativas abaixo, apenas uma não contém informações

totalmente verdadeiras sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas. Assinale-a:

a) O personagem Brás Cubas diz o que pensa dos outros e de si mesmo com uma sinceridade

que só a maturidade póstuma lhe pôde propiciar.

b) Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, as relações sociais cedem lugar à inquirição

sobre a alma humana, que, por sua vez, tornou-se objeto de atenção do escritor realista.

c) Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma obra típica do Realismo, na medida em que

subverte as técnicas narrativas românticas e ironiza os valores burgueses.

d) O defunto autor desordena a cronologia dos fatos reconstituídos em sua memória através

de idas e vindas em um tempo não linear.

e) A narrativa machadiana insere-se na estética realista por denunciar as mazelas sociais

brasileiras e por criticar a civilização industrial emergente.

44. UFR-RJ O tema do ciúme foi abordado por Machado de Assis em Dom Casmurro:

“Capítulo CXXXV

OTELO

Jantei fora. De noite fui ao teatro. Representava-se justamente Otelo, que eu não vira nem lera

nunca; sabia apenas o assunto, e estimei a coincidência. (...) O último ato mostrou-me que não

eu, mas Capitu devia morrer. Ouvi as súplicas de Desdêmona, as suas palavras amorosas e puras,

e a fúria do mouro, e a morte que este lhe deu entre aplausos frenéticos do público.

— E era inocente, vinha eu dizendo rua abaixo; — que faria o público, se ela deveras fosse

culpada, tão culpada como Capitu? (...)”

ASSIS, Machado de. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1982.

No fragmento acima, observa-se uma característica recorrente nos romances machadianos,

que é a:

a) crítica aos excessos sentimentais do personagem.

b) ausência de monólogos interiores.

c) preocupação com questões político-sociais.

d) abordagem de tema circunscrito à época realista.

e) análise do comportamento humano.

45.U. Uberaba-MG Atente para a seguinte passagem do conto Conto de Escola, de Machado

de Assis:

“Na rua encontrei uma companhia do batalhão de fuzileiros, tambor à frente, rufando. Não

podia ouvir isto quieto. Os soldados vinham batendo o pé rápido, igual, direita, esquerda, ao som

do rufo; vinham, passaram por mim, e foram andando. Eu senti uma comichão nos pés, e tive

ímpeto de ir atrás deles. Já lhes disse: o dia estava lindo, e depois o tambor... Olhei para um e

outro lado; afinal, não sei como foi, entrei a marchar também ao som do rufo, creio que cantarolando

alguma cousa: Rato na casaca... Não fui à escola, acompanhei os fuzileiros, depois enfiei

pela Saúde, e acabei a manhã na praia de Gamboa. Voltei para casa com as calças enxovalhadas,

sem pratinha no bolso nem ressentimento na alma. E contudo a pratinha era bonita e foram eles,

Raimundo e Curvelo, que me deram o primeiro conhecimento, um da corrupção, outro da delação;

mas o diabo do tambor...”

Para Gostar de Ler. vol. 9. Contos, Ática.

Evidencia-se, nesta passagem, um procedimento típico da expressão deste autor, identificado

pela:

a) fantasia. Machado não é um realista comum. Apesar de original e independente, procura

seguir de modo servil as propostas do movimento literário a que pertence. Raimundo

é, no conto, um personagem fascinado pelo tambor.

b) ironia. Machado faz sua personagem, após aprender dentro da sala de aula, lições de

corrupção de delação, reconhecer o valor do tambor e, portanto, voltar para casa com as

calças enxovalhadas, sem pratinha no bolso nem ressentimento na alma.

c) embriaguez da alma. Machado constrói os personagens, reunindo seus pequenos gestos,

seus mínimos pensamentos, suas contradições, revelando ao leitor, por esse processo

detalhado, a segurança de quem sabe o que está fazendo.

d) metalinguagem. Machado escreve sobre a problemática da esperança e aborda um

personagem objetivo e racional. Em vez de valorizar a ação interior, desenvolve, como

todo escritor realista, uma maior preocupação com a ação exterior.

INSTRUÇÃO: A questão de número 46 refere-se ao texto abaixo. Leia-o e assinale a alternativa

correta.

“Os companheiros de classe eram cerca de vinte; uma variedade de tipos que me divertia. O

Gualtério, miúdo, redondo de costas, cabelos revoltos, motilidade brusca e caretas de símio –

palhaço dos outros, como dizia o professor; o Nascimento, o bicanca, alongado por um modelo

geral de pelicano, nariz esbelto, curto e largo como uma foice; o Álvares, moreno, cenho carregado,

cabeleira espessa e intonsa, de vate de taverna...”

POMPÉIA, Raul. O Ateneu. São Paulo: Moderna, 1994. p. 32.

46.U. Caxias do Sul-RS No fragmento acima, o uso da descrição através de símiles exagerados,

com traços caricaturais, remete à corrente estética:

a) impressionista.

b) naturalista.

c) expressionista.

d) realista.

e) simbolista.

47.UFRS Tendo em vista as estéticas literárias brasileiras, podemos afirmar que o Realismo

Brasileiro:

a) foi marcado por uma intensa preocupação com o aspecto histórico da nação.

b) determinou o surgimento de uma nova escrita literária cuja ênfase recaiu nas relações

amorosas de finais felizes.

c) ao se confundir com o Naturalismo, pretendeu uma objetividade maior com vistas a

retratar a realidade.

d) foi o grande responsável pela afirmação de uma literatura de caráter sugestivo e ambíguo.

e) veiculou uma visão idealizada da aristocracia brasileira do tempo do Império.

48. Fempar Os trechos abaixo foram extraídos de Uma Lágrima de Mulher e O Mulato, primeiros

romances de Aluísio Azevedo, publicados em 1879 e 1881, respectivamente. Assinale a

alternativa em cujo texto não predominam traços da escola literária que mais marcou o

autor:

a) “Todo o ser se lhe revolucionou; o sangue gritava-lhe, reclamando o pão do amor; seu

organismo inteiro protestava irritado contra a ociosidade. E ela então sentiu bem nítida

a responsabilidade dos seus deveres de mulher perante a natureza, compreendeu o seu

destino de ternura e de sacrifícios, percebeu que viera ao mundo para ser mãe; concluiu

que a própria vida lhe impunha, como lei indefectível, a missão sagrada de procriar

muitos filhos”. (O Mulato)

b) “A atmosfera de um baile daquela ordem, no seu apogeu, afeta singularmente a economia

animal dos moços. O coração como que se derrete ao calor dos galanteios, dos

perfumes, das luzes, dos vinhos, dos vapores estimulantes que exalam os corpos cansados

das mulheres, e derrama-se por todo o corpo como um filtro diabólico e sensual,

que percorre e excita os tecidos orgânicos, precipitando as suas competentes funções”.

(Uma Lágrima de Mulher)

c) “Com estes devaneios, acudia-lhe sempre um arrepiozinho de febre; ficava excitada,

idealizando um homem forte, corajoso, com um bonito talento, e capaz de matar-se por

ela. E, nos seus sonhos agitados, debuxava-se um vulto confuso, mas encantador, que

galgava precipícios, para chegar onde ela estava e merecer-lhe a ventura de um sorriso,

uma doce esperança de casamento. E sonhava o noivado: um banquete esplêndido! E

junto dela, ao alcance de seus lábios, um mancebo apaixonado e formoso, um conjunto de

força, graça e ternura, que a seus pés ardia de impaciência e devorava-a com o olhar em

fogo.”(O Mulato)

d) “Ia uma dessas noites quentes de verão, em que a natureza parece adormecida aos

beijos ardentes do sol; em que as águas dos lagos são mornas como a brisa, que acaricia

os píncaros abrasados das montanhas, e a lua se ergue vermelha, como uma chaga viva

(...) Uma dessas formosas noites napolitanas, em que tudo se converte em volúpia e

cansaço (...) Abraçam-se nos montes os pinheiros e os ciprestes nos cemitérios;

entrelaçam-se as flores no campo; amam-se feras nos covis; nos ares os passarinhos e

os répteis no charco.”(Uma Lágrima de Mulher)

e) “No seu desterro tinha por companhia única uma preta velha, que se encarregara de

servi-lo; magra, feia, supersticiosa, arrastando-se, a coxear, pela varanda e pelos quartos

desertos, fumando um cachimbo insuportável, e sempre a falar sozinha, a mastigar

monólogos intermináveis (...) Não podia entrar com a cozinha da preta – era uma coisa

muito mal amanhada – tinha nojo de beber pelos copos mal lavados; banhava com

repugnância o rosto na bacia barrada de gordura.” (O Mulato)

49. Univali-SC As descrições a seguir pertencem a diferentes períodos literários:

I. “Conceição entrou na sala, arrastando as chinelinhas da alcova. Vestia um roupão

branco, mal apanhado na cintura. Sendo magra, tinha um ar de visão romântica, não

disparatada com o meu livro de aventuras. [...] Os olhos dela não eram bem negros,

mas escuros; o nariz, seco e longo, um tantinho curvo, dava-lhe ao rosto um ar interrogativo.”

II. “Os grandes olhos azuis, meio cerrados, às vezes se abriam languidamente, como

para se embeberem de luz, e abaixavam de novo as pálpebras rosadas. Os lábios

vermelhos pareciam uma flor de gardênia dos nossos campos, orvalhada pelo sereno

da noite; o hálito doce e ligeiro exalava-se, formando um sorriso.”

III. “Ela saltou no meio da roda, com os braços na cintura, rebolando as ilhargas e bamboleando

a cabeça, ora para a esquerda, ora para a direita, com uma sofreguidão de gozo

carnal num requebro luxurioso, que a punha ofegante; já correndo de barriga empinada;

já recuando de braços estendidos, a tremer toda...”

Identifique os períodos literários em que os textos lidos se enquadram e, a seguir, assinale

a opção correta quanto à respectiva classificação:

a) Realismo – Barroco – Modernismo. d) Simbolismo – Realismo – Barroco.

b) Naturalismo – Realismo – Simbolismo. e) Realismo – Romantismo – Naturalismo.

c) Modernismo – Romantismo – Naturalismo.

50. Univali-SC

“O CORTIÇO

Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de

machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que

escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as

saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que

elas despiam suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam

em não molhar o pêlo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam

com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão. As portas das

latrinas não descansavam, era um abrir e fechar de cada instante, um entrar e sair sem tréguas.

Não se demoravam lá dentro e vinham ainda amarrando as calças ou as saias; as crianças não se

davam ao trabalho de lá ir, despachavam-se ali mesmo, no capinzal dos fundos, por detrás da

estalagem ou no recanto das hortas.”

Aluísio Azevedo.

São características do Naturalismo presentes no texto acima:

a) objetividade; cientificismo; impressionismo.

b) preferência por temas de patologia social; objetivismo científico; determinismo.

c) descrição da realidade; ênfase no momento presente; abuso de figuras de linguagem.

d) observação da realidade; linguagem simples; subjetivismo.

e) aspectos patológicos da realidade; conflitos individuais; descrição detalhada do ambiente.

51.UFSC Marque a(s) proposição(ões) VERDADEIRA(S).

01) A literatura realista caracteriza-se por descrever a realidade objetiva e minuciosamente,

de modo impessoal. Aluísio Azevedo, autor de O Cortiço, é um dos representantes

dessa escola em sua vertente naturalista.

02) Nos versos:

“(Que vens tu fazer, Alferes,

com tuas loucas doutrinas?

Todos querem liberdade,

Mas quem por ela trabalha?)

Ah! se eu me apanhasse em Minas...”

do livro Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles expressa, em linguagem poética,

o sentimento de desamparo de Tiradentes, mártir da inconfidência mineira.

04) Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, o defunto-autor, descompromissado

com o mundo dos vivos, conta sua própria história, numa fria autoanálise

de sua vida.

08) Moacir Scliar, em Bandoleiros, permeia toda a narrativa com a figura singular

do judeu, amigo de infância que lhe povoa a memória, e mesmo de longe dá

sentido à sua vida: Tinha de ver o Noel. Precisava reencontrar o meu passado

enquanto ainda tinha algum significado, enquanto fazia algum sentido.

16) Nos versos:

Nas formas voluptuosas o Soneto

Tem fascinante, cálida fragrância

E as leves, langues curvas de elegância

De extravagante e mórbido esqueleto., Cruz e Sousa apresenta o Soneto como “entidade

concreta, dotada de aparência física”.

52. UFRS Leia as afirmações abaixo.

“O realismo é a anatomia do caráter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta aos

nossos olhos para condenar o que há de mau na sociedade.” (Eça de Queiroz)

“... porque a nova poética (...) só chegará à perfeição no dia em que nos disser o número

exato dos fios que compõem um lenço de cambraia ou um esfregão de cozinha.” (Machado

de Assis)

Assinale a alternativa incorreta em relação às afirmações de Eça de Queirós e de Machado

de Assis.

a) Machado de Assis expressa uma visão irônica quanto aos propósitos do realismo

assumidos por Eça de Queirós.

b) Há em Machado de Assis uma identificação com as idéias do autor português sobre o

poder da arte realista.

c) Ao questionar a perfeição da “nova poética”, Machado de Assis põe em dúvida o ideal

queirosiano de realizar uma anatomia do caráter.

d) Eça de Queirós deixa entrever um grande entusiasmo pelo papel a ser desempenhado

pela arte realista.

e) A visão do escritor brasileiro deixa clara sua convicção quanto à impossibilidade de se

representar totalmente a realidade.

53. Unifor-CE Atente para as seguintes afirmações sobre a literatura brasileira produzida no

século XIX:

I. A diferença essencial entre um romance romântico e um romance realista está no fato de

que apenas no segundo as ações das personagens se desenvolvem no espaço urbano.

II. Os poetas românticos Álvares de Azevedo e Castro Alves distinguem-se quanto ao

tom e aos temas, sobretudo se comparamos a Lira dos vinte anos com Os escravos.

III. Embora tenham sido contemporâneos, Machado de Assis e Aluísio Azevedo guardam

profundas diferenças entre si: uma delas está no fato de que o autor de Dom Casmurro

não defendia as teses deterministas que se encontram no autor de Casa de pensão.

Está correto o que se afirma em:

a) II, somente.

b) I e II, somente.

c) I e III, somente

d) II e III, somente.

e) I, II e III.

54. Unifor-CE Considere os seguintes fragmentos:

I. José Dias amava os superlativos. Era um modo de dar feição monumental às idéias;

não as havendo, servia a prolongar as frases.

II. Quando lhe acontecia o que ficou contado, era costume de Aires sair cedo, a espairecer.

III. O fundador da minha família foi um certo Damião Cubas, que floresceu na primeira

metade do século XVIII.

Elementos constantes desses fragmetnos remetem a:

a) romances de Machado de Assis.

b) contos de Machado de Assis.

c) romances de José de Alencar.

d) contos de Monteiro Lobato.

e) romances de Monteiro Lobato.

Textos para a questão 55:

I

“— Algum tempo hesitei se deveria abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria

em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Eu não sou propriamente um autor defunto,

mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; (…) Moisés, que também contou a sua

morte, não a pôs no intróito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco.”

ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas.

II

“— és filho de uma pisadela e de um beliscão; mereces que um pontapé te acabe a casta. (…)

O menino suportou tudo com coragem de mártir, apenas abriu ligeiramente a boca quando foi

levantado pelas orelhas: mal caiu, ergueu-se, embarafustou pela porta fora, e em três pulos estava

dentro da loja do padrinho, e atracando-se-lhe às pernas.”

ALMEIDA, Manuel A. de. Memórias de um Sargento de Milícias.

55.UFPE Após a leitura atenta dos textos I e II, assinale a alternativa correta.

a) Apesar de ambos os romances intitularem-se ‘memórias’, o primeiro não é contado em

1ª pessoa e relata a vida do protagonista depois que se torna sargento de milícias; já o

texto de Machado traz um “defunto autor”.

b) Manuel de Almeida aproxima-se da linguagem coloquial falada no Brasil de seu tempo,

enquanto Machado de Assis, não.

c) O texto de Manuel de Almeida, considerado precursor do Realismo em nossas letras, e

o de Machado traduzem o cientificismo dominante na época.

d) No texto II, o autor descreve a forma de tratar as crianças na nobreza no Rio de Janeiro

de D. João VI.

e) É característica notória da obra de Machado a ironia, traço que não é apresentado no texto I.

56. Unifor-CE “O seu tempo era também o tempo da educação do leitor brasileiro, da qual

este autor participa de forma tão decisiva com …… . Romancistas e poetas brasileiros

que, como …… , viveram o apogeu …… , sentiram e expressaram mudanças muito significativas

no modo de fazer cultura.”

Preenchem corretamente as lacunas do período acima, na ordem dada, os seguintes elementos:

a) Quincas Borba – Machado de Assis – da luta pela independência.

b) Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis – do reinado de D. Pedro II.

c) O Ateneu – Raul Pompéia – do reinado de D. Pedro I.

d) O Cortiço – Aluísio Azevedo – da consolidação da monarquia.

e) Casa de Pensão – Aluísio Azevedo – do reinado de D. Pedro I.

57. UFSE

( ) No romance D. Casmurro, com as frases “o fim evidente de atar as duas pontas da

vida” e “recompor o que foi”, Machado de Assis mostra, muito além dos fatos em si,

as intenções e ressonâncias que os envolvem e que surgem das descrições das personagens

e comentários, aparentemente insignificantes, ao longo da narrativa.

( ) Senhora, apesar de ser um romance que se enquadra na época romântica, desvia-se

deste ideário estético, ao mostrar o dinheiro como elemento que conspurca o amor, o

qual, portanto, não se realiza.

( ) É correto afirmar-se que Amâncio, do romance Casa de pensão, foi um dos tipos

mais marcantes criados por Aluísio Azevedo — uma personagem forte que sobressai

no romance, no meio de uma galeria de outros tipos.

( ) Em D. Casmurro observa-se, em síntese, uma visão otimista da sociedade, na figura

de José Dias, o agregado, que é o exemplo dos hábitos e padrões familiares do Rio de

Janeiro nos meados do século XIX.

( ) Um cientificismo de sabor popular tangencia a narrativa de Casa de pensão, em que

os episódios da infância, mesmo os aparentemente insignificantes — e mais tarde o

meio — modelam o caráter das personagens e decretam a direção que eles devem

tomar.

58.UFBA

“Quando Pádua, vindo pelo interior, entrou na sala de visitas, Capitu, em pé, de costas para

mim, inclinada sobre a costura, como a recolhê-la, perguntava em voz alta:

— Mas, Bentinho, que é protonotário apostólico?

— Ora, vivam! exclamou o pai.

— Que susto, meu Deus!

Agora é que o lance é o mesmo; mas se conto aqui, tais quais, os dois lances de há quarenta

anos, é para mostrar que Capitu não se dominava só em presença da mãe, o pai não lhe meteu

mais medo. No meio de uma situação que me atava a língua, usava da palavra com a maior

ingenuidade deste mundo. A minha persuasão é que o coração não lhe batia mais nem menos.

Alegou susto, e deu à cara um ar meio enfiado; mas eu, que sabia tudo, vi que era mentira e fiquei

com inveja. Foi logo falar ao pai, que apertou a minha mão, e quis saber por que a filha falava em

protonotário apostólico. Capitu repetiu-lhe o que ouvira de mim, e opinou logo que o pai devia ir

cumprimentar o padre em casa dele; ela iria à minha. E coligindo os petrechos da costura, enfiou

pelo corredor, bradando infantilmente:

— Mamãe, jantar, papai chegou!”

ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. São Paulo: Ática, 1999. p. 64.

A leitura do fragmento e de todo o romance permite afirmar:

(01) Bentinho simboliza o indivíduo resistente às influências advindas das pessoas e das

circunstâncias que o rodeiam.

(02) As ações de Capitu retratam-na como uma personalidade que se impõe e que faz dela

própria a autora do seu destino.

(04) O recurso freqüente à fala direta das personagens dá-se em função de o autor imprimir

naturalidade na divulgação do ideário religioso que pretende difundir.

(08) Os flagrantes em que os dois protagonistas são surpreendidos põem em realce a dissimulação

de Capitu, um dado importante em favor da idéia de traição alimentada

por Bentinho.

(16) O relato de experiências frustrantes constitui estratégia do eu-narrador para justificar

o conflito existencial que o marca.

(32) A possibilidade de ascensão na carreira sacerdotal, sinônimo de projeção social e de

vantagem econômica, faz crescer na mãe de Bentinho a vontade de enviá-lo ao seminário.

(64) A ambigüidade da personagem feminina funciona como motivo para que conflitos e

desajustes se instalem no espaço que deveria ser de harmonia e de realização pessoal.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

59.UFRN O romance D. Casmurro pode ser esquematizado da seguinte forma:

1ª parte 2ª parte

O amor adolescente entre Bentinho e Capitu O casamento de Bentinho e Capitu

Com base nesse esquema, é correto afirmar:

a) Na primeira parte do romance, Bentinho acredita que a dissimulação de Capitu está

relacionada à classe social da moça.

b) Na segunda parte do romance, os diversos capítulos de curta extensão atestam o ciúme

de Bentinho.

c) Nas duas partes do romance, os fatos narrados provocam em Bentinho sentimentos

prazerosos e amargurados.

d) Nas duas partes do romance, as fantasias de Bentinho aceleram as ações, encobrindo,

propositalmente, os ciúmes em relação a Capitu.

60.UFPB “…Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos.

Meu pai, logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso

excedia as raias de um capricho juvenil.”

Na passagem acima, extraída do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, percebe-se

que o narrador:

a) sugere apenas que Marcela o amou por pouco tempo.

b) expressa de forma metafórica o amor interesseiro de Marcela.

c) apresenta uma imagem romântica do amor.

d) idealiza a figura feminina ao retratar a devoção amorosa de Marcela.

e) demonstra pesar e dor pelo fim do romance.

61. Uneb-BA

“Daí em diante foi uma coleta desenfreada. Um homem não podia dar nascença ou curso

à mais simples mentira do mundo, ainda daquelas que aproveitam ao inventor ou divulgador, que

não fosse logo metido na Casa Verde. Tudo era loucura. Os cultores de enigmas, os fabricantes de

charadas, de anagramas, os maldizentes, os curiosos da vida alheia, os que põem todo o seu

cuidado na tafularia, um ao outro almotacé enfunado, ninguém escapava aos emissários do alienista.

Ele respeitava as namoradas e não poupava as namoradeiras, dizendo que as primeiras

cediam a um impulso natural e as segundas a um vício. Se um homem era avaro ou pródigo, ia do

mesmo modo para a Casa Verde; daí a alegação de que não havia regra para a completa sanidade

mental. Alguns cronistas crêem que Simão Bacamarte nem sempre procedia com lisura, e citam

em abono da afirmação (que não sei se pode ser aceita) o fato de ter alcançado da câmara uma

postura autorizando o uso de um anel de prata no dedo polegar da mão esquerda, a toda a

pessoa que, sem outra prova documental ou tradicional, declarasse ter nas veias duas ou três

onças de sangue godo. Dizem esses cronistas que o fim secreto da insinuação à câmara foi enriquecer

um ourives amigo e compadre dele; mas, conquanto seja certo que o ourives viu prosperar

o negócio depois da nova ordenação municipal, não o é menos que essa postura deu à Casa

Verde uma multidão de inquilinos; pelo que, não se pode definir, sem temeridade, o verdadeiro

fim do ilustre médico. Quanto à razão determinativa da captura e aposentação na Casa Verde de

todos quantos usaram do anel, é um dos pontos mais obscuros da história de Itaguaí; a opinião

mais verossímil é que eles foram recolhidos por andarem a gesticular, à toa, nas ruas, em casa, na

igreja. Ninguém ignora que os doidos gesticulam muito. Em todo caso, é uma simples conjetura;

de positivo, nada há.”

ASSIS, Machado de. O alienista. 25. ed. São Paulo: Ática, 1995. p. 38-9. (Série Bom Livro)

Tendo-se em vista o fragmento no contexto do conto, é correto afirmar:

a) O narrador, através das ações de Simão Bacamarte, faz uma apologia ao conhecimento

científico.

b) Crispim Soares, ao aderir à rebelião dos Canjicas, mostra a firmeza de suas convicções

políticas.

c) O “ilustre médico”, na condição de homem das ciências, porta-se com absoluta imparcialidade

e honestidade.

d) Porfírio das Neves, o barbeiro, representa, na narrativa, o oportunismo político.

e) O narrador, em face do narrado, mantém uma atitude de distanciamento.

62.UFRN Leia o capítulo Os vermes da obra D. Casmurro, de Machado de Assis:

“‘Ele fere e cura!’ Quando, mais tarde, vim a saber que a lança de Aquiles também curou uma

ferida que fez, tive tais ou quais veleidades de escrever uma dissertação a este propósito. Cheguei

a pegar em livros velhos, livros mortos, livros enterrados, a abri-los a compará-los, catando o texto

e o sentido, para achar a origem comum do oráculo pagão e do pensamento israelita. Catei os

próprios vermes dos livros, para que me dissessem o que havia nos textos roídos por eles.

— Meu senhor, respondeu-me um longo verme gordo, nós não sabemos absolutamente nada

dos textos que roemos, nem escolhemos o que roemos, nem amamos ou detestamos o que

roemos: nós roemos.

Não lhe arranquei mais nada. Os outros todos, como se houvessem passado palavra, repetiam

a mesma cantilena. Talvez esse discreto silêncio sobre os textos roídos fosse ainda um modo de

roer o roído.”

Nesse capítulo, constata-se que:

a) o narrador, diante da atitude dos vermes, aceita a idéia de que escrever é uma ação

racional.

b) o narrador, diante da atitude dos vermes, conclui que os livros são a única fonte de

conhecimento.

c) a personificação dos vermes contradiz as características do naturalismo.

d) a personificação dos vermes produz um afastamento da estética realista.

63.UFRN No painel dos personagens secundários, o agregado José Dias destaca-se porque:

a) tem comportamento peculiar que interfere nas reminiscências de Bentinho.

b) é um personagem culto, típico da época em que se passa a história.

c) participa do cotidiano familiar e influencia as decisões de dona Glória.

d) é o personagem que acoberta os interesses ardilosos da esposa do narrador.

Texto para as questões de 64 a 66.

“Óbito do autor

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em

primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo

nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não

sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço;

a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.”

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. Capítulo primeiro.

64. Fuvest-SP Considerando-se este fragmento no contexto da obra a que pertence, é correto

afirmar que, nele,

a) o discurso argumentativo, de tipo racional e lógico, apresenta afirmações que ultrapassam

a razão e o senso comum.

b) a combinação de hesitações e autocrítica já caracteriza o tom de arrependimento com

que o defunto autor relatará sua vida improdutiva.

c) as hesitações e dúvidas revelam a presença de um narrador inseguro, que teme assumir

a condução da narrativa e a autoridade sobre os fatos narrados.

d) as preocupações com questões de método e as reflexões de ordem moral mostram um

narrador alheio às meras questões literárias, tais como estilo e originalidade.

e) as considerações sobre o método e sobre a lógica da narração configuram o modo característico

de se iniciar o romance no Realismo.

65. Fuvest-SP Comparando-se Brás Cubas e Macunaíma, é correto afirmar que, apesar de

diferentes, ambos

a) possuem muitos defeitos, mas conservam uma ingenuidade infantil, isenta de traços de

malícia e de egoísmo.

b) tiveram seu principal relacionamento amoroso com mulheres tipicamente submissas,

desprovidas de iniciativa.

c) não trabalham, caracterizando-se pela ausência de qualquer demanda ou busca que lhes

mobilize o interesse.

d) narram suas histórias diretamente ao leitor, em primeira pessoa, depois de mortos: Brás

Cubas, como defunto autor; Macunaíma, utilizando-se do papagaio.

e) têm a vida avaliada, na parte final dos relatos, em um pequeno balanço, ou breve avaliação

de conjunto, com resultado negativo.

66. Fatec-SP É possível perceber certas palavras e expressões que indicam oposição entre a

visão romântica do mundo e as fortes marcas realistas do texto. Assinale a alternativa em

que as expressões destacadas melhor indicam esse tipo de relação.

a) “modesta e negra”, “negra como a noite” x “farpinhas da cabeça”, “espairecendo suas

borboletices”.

b) “um céu azul, que é sempre azul para todas as asas” x “um ar divino, uma estatura

colossal”.

c) “imensidade azul”, “alegria das flores”, “pompa das folhas verdes” x “uma toalha de

rosto, dous palmos de linho cru”.

d) “restituiu-me a consolação”, “as próvidas formigas” x “uni o dedo grande ao polegar,

despedi um piparote”.

e) “A borboleta pousou-me na testa”, “o retrato de meu pai” x “contemplar o cadáver”,

“ter nascido azul”.

Texto para a questão 67:

“Saí dali a saborear o beijo. Não pude dormir; estirei-me na cama, é certo, mas foi o mesmo que

nada. Ouvi as horas todas da noite. Usualmente, quando eu perdia o sono, o bater da pêndula

fazia-me muito mal; esse tique-taque soturno, vagaroso e seco parecia dizer a cada golpe que eu

ia ter um instante menos de vida. Imaginava então um velho diabo, sentado entre dous sacos, o

da vida e o da morte, a tirar as moedas da vida para dá-las à morte, e a contá-las assim:

— Outra de menos…

— Outra de menos…

— Outra de menos…

— Outra de menos…

O mais singular é que, se o relógio parava, eu dava-lhe corda, para que ele não deixasse de

bater nunca, e eu pudesse contar todos os meus instantes perdidos. Invenções há, que se transformam

ou acabam; as mesmas instituições morrem; o relógio é definitivo e perpétuo. O derradeiro

homem, ao despedir-se do sol frio e gasto, há de ter um relógio na algibeira, para saber a hora

exata em que morre.”

ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas.

67. Ceetps-SP Com relação ao texto, considere as afirmações abaixo:

I. No texto de Machado de Assis, a intensidade do sentimento é marcada pela passagem

do tempo, manifestada pelo ciclo na natureza.

II. Na passagem de Machado de Assis, o realismo está centrado na ausência de sentimento

e marcado pelas batidas do relógio.

III. No início do texto de Machado de Assis, a expressão “ouvi todas as horas da noite

representa um prolongamento do sentimento de prazer conferido pelo beijo.

IV. A partir de “usualmente”, o narrador começa a considerar seu desassossego diante da

morte, durante suas noites de insônia no passado.

Quanto a essas afirmações deve-se concluir que

a) apenas I, III e IV estão corretas. d) apenas II e III estão corretas.

b) apenas II, III e IV estão corretas. e) apenas III e IV estão corretas.

c) apenas I, II e IV estão corretas.

68.UFBA

“Barrolo beliscava a pele do pescoço, constrangido ante aqueles rancores ruidosos que desmanchavam

o seu sossego. Já, por imposição de Gonçalo, rompera desconsoladamente com o

Cavaleiro. E agora antevia sempre uma bulha, um escândalo que o indisporia com os amigos do

Cavaleiro, lhe vedaria o Clube e as doçuras da Arcada, lhe tornaria Oliveira mais enfadonha que a

sua quinta da Ribeirinha ou da Murtosa, solidões detestadas. Não se conteve, arriscou o costumado

reparo:

— Ó Gonçalinho, olha que também todo esse espalhafato só por causa da política…

Gonçalo quase quebrou o jarro, na fúria com que o pousou sobre o mármore do lavatório:

— Política! Aí vens tu com a política! Por política não se atira água suja aos governadores civis.

Que ele não é político, é só malandro! Além disso…

Mas terminou por encolher os ombros, emudecer, diante do pobre bacoco de bochechas pasmadas,

que, naquelas rondas do Cavaleiro pelos Cunhais, só notava o ‘lindo cavalo’ ou ‘o caminho

mais curto para as Lousadas!…’

— Bem! — resumiu. — Agora larga, que me quero vestir… Do bigodeira me encarrego eu.

— Então, até logo… Mas se ele passar, nada de asneiras, hem?

— Só justiça, aos baldes!

E bateu com a porta nas costas resignadas do bom Barrolo que, pelo corredor, suspirando,

lamentava o assomado gênio do Gonçalinho, às cóleras desproporcionadas em que o lançava ‘a

política’.

Enquanto se ensaboava com veemência, depois se vestia numa pressa irada, Gonçalo ruminou

aquele intolerável escândalo. Fatalmente, apenas se apeava em Oliveira, encontrava o homem da

grande guedelha, caracolando por sob as janelas do palacete, na pileca de grandes clinas! E o que

o desolava era perceber no coração de Gracinha, pobre coração meigo e sem fortaleza, uma

teimosa raiz de ternura pelo Cavaleiro, bem enterrada, ainda vivaz, fácil de reflorir… E nenhum

outro sentimento forte que a defendesse, naquela ociosidade de Oliveira — nem superioridade do

marido, nem encanto dum filho no seu berço. Só a amparava o orgulho, certo respeito religioso

pelo nome de Ramires, o medo da pequena terra espreitada e mexeriqueira.”

QUEIROZ, Eça de. A ilustre casa de Ramires. São Paulo: Ática, 1997. p. 72.

Do fragmento, associado ao contexto da narrativa, pode-se concluir:

(01) Barrolo sente-se incomodado com a desavença entre Gonçalo e André, uma vez que

essa discórdia contraria seus interesses pessoais.

(02) Barrolo não é capaz de perceber o real motivo da “ronda” de Cavaleiro: o assédio a

Gracinha.

(04) Gracinha Ramires era possuidora de uma força moral que a protegeria de qualquer

investida do ex-amado.

(08) As Lousadas são as legítimas representantes de um comportamento mesquinho, provinciano,

caracterizador de certo segmento da sociedade portuguesa da época.

(16) As bases convencionadas em que se estrutura o casamento de Barrolo e Gracinha

explicam a fragilidade que caracteriza essa união.

(32) A atitude de Gonçalo de não ceder às imposições políticas para o reatamento da

antiga amizade com Cavaleiro haveria de preservar a honra dos Ramires.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

Texto para as questões 69 e 70.

“A enferma era uma senhora viúva, tísica, tinha uma filha de quinze ou de dezesseis anos, que

estava chorando à porta do quarto. A moça não era formosa, talvez nem tivesse graça; os cabelos

caíam-lhe despenteados, e as lágrimas faziam-lhe encarquilhar os olhos. Não obstante, o total falava

e cativava o coração. O vigário confessou a doente, deu-lhe a comunhão e os santos óleos. O pranto

da moça redobrou tanto que senti os meus olhos molhados e fugi. Vim para perto de uma janela.

Pobre criatura! A dor era comunicativa em si mesma; complicada da lembrança de minha mãe,

doeu-me mais, e, quando enfim pensei em Capitu, senti um ímpeto de soluçar também (…)

A imagem de Capitu ia comigo, e a minha imaginação, assim como lhe atribuíra lágrimas, há

pouco, assim lhe encheu a boca de riso agora; (…) As tochas acesas, tão lúgubres na ocasião,

tinham-me ares de um lustre nupcial… Que era lustre nupcial? Não sei; era alguma coisa contrário

à morte, e não vejo outra mais que bodas.”

69. Mackenzie-SP Considere as afirmações.

I. Na descrição da filha da viúva (segundo período), o narrador-personagem apresenta

um atitude romântica.

II. No fato narrado, o protagonista sobrepõe o mundo imaginário às circunstâncias objetivas

da realidade circundante.

III. O texto foi extraído de romance brasileiro da primeira metade do século XIX.

Assinale:

a) se todas estiverem corretas. d) se apenas I e III estiverem corretas.

b) se apenas II estiver correta. e) se todas estiverem incorretas.

c) se apenas II e III estiverem corretas.

70. Mackenzie-SP Assinale a alternativa que apresenta obras do mesmo estilo de época do

texto.

a) Senhora Quincas Borba São Bernardo.

b) Iracema – A moreninha Laços de família.

c) O Ateneu O mulato Amor de perdição.

d) O primo Basílio Vidas secas Memórias póstumas de Brás Cubas.

e) O primo Basílio Quincas Borba Memórias póstumas de Brás Cubas.

71.FGV-SP Podemos afirmar que na obra D. Casmurro, Machado de Assis

a) defende a tese de que o meio determina o homem porque descreve a personagem Capitu

desde o início como uma futura adúltera.

b) defende a tese determinista porque o meio em que Bentinho e Capitu vivem determina

a futura tragédia.

c) não defende a tese determinista, apontando antagonismo entre o meio e a tragédia final.

d) defende a tese determinista ao demonstrar a influência da educação religiosa na formação

de Capitu.

e) não defende a tese determinista de modo explícito porque não fica clara a relação entre

o meio e o fim trágico dos personagens.

72.UFGO Esaú e Jacó é uma prova da maturidade narrativa de Machado de Assis. O confronto

com outras obras de sua autoria permite detectar alguns elementos recorrentes na

narrativa machadiana. São eles:

( ) confissão de fatalismo, própria da filosofia positivista, desenvolvida também em

Quincas Borba.

( ) jogo montado sobre a oposição de caracteres dos dois gêmeos, Pedro e Paulo, semelhante

ao jogo estabelecido entre Capitu e Bentinho, em Dom Casmurro.

( ) atemporalidade em favor de uma filosofia do auto-conhecimento, resgatando a individualidade

das personagens, igualmente vista em O alienista.

( ) narrativa típica de “autor morto”, que reconstrói os fatos numa perspectiva privilegiada

em relação ao mundo dos vivos, à maneira de Brás Cubas, em suas Memórias póstumas.

O texto abaixo refere-se às questões 73 e 74:

“Trata-se, na verdade, de uma obra difusa, na qual eu, Brás Cubas, se adotei a forma livre de um

Sterne ou de um Xavier de Maistre, não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode ser.

Obra de finado. Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e não é difícil antever o que

poderá sair desse conúbio. Acresce que a gente grave achará no livro umas aparências de puro

romance, ao passo que a gente frívola não achará nele seu romance usual; ei-lo aí fica privado da

estima dos graves e do amor dos frívolos, que são as duas colunas máximas da opinião”.

73. FEI-SP Assinale a alternativa incorreta:

a) o autor justifica o tom pessimista da obra através da criação de um narrador defunto.

b) o prólogo insinua, ironicamente, que muitos leitores não compreenderiam o caráter

inovador do romance.

c) o prólogo diz que se trata de uma “obra de finado”, porque a primeira edição do romance

apareceu quando seu autor já havia falecido.

d) ao declarar que se tratava de uma “obra difusa”, o autor deseja prevenir os leitores

quanto à “forma livre” do romance.

e) no prólogo, o autor já emprega o estilo irônico que irá perpassar todo o romance.

74. FEI-SP As afirmações abaixo se referem a importantes romances da literatura brasileira.

Assinale a alternativa que descreve as características de Memórias Póstumas de Brás Cubras:

a) “O tom cáustico do livro o afasta muito dos exemplos nacionais de idealização romântica,

enquanto seu humorismo ziguezagueante e sua estrutura insólita impediram qualquer

identificação com os modelos naturalistas.” (José Guilherme Melquior)

b) “A leitura deste livro, que passa pelo primeiro romance naturalista brasileiro, dá uma

boa visão do meio maranhense do tempo.” (Alfredo Bosi)

c) “O livro é construído no encontro de lendas indígenas (…) e da vida brasileira quotidiana,

de mistura de lendas e tradições populares.” (Antonio Candido)

d) “O romance reflete uma visão otimista e complacente da realidade social: uma brisa de

amenidade atravessa-o de ponta a ponta, como se pessoas e objetos estivessem mergulhados

numa atmosfera ideal.” (Massaud Moisés)

e) “O livro é a primeira grande experiência de prosa modernista na ficção brasileira, procurando

romper as barreiras com a poesia.” (Antonio Candido)

75.UFMS Sobre o romance de Machado de Assis Dom Casmurro assinale a(s) alternativa(s)

correta(s).

(01) É um romance da fase realista do escritor, no qual as personagens são mostradas

superficialmente e a história é narrada em ordem cronológica linear.

(02) O personagem-narrador, Bentinho, pretende contar suas memórias ao leitor, através

de um livro, para espantar a monotonia.

(04) A expressão “olhos de ressaca”, utilizada na descrição de Capitu, significa que eram

olhos profundos e misteriosos como o mar, pois o narrador sentia que se afogava

neles e, ao mesmo tempo, não conseguia compreendê-los ou decifrá-los.

(08) José Dias, tio de Bentinho, é o personagem secundário utilizado pelo narrador para

revelar os costumes familiares do Rio de Janeiro em meados do século XIX.

(16) O ciúme de Bentinho, manifestado ainda na adolescência, acentua-se à medida que

Ezequiel fica, a cada dia, mais parecido com Escobar.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

76.U. F. Uberlândia-MG Ao final do último capítulo de Casa velha, o narrador fala para o

leitor:

“Compreendi que tudo estava acabado. Félix padeceu muito com esta notícia; mas nada

há eterno neste mundo, e ele próprio acabou casando com Sinhazinha. Se ele e Lalau foram

felizes, não sei; mas foram honestos, e basta”.

ASSIS, Machado de Casa velha.

Das características que se segue, assinale a que se relaciona com o texto acima.

a) Visão psicológica do narrador. c) Visão realista da vida.

b) Visão romântica de Félix. d) Visão positiva do homem.

77. F. I. de Vitória-ES Sobre a estrutura narrativa de Cinco Minutos e Memórias Póstumas de

Brás Cubas, é possível afirmar:

a) ambos têm como narrador o personagem principal e como narratário um personagem

secundário, dentro da narrativa.

b) ambos têm como narratário um personagem extradiegético, a “prima” em Cinco Minutos

e “o leitor”, em Memórias Póstumas de Brás Cubas.

c) em ambos, o tempo cronológico é mais importante do que o psicológico.

d) em ambos, o espaço geográfico, o Rio de Janeiro, é o determinante das ações dos personagens.

e) ambos têm como eixo temático central a desilusão amorosa do personagem-narrador.

78.U. F. Uberlândia-MG

“O melhor prólogo é o que contém menos cousas, ou o que as diz de um jeito obscuro e

truncado. (…) A obra em si mesmo é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não

agradar, pago-te com um piparote, e adeus”.

ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Sobre o fragmento acima, e considerando a obra como um todo, só NÃO se pode afirmar que:

a) o leitor é sempre alvo de humor e ironia por parte do narrador.

b) ao separar o prólogo da “obra em si mesmo”, Machado evita fazer nessa obra, uso da

metalinguagem.

c) no prólogo, o leitor é sutilmente avisado de que é preciso ler a obra atentamente.

d) a interlocução com o leitor é um elemento fundamental na obra de Machado de Assis.

79.UFMG Considerando-se o narrador de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado

de Assis, é INCORRETO afirmar que ele:

a) aborda, de forma humorística, os temas trágicos da morte e da loucura.

b) apresenta, por intermédio de Quincas Borba, o sistema filosófico denominado Humanitismo.

c) convoca freqüentemente o leitor a envolver-se na narrativa.

d) relata suas memórias, tendo como ponto de partida fatos decisivos de sua infância.

80.U. F. Viçosa-MG Dentre as citações extraídas da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas,

assinale aquela que NÃO traça um perfil psicológico do personagem:

a) “Nem as bichas de ouro, que trazia na véspera, lhe pendiam agora das orelhas, duas

orelhas finamente recortadas numa cabeça de ninfa. Um simples vestido branco, de

cassa, sem enfeites, tendo ao colo, um vez de broche, um botão de madrepérola, e outro

botão nos punhos, fechando as mangas, e nem sombra de pulseira.”

b) “Quem quer que fosse, porém, o pai, letrado ou hortelão, a verdade é que Marcela não

possuía a inocência rústica, e mal chegava a entender a moral do código. Era boa moça,

lépida, sem escrúpulos, um pouco tolhida pela austeridade do tempo […].”

c) “Bem diferente era o tio cônego […]. Não era homem que visse a parte substancial da

Igreja; via o lado externo, a hierarquia, as preeminências, as sobrepelizes, as circunflexões.

Vinha antes da sacristia que do altar.”

d) “Virgília era o travesseiro do meu espírito, um travesseiro mole, tépido, aromático,

enfronhado em cambraia e bruxelas. Era ali que ele costumava repousar de todas as

sensações más, simplesmente enfadonhas, ou até dolorosas.”

e) “Então apareceu o Lobo Neves, um homem que não era mais esbelto que eu, nem mais

elegante, nem mais lido, nem mais simpático, e todavia foi quem me arrebatou Virgília e

a candidatura, dentro de poucas semanas, com um ímpeto verdadeiramente cesariano.”

81.U. F. Uberlândia-MG Considerando a obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, é

correto afirmar que:

a) o narrador em terceira pessoa permite a exploração psicológica de um adultério tanto

por parte da adúltera, Capitu, quanto da vítima, Bentinho.

b) é uma narrativa ambígua porque mostra um retrato moral da esposa Capitu feito pelo próprio

marido Bentinho, de forma a não permitir que se saiba se o adultério de fato ocorreu.

c) Bentinho é semelhante a Otelo, de Shakespeare, que não tem coragem de se matar e

nem tem ódio e ciúme suficientes para assassinar a esposa.

d) a casa de Matacavalos refere-se à infância de Bentinho, enquanto a casa da Glória

refere-se à época de convivência com Capitu, que lhe trouxe felicidades.

82.U. Uberaba-MG Em relação ao romance Dom Casmurro é correto afirmar que:

a) O leitor, em razão da ambigüidade do narrar, permanece na incerteza do que aconteceu

e do que foi deturpado pelo ciúme.

b) Esta é, sem dúvida, uma narrativa ambígua, mas esta ambigüidade permanece apenas

até certo ponto da narrativa, porque o próprio personagem narrador confessa que interpretou

mal a realidade dos fatos.

c) Como neste romance há uma clara delimitação entre o que seja imaginário e realidade,

o leitor percebe de maneira clara o que é real e o que é deformado pelo ciúme.

d) A intriga do romance é de tal maneira construída que o leitor vacila em aceitar a culpabilidade

de Capitu. A hesitação só termina quando encontra no derradeiro capítulo a

evidência cabal de que Capitu foi uma adúltera.

83.U. F. Uberlândia-MG Considere a obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, e as afirmativas

que se seguem.

I. Dª Glória tentava impedir o casamento de Bentinho com Capitu, pois desejava que ele

se unisse a Sancha.

II. Bento Santiago não teve problemas em homenagear o amigo Escobar, por ocasião de

seu enterro, pois era seu melhor amigo.

III. A cena descrita no velório de Escobar (homens e mulheres chorando) é uma característica

do Romantismo presente em todo o Dom Casmurro — obra que tem como tema os

infelizes amores de Bentinho e Capitu.

IV. “Olhos de ressaca” — referência dada a Capitu — evidencia o seu poder de envolvimento

e o grande fascínio que ela exerce sobre Bentinho, tal qual as vagas do mar.

V. Apesar da suspeita de adultério, o amor consegue superar a desconfiança, fazendo com

que Bentinho se reconcilie com a família de Capitu.

Assinale:

a) Se apenas IV é correta. c) Se apenas III e V são corretas.

b) Se apenas I, II são corretas. d) Se apenas V é correta.

84.U. F. Uberlândia-MG Assinale a alternativa INCORRETA, considerando a leitura da

obra Dom Casmurro, de Machado de Assis.

a) A linguagem do narrador é utilizada para recriar objetivamente o mundo social e também

para refletir sobre o próprio ato de narrar.

b) A visão do passado que o narrador mostra constitui-se não só em uma interpretação dos

fatos como também na apresentação de provas contundentes do adultério de Capitu.

c) A ambigüidade existente na obra destaca a impossibilidade que uma pessoa tem de

explicar completamente outro ser humano.

d) O processo de construção literária de Machado de Assis revela-se, também, por um

conjunto de intertextos.

85. Uniube-MG Numere a 2ª coluna de acordo com a 1ª, considerando a leitura do texto Dom

Casmurro.

1. “Cheguei a ter ciúmes de tudo e de todos. Um vizinho, um par de valsa, qualquer homem,

moço ou maduro, me enchia de terror ou desconfiança.” (Cap. CXIII)

2. “Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada

do meu coração?” (Cap. CXLVIII)

3. “E bem, qualquer que seja a solução, uma coisa fica, e é a suma das sumas, ou o resto

dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos

ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganandome…

A terra lhes seja leve! Vamos à História dos Subúrbios.” (Cap. CXLVIII)

4. “Eu, leitor amigo, aceito a teoria do meu velho amigo Marcolini, não só pela verossimilhança,

que é muita vez toda a verdade, mas porque a minha vida se casa bem à definição.

Cantei um duo terníssimo, depois um trio, depois um quatuor. Mas não adientemos;

vamos à primeira parte, em que eu vim a saber que já cantava, porque a denúncia

de José Dias, meu caro leitor, foi dada principalmente a mim. A mim é que ele me

denunciou.” (Cap. X)

5. “É verdade que Capitu, que não sabia Escritura nem latim, decorou algumas palavras

(…). Quantos às de São Pedro, disse-me no dia que estava por tudo, que eu era a única

renda e o único enfeite que jamais poria em si. Ao que eu repliquei que minha esposa

teria sempre as mais finas rendas deste mundo.” (Cap. CI)

( ) Estilo machadiano

( ) Visão realista da vida

( ) Caráter de Bentinho

( ) Visão romântica do amor

A seqüência obtida é

a) 4 – 1 – 2 – 5

b) 3 – 4 – 2 – 1

c) 5 – 1 – 4 – 2

d) 4 – 3 – 1 – 2

GABARITO

REALISMO/

NATURALISMO

1. F-V-V-V

2. V-V-V-F-F

3. V-F-F-V

4. A

5. A

6. C

7. V-V-V-F-V

8. 28

9. 31

10.A

11.A

12. 07

13.D

14.D

15. 03

16.V-F-F-F

17.A

18. E

19.V-V-V-V-F-V

20.V-V-F-F-V-F

21. C

22. E

23. E

24.A

25.A

26.D

27. E

28.D

29. F-V-V-F-V

30.A

31. B

32. C

33. E

34. C

35.A

36. B

37. E

38. E

39. B

40. a) Serão aceitas respostas que, de algum modo, revelem as seguintes idéias: O comportamento

humano é determinado por forças biológicas (o instinto, a herança genética), sociológicas

e históricas. Os fatos psicológicos e sociais são vistos, pelo realismo-naturalismo,

como manifestações naturais e, portanto, nada tendo a ver com fenômenos transcedentais.

As circunstâncias externas determinam a natureza dos seres vivos, inclusive a do

homem. A realidade passa por um processo evolutivo, dentro de um sistema de leis naturais

totalmente definidas.

b) “Nesse momento parava à porta da rua uma carruagem. Era uma comissão de abolicionistas

que vinha, de casaca, trazer-lhe respeitosamente o diploma de sócio-benemérito.

Ele mandou que os conduzissem para a sala de visitas.”

41.B

42.B

43. E

44. E

45. B

46. B

47. C

48. C

49. E

50.B

51.

 

52. B

53.D

54.A

55.B

56.B

57.V-V-F-F-V

58. 90

59.C

60.B

61.D

62.D

63.A

64.A

65. E

66.C

67.A

68. 27

69.B

70. E

71.A

72. F-F-F-F

73.C

74.A

75. 22

76.C

77.B

78.B

79.D

80. D

81. C

82. A

83. B

84. B

85. D

PARNASIANISMO/

SIMBOLISMO

Texto para as questões 1 e 2:

“Profissão de Fé

Não quero o Zeus Capitolino,

Hercúleo e belo,

Talhar no mármore divino

Com o camartelo.

Que outro — não eu! — a pedra corte

Para, brutal,

Erguer de Atene o altivo porte

Descomunal.

Mais que esse vulto extraordinário,

Que assombra a vista,

Seduz-me um leve relicário

De fino artista.

Invejo o ourives quando escrevo:

Imito o amor

Com que ele, em ouro, o alto-relevo

Faz de uma flor.

Imito-o. E, pois, nem de Carrara

A pedra firo:

O alvo cristal, a pedra rara,

O ônix prefiro.

Por isso, corre, por servir-me,

Sobre o papel

A pena, como em prata firme

Corre o cinzel.

Corre; desenha, enfeita a imagem

A idéia veste:

Cinge-lhe o corpo a ampla roupagem

Azul-celeste.

Torce, aprimora, alteia, lima

A frase; e, enfim,

No verso de ouro engasta a rima,

Como um rubim.

Quero que a estrofe cristalina,

Dobrada ao jeito

Do ourives, saia da oficina

Sem um defeito:

E que o lavor do verso, acaso,

Por tão sutil,

Possa o lavor lembrar de um vaso

De Becerril.

E horas sem conta passo, mudo,

O olhar atento,

A trabalhar, longe de tudo

O pensamento.

…………………………”

Olavo Bilac.

2. UnB-DF Em relação ao texto, julgue os itens abaixo.

( ) A aproximação do trabalho do poeta com o do ourives, no poema Profissão de

Fé, justifica-se porque, no Parnasianismo, predominam a preocupação formal, a

perfeição técnica, a arte pela arte.

( ) Depreende-se da leitura do texto que “camartelo” (primeira estrofe) e “cinzel” (sexta

estrofe) são os artífices que trabalham o mármore e a prata, respectivamente.

( ) Na sexta, sétima e oitava estrofes, o sujeito de “desenha”, “enfeita”, “Torce”,

“aprimora”, “alteia”, “lima” e “engasta” é “A pena” (sexta estrofe).

( ) Na décima estrofe, há elipse da forma verbal “Quero”, utilizada na estrofe anterior.

2. UnB-DF Ainda com relação ao texto, é correto afirmar que:

( ) há predomínio do sentimento sobre a razão.

( ) o processo de criação artística prima pela liberdade formal quanto à extensão dos

versos e da rima.

( ) o poeta apresenta-se como trabalhador solitário e dedicado.

( ) o poema incorpora, pela seleção vocabular, elementos da linguagem coloquial oral.

Texto para as questões de 3 a 5:

“MÚSICA BRASILEIRA

Olavo Bilac

Tens, às vezes, o fogo soberano

Do amor: encerras na cadência, acesa

Em que requebros e encantos de impureza,

Todo o feitiço do pecado humano.

Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza

Dos desertos, das matas e do oceano:

Bárbara poracé, banzo africano,

E soluços de trova portuguesa.

És samba e jongo, chiba e fado, cujos

Acordes são desejos e orfandades

De selvagens, cativos e marujos:

E em nostalgias e paixões consistes.

Lasciva dor, beijo de três saudades,

Flor amorosa de três raças tristes.”

3. AEU-DF Julgue os itens seguintes, em relação à semântica e à estilística.

( ) O poeta personaliza a música e mantém com ela uma espécie de diálogo em que a

trata por “tu”.

( ) Termos como “impureza” (l. 3), “feitiço” (l. 4), “pecado” (l. 4) e “volúpia” (l. 6)

remetem a um mesmo campo semântico, no texto.

( ) Por “samba e jongo” (l. 11) entendemos a música portuguesa, enquanto a africana

está representada por “chiba e fado” (l. 11).

( ) Relacionamos “selvagens, cativos e marujos” (l. 13) a índios, portugueses e africanos,

respectivamente, nesta ordem.

( ) Os termos “nostalgias” (l. 15) e “saudades” (l. 16) são semanticamente equivalentes

no texto.

4. AEU-DF Julgue os itens abaixo em relação à compreensão e à interpretação do texto.

( ) Olavo Bilac inicia o poema aludindo ao erotismo desencadeado pelos movimentos

rítmicos da música na coreografia e na dança.

( ) Justifica o autor a riqueza de nossa música pelo caldeamento de ritmos oriundos de várias

e variadas culturas.

( ) Contudo, sua visão de música brasileira é pobre e unilateral, porque vislumbra nela apenas

a melancolia.

( ) O poeta estende à natureza esse sentimento de tristeza advinda da distância da terra

natal e da saudade dos que ficaram ou morreram.

5. AEU-DF Julgue os itens que vêm a seguir, em relação aos estilos de época na Literatura

Brasileira.

( ) O texto lido exemplifica a preocupação formal presente nos poemas parnasianos.

( ) No Parnasianismo, Olavo Bilac pontificou ao lado de eminentes vates como Alberto

de Oliveira, Raimundo Correia e Vicente de Carvalho.

( ) Em Música Brasileira, Bilac alia profundo lirismo e nítida destreza técnica, que já

apontam para o Simbolismo, movimento literário que sucederia o Parnasianismo,

pela musicalidade das assonâncias e aliterações apresentadas.

( ) Contudo, foi o Parnasianismo, pelo seu ardor entusiástico e eloqüente, o estilo de época que

mais fielmente expressou o intimismo e o sentimento brasileiro.

Texto para a questão 6:

“Solar Encantado

Só, dominando no alto a alpestre serrania,

Entre alcantis, e ao pé de um rio majestoso,

Dorme quedo na névoa o solar misterioso,

Encerrado no horror de uma lenda sombria.

Ouve-se à noite, em torno, um clamor lamentoso,

Piam aves de agouro, estruge a ventania,

E brilhando no chão por sobre a selva fria,

Correm chamas sutis de um fulgor nebuloso.

Dentro um luxo funéreo. O silêncio por tudo…

Apenas, alta noite, uma sombra de leve

Agita-se a tremer nas trevas de veludo…

Ouve-se, acaso, então, vaguíssimo suspiro,

E na sala, espalhando um clarão cor de neve,

Resvala como um sopro o vulto de um vampiro.”

SILVA, Vítor. In: RAMOS, P. E. da Silva. Poesia parnasiana – antologia. São Paulo: Melhoramentos, 1967, p. 245.

6. Vunesp Tendo em mente que Vítor Silva foi poeta parnasiano quando o Simbolismo ou

Decadentismo já começava a ser exercitado em nosso país, e por isso recebeu algumas

influências do novo movimento, leia o poema Solar Encantado e, em seguida,

a) mencione duas características tipicamente parnasianas do poema;

b) identifique elementos do poema que denunciam certa influência simbolista.

7. UFMS Assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

(01) Em Broquéis, predominam imagens que, a cada leitura, compõem um novo “desenho”,

sugerindo uma constante busca pela renovação da expressão poética.

(02) Um dos temas prediletos dos simbolistas era a sugestão por meio das palavras, criando

um universo onde os elementos não eram nomeados objetivamente. O tema da

sugestão pode ser vislumbrado na estrofe a seguir, pertencente ao livro de poemas

Broquéis: “Sangue coalhado, congelado, frio, / Espasmado nas veias… / Pesadelo

sinistro de algum rio? De sinistras sereias…”

(04) Os poemas que compõem Matéria de poesia apresentam-se ao leitor como fotografias

realistas da paisagem. Esse realismo advém da precisão de detalhes e das cores

com que o poeta “pinta” os pássaros, as flores, as árvores e os animais que povoam o

Pantanal sul-mato-grossense, enquanto espaço da poesia de Manoel de Barros.

(08) Em Matéria de poesia, observa-se uma libertação do poeta em relação aos temas

literários tradicionais. Apesar dos traços de lirismo que perpassam seus versos, o

escritor apresenta uma nova ordem poética que reflete as rupturas características da

literatura contemporânea.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

Texto para as questões 8 e 9:

“Ficávamos sonhando horas inteiras,

Com os olhos cheios de visões piedosas:

Éramos duas virginais palmeiras,

Abrindo ao céu as palmas silenciosas.

As nossas almas, brancas, forasteiras,

No éter sublime alavam-se radiosas.

Ao redor de nós dois, quantas roseiras…

O áureo poente coroava-nos de rosas.

Era um arpejo de harpa todo o espaço:

Mirava-a longamente, traço a traço,

No seu fulgor de arcanjo proibido.

Surgia a lua, além, toda de cera…

Ai como suave então me parecera

A voz do amor que eu nunca tinha ouvido!”

Alphonsus de Guimaraens.

8. Mackenzie-SP Assinale a alternativa correta.

a) Os versos 3 e 4 expressam, por meio de metáforas, a desistência da busca de alturas.

b) No último verso, uma vírgula depois de amor mantém o sentido inalterado.

c) Na segunda estrofe, nomes e verbos representam um mundo carnal.

d) No verso 8, há a sugestão do tempo da cena por meio do sujeito sintático.

e) Os versos 9 e 12 apresentam sujeito anteposto ao verbo.

9. Mackenzie-SP O texto exemplifica o seguinte princípio estético:

a) Sempre haverá uma poesia popular sem arte, e poetas populares sem apuro gramatical

e métrico, versejando com o falar da gente rústica.

b) … jamais se deve arriscar o emprego de qualquer locução ambígua; sigo, como de

costume, na esteira de Quintiliano (…)

c) Movimento de oposição à ordem estabelecida do Iluminismo, reúne um grupo de escritores

para o qual o “gênio” se torna a palavra de ordem capaz de possibilitar a rejeição

à disciplina e à tradição importada.

d) A busca de vagas sensações, dos estados indefinidos de alma, fazendo que a poesia se

aproxime da música, tem como intuito “traduzir” um mundo de essências, um mais

além, ora conhecido como o Ideal, ora como o Mistério, intraduzível por si mesmo.

e) Porém declaro desde já que não olhei regras nem princípios, que não consultei Horácio

nem Aristóteles, mas fui insensivelmente depós o coração e os sentimentos da Natureza,

que não pelos cálculos da arte e operações combinadas do espírito.

10.UFMS Com base na leitura do livro de poemas Broquéis, de Cruz e Sousa, assinale a(s)

alternativa(s) correta(s).

(01) Nos versos:

“Do imenso Mar maravilhoso, amargos,

Marulhosos murmurem compungentes,

Cânticos virgens de emoções latentes”,

encontra-se a presença da sinestesia, no cruzamento entre as percepções do paladar e

da audição, além da aliteração, consubstanciada na repetição do fonema /m/.

(02) O objeto “broquel” — um escudo antigo, pequeno e redondo — simboliza proteção

e, como os demais objetos que surgem nos versos que compõem a obra em questão,

não remete a um único significado, mas a uma rede de sugestões e associações.

(04) Os temas abrangidos nos poemas de Broquéis são variados: sensualidade, religiosidade,

misticismo, morte, melancolia, dentre outros.

(08) Nos poemas de Broquéis, sobressaem algumas figuras de estilo, como aliterações,

sinestesias, comparações: a ênfase ao uso da cor branca e à luminosidade, além de

um forte apelo musical.

(16) Nos versos:

“Ela apresenta a fluidez, a leve

Ondulação da vaporosa lua”,

ocorre aliteração, configurada na repetição do fonema /l/, reforçando a musicalidade.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

11. Univali-SC Os textos a seguir dão apoio à formulação da questão. Leia-os atentamente.

Texto 1:

“Quero que a estrofe cristalina

Dobrada ao jeito

Do ourives, saia da oficina

Sem um defeito:

Assim procedo. Minha pena

Segue esta norma,

Por te servir, Deusa serena,

Serena Forma!”

Texto 2:

“Noite ainda, quando ela me pedia

Entre dois beijos que me fosse embora,

Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:

‘Espera ao menos que desperte a aurora!

Tua alcova é cheirosa como um ninho…

E olha que escuridão há lá por fora!’

Os dois textos, pertencentes ao mesmo poeta, têm como característica, respectivamente:

a) Texto 1: impassibilidade

Texto 2: amor não realizado

São textos de Gonçalves Dias, poeta árcade;

b) Texto 1: perfeição formal

Texto 2; erotismo

São textos de Olavo Bilac, autor do Parnasianismo;

c) Texto 1: paganismo

Texto 2: concepção do amor mais carnal e erótico

São textos de Castro Alves, poeta do Ultra-Romantismo;

d) Texto 1: religiosidade

Texto 2: valorização do aspecto carnal do amor

São textos de Gregório de Matos Guerra, autor do período barroco;

e) Texto 1: poesia de caráter religioso

Texto 2: arrependimento e ansiedade

São textos de Tomás Antônio Gonzaga, poeta simbolista.

INSTRUÇÃO: Para responder à questão 12, ler o texto que segue.

“(…)

E horas sem conta passo, mudo,

O olhar atento,

A trabalhar, longe de tudo

O pensamento.

Porque o escrever — tanta perícia,

Tanta requer,

Que ofício tal … nem há notícia

De outro qualquer.

Assim procedo. Minha pena

Segue esta norma,

Por te servir, Deusa serena,

Serena forma

(…)”

12. PUC-RS O poema ………, de ………, oferece uma visão acerca do fazer poético que

dista dos propósitos verificados em Machado de Assis, o qual buscou o uso da pena no

sentido de desvendar os mistérios contidos no ser humano. O texto em questão exemplifica

uma das características mais marcantes do Parnasianismo, que é ……… .

a) Versos e rimas Alberto de Oliveira a descrição objetiva

b) Plenilúnio Raimundo Correia o artesanato do verso

c) Antífona Fagundes Varela o irracionalismo e mistério

d) Profissão de fé Olavo Bilac o culto à forma

e) A catedral Casimiro de Abreu o platonismo místico

13. PUC-RS No final do século XIX, reagindo contra os princípios positivistas e cientificistas,

poetas como ……… e ……… retomam, de certa forma, alguns valores ……… .

a) Cruz e Sousa Álvares de Azevedo românticos

b) Alphonsus de Guimaraens Gonçalves Dias realistas

c) Cruz e Sousa Alphonsus de Guimaraens simbolistas

d) Alphonsus de Guimaraens Cruz e Sousa românticos

e) Álvares de Azevedo Gonçalves Dias realistas

14.UFMS Leia atentamente o soneto a seguir, extraído de Broquéis, de Cruz e Sousa.

“Dança do ventre

Sorva, febril, torcicolosamente,

numa espiral de elétricos volteios,

na cabeça, nos olhos e nos seios

fluíam-lhe os venenos da serpente.

Ah! Que agonia tenebrosa e ardente!

que convulsões, que lúbricos anseios,

quanta volúpia e quantos bamboleios,

que brusco e horrível sensualismo quente.

O ventre, em pinchos, empinava todo

como réptil abjeto sobre o lodo,

espolinhando e retorcido em fúria.

Era a dança macabra e multiforme

de um verme estranho, colossal, enorme,

do demônio sangrento da luxúria!”

Considerando os versos acima, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

(01) No primeiro verso, o poeta cria um neologismo — a palavra “torcicolosamente”

para retratar mais fielmente os movimentos da dançarina, propiciando ao leitor a

chance de perceber a realidade sob um novo ângulo.

(02) Na estrutura do texto, percebe-se que o poeta não utiliza com freqüência o dinamismo

dos verbos, procurando produzir uma atmosfera erótica pelo uso das comparações

e analogias.

(04) Os substantivos e adjetivos utilizados pelo poeta procuram ordenar a realidade plástica

da cena, na expectativa de oferecer ao leitor uma percepção perfeita da realidade.

(08) Existe, no soneto, um tom abstrato que projeta o leitor para zonas do inconsciente,

sugerindo-lhe um espaço de romantismo e magia.

(16) O poeta rende tributos, ainda, a uma herança parnasiana, utilizando, como expressão

poética, o soneto.

(32) As metáforas “serpente”, “réptil” e “verme” se contrapõem à atmosfera erótica que

perpassa o soneto, deixando no leitor uma impressão inconclusa, oscilante entre a

exaltação e a degradação da dançarina.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

15.U. F. Viçosa-MG Considere as afirmativas abaixo, relativas ao Simbolismo:

I. No plano temático, o Simbolismo foi marcado pelo mistério e pela inquietação mística

com problemas transcendentais do homem. No plano formal, caracterizou-se pela

musicalidade e certa quebra no ritmo do verso, precursora do verso livre do modernismo.

II. O Simbolismo, surgido contemporaneamente ao materialismo cientificista, enquanto

atitude de espírito, passou ao largo dos maiores problemas da vida nacional. Já a

literatura realista-naturalista acompanhou fielmente os modos de pensar das gerações

que fizeram e viveram a Primeira República.

III. O Simbolismo, com Cruz e Souza e Alphonsus de Guimarães, nossos maiores poetas do

período, legou-nos uma produção poética que se caracterizou pela busca da “arte pela arte”,

isto é, uma preocupação com o verso artesanal, friamente moldado. Devido a essa tendência

à objetividade na composição, o movimento também se denominou “decadentista”.

Assinale a alternativa correta:

a) I é falsa; II e II, verdadeiras. d) I, II e III são verdadeiras.

b) I e III são falsas; II, verdadeira. e) I e II são verdadeiras; III, falsa.

c) I é verdadeira; II e III, falsas.

16.UFMS Broquéis (1893), de Cruz e Sousa, introduziu o Simbolismo no Brasil. Com base

na leitura dessa obra, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

(01) Em Broquéis, é exclusivamente a dor de ser negro que se exprime nos poemas.

(02) “Espiritualizai nos Astros loucos,

Do sol entre os clarões imorredouros

Toda esta dor que na minh’alma clama…

Quero vê-la subir, ficar cantando

Na chama das Estrelas, dardejando

Nas luminosas sensações da chama.”

As estrofes acima, que compõem os tercetos finais do soneto “Supremo Desejo”, situamse

num ponto intermediário entre a carnalidade e a espiritualidade, anunciando a ascensão

definitiva ao estágio espiritual.

(04) A alegoria das cores é um dos traços estilísticos mais importantes de Broquéis. A

freqüência das referências ao azul é particularmente intensa nesse livro, superando

mesmo a presença da cor branca, e pode ser associada à exaltação da mulher amada

exposta em um nicho de altar, como uma santa.

(08) Nos poemas de Broquéis, a concepção platônica e contemplativa do Amor se harmoniza

com a musicalidade e a transparência luminosa das imagens criadas pelo poeta,

fazendo crer que o Amor pode ser associado à claridade e às nuanças da luz.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

17. UFR-RJ (...) “– Só tomando distância, escrevendo e reescrevendo, relacionando e burilando

você faria isto [um bom poema].” Essa fala revela uma concepção de texto literário

compatível com a dos poetas:

a) românticos. d) árcades.

b) parnasianos. e) barrocos.

c) simbolistas.

18.UFSM Assinale a alternativa que indica o período literário que nega o cientificismo, o materialismo

e o racionalismo, valorizando, em contrapartida, as formas vagas e espirituais.

a) Barroco. d) Romantismo.

b) Modernismo. e) Arcadismo.

c) Simbolismo.

19.U. Uberaba-MG Leia com atenção os fragmentos a seguir:

I

“Esta, de áureos relevos trabalhada

De divas mãos, brilhante copa, um dia,

Já de aos deuses servir como cansada,

Vinda do Olimpo, a um novo Deus servia.”

II

“A música da morte, a nebulosa,

A estranha, imensa música sombria

passa a tremer pela minh’alma e fria

gela, fica a tremer, maravilhosa...”

Assinale a alternativa em que aparecem características relacionadas, respectivamente,

aos fragmentos I e II.

a) Busca do vago e do diáfano / Palavras que despertam impressões sensoriais.

b) Cultivo da perfeição formal / Linguagem marcada pela objetividade temática.

c) Busca de um tema ligado à Grécia antiga / Registro da realidade de maneira simbólica.

d) Forma requintada, linguagem sugestiva / Descrição minuciosa de um objeto.

INSTRUÇÃO: Para responder à questão 20, ler o texto que segue.

“Tu artista, com zelo,

Esmerilha e investiga!

Níssia, o melhor modelo

Vivo, oferece, da beleza antiga.

Para esculpi-la, em vão, árduos, no meio

De esbraseada arena,

Batem-se, quebram-se em fatal torneio,

Pincel, lápis, buril, cinzel e pena.

[...]”

20. PUC-RS O trecho evidencia tendências _________, na medida em que _________ o rigor

formal e utiliza-se de imagens ________.

a) românticas neutraliza abstratas

b) simbolistas valoriza concretas

c) parnasianas exalta mitológicas

d) simbolistas busca cotidianas

e) parnasianas evita prosaicas

21.UFRS

“Quero que a estrofe cristalina,

Dobrada ao jeito

De ourives, saia da oficina

Sem um defeito

(...)”

Os versos do poema Profissão de fé, de Olavo Bilac, remetem ao:

a) Simbolismo. d) Parnasianismo.

b) Modernismo. e) Pré-modernismo.

c) Romantismo.

22. Univali-SC

“EXPLORAÇÃO ESPACIAL

Com os avanços tecnológicos desvendamos a natureza dos corpos celestes, mas o mistério das

noites estreladas continua. O céu nos fascina. Acreditava-se que era a morada dos deuses, e com

isso surgiram lendas e mitos que povoaram o imaginário humano durante séculos. O mundo

celeste era estudado somente pela astrologia, e ligado aos rituais mágicos, seu conhecimento

pertencia à classe sacerdotal, sendo considerado secreto. Esta ligação com a mitologia pode ser

observada através dos atuais nomes dos planetas e estrelas, oriundos das mitologias gregas e

romanas.”

In: Revista Sapiens, n. 1.

Na Literatura, podemos observar, através dos tempos, um constante retorno às origens

clássicas. Uma escola, em especial, retomou a mitologia grega como fonte de inspiração

para a denominação do movimento. Assinale a alternativa que denomina o período literário,

uma de suas características e um de seus autores:

a) Arcadismo – adoção de pseudônimos – Olavo Bilac;

b) Barroco – presença constante de antíteses – Gregório de Matos;

c) Simbolismo – culto do mistério – João da Cruz e Sousa;

d) Parnasianismo – perfeição da forma – Raimundo Correia;

e) Naturalismo – ênfase nos aspectos mórbidos da natureza humana – Aluísio Azevedo.

INSTRUÇÃO: Para responder à questão 23 ler o texto que segue.

“Vila Rica

O ouro fulvo do ocaso as velhas casas cobre;

Sangram, em laivos de ouro, as minas, que a ambição

Na torturada entranha abriu da terra nobre:

E cada cicatriz brilha como brasão.

[...]

Como uma procissão espectral que se move...

Dobra o sino... Soluça um verso de Dirceu...

Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove.”

23. PUC-RS O poema, pertencente ao autor de “Profissão de Fé”, não segue rigidamente o

padrão _________ no que se refere à _______.

a) romântico idealização do mundo

b) simbolista busca do eu profundo

c) parnasiano alienação dos problemas sociais

d) simbolista inteligibilidade sintática

e) parnasiano sonoridade dos versos

24. Univali-SC Observe as considerações:

I. Adotando uma postura anti-romântica, baseava-se no binômio objetividade temática/culto

da forma. Buscava atingir a impassibilidade e a impessoalidade.

II. Os poetas seguem os modelos clássicos gregos e latinos e, inspirados na frase de

Horário, fugere urbem (fugir da cidade), voltam-se para a natureza em busca de uma

vida simples. Tinham também por objetivo viver o presente, “gozar o dia”.

As afirmativas acima exprimem, respectiva e sucessivamente, características do:

a) Parnasianismo – Arcadismo. d) Modernismo – Arcadismo.

b) Arcadismo – Parnasianismo. e) Realismo – Parnasianismo.

c) Parnasianismo – Realismo.

INSTRUÇÃO: A questão de número 25 refere-se ao texto abaixo.

“Eras a glória, — a inspiração, — a pátria,

O porvir de teu pai! – Ah! no entanto,

Pomba, — varou-te a flecha do destino!

Astro, — engoliu-te o temporal do norte!

Teto, caíste! – Crença, já não vives! (...)”

MOISÉS, Massaud. A literatura brasileira através dos textos. 20 ed. Revista e aumentada. São Paulo: Cultrix, 1999. p. 178.

25.U. Caxias do Sul-RS O fragmento acima pertence ao poema Cântico do Calvário, de

Fagundes Varela. Nele se reconhecem aspectos altissonantes, semelhantes à obra de:

a) Álvares de Azevedo. d) Junqueira Freire.

b) Casimiro de Abreu. e) Gonçalves Dias.

c) Castro Alves.

26.U. Caxias do Sul-RS Assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas.

O Simbolismo inicia como uma reação ao ________ e suas manifestações. A nova estética

nega o _________, valorizando, em contrapartida, as manifestações ____________.

a) Arcadismo racionalismo subjetivas

b) Parnasianismo cientificismo espirituais

c) Modernismo materialismo religiosas

d) Impressionismo objetivismo subjetivas

e) Romantismo subjetivismo nacionais

27. Univali-SC

“ANTÍFONA

Ó Formas alvas, brancas, Formas claras

De luares, de neves, de neblinas!...

Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...

Incensos dos turíbulos das aras...

Formas de Amor, constelarmente puras,

De Virgens e de Santas vaporosas...

Brilhos errantes, mádidas frescuras

E dolências de lírios e de rosas...”

O poema “Antífona”, do poeta Cruz e Sousa, apresenta as seguintes características do

movimento simbolista:

a) expressões vagas e insólitas; sinestesias; musicalidade.

b) subjetivismo; evasão no tempo; ilogismo.

c) arte pela arte; preocupação com a forma; rimas ricas.

d) objetivismo; espiritualismo; musicalidade.

e) iniciais maiúsculas; sugestão; verso livre.

28.UFRS

“(...)

Vozes veladas, veludosas vozes,

Volúpias dos violões, vozes veladas,

Vagam nos velhos vórtices velozes

Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

(...)”

Este quarteto retirado do poema Violões que choram..., de Cruz e Sousa, permite que se

identifiquem algumas características da estética literária a que pertencem.

Então, é correto afirmar que:

a) o Simbolismo Brasileiro foi marcado por um intenso trabalho com a musicalidade,

expressa especialmente pela assonância e pela aliteração.

b) a poesia simbolista, no Brasil, deixou-se impregnar pela busca de temas ligados à identidade

nacional.

c) Cruz e Sousa foi poeta diretamente vinculado a preocupações cientificistas da existência

humana.

d) no Brasil, o simbolismo serviu de respaldo para uma poesia de extração social, em

especial no que tange às classes mais humildes.

e) um dos grandes argumentos da poesia simbolista de Cruz e Sousa foi o resgate de uma

cultura popular de origem ibérica.

29. UFRS Leia o poema Siderações, de Cruz e Sousa.

“Para as estrelas de cristais gelados

As ânsias e os desejos vão subindo,

Galgando azuis e siderais noivados,

De nuvens brancas a amplidão vestindo...

Num cortejo de cânticos alados

Os arcanjos, as cítaras ferindo,

Passam, das vestes nos troféus prateados,

As asas de ouro finamente abrindo...

Dos etéreos turíbulos de neve

Claro incenso aromal, límpido e leve,

Ondas nevoentas de visões levanta...

E as ânsias e desejos infinitos

Vão com os arcanjos formulando ritos

Da eternidade que nos astros canta...”

A respeito do poema, é correto afirmar que:

a) o poeta idealiza seus desejos, projetando-os para uma instância inatingível.

b) o poema emprega descrições nítidas que garantem uma compreensão exata dos versos.

c) o poeta expõe a sua avaliação sobre a realidade objetiva, utilizando imagens da natureza

em linguagem precisa e direta.

d) o poema, em forma de epigrama, traduz uma visão materialista do amor e da sensualidade.

e) se trata da descrição de fantasias e alucinações apresentadas nos moldes de ficção científica.

30. Univali-SC O texto seguinte se refere ao final do século XIX, época que viu surgir o

Simbolismo no Brasil.

“Singulares criaturas devem nascer por este fim de século, em que a metafísica de novo

predomina e a asa do sonho outra vez toca os espíritos, deixando-os alheados e absortos. A

necessidade do desconhecido de novo se estabelece. A ciência, que por vezes arrastara a humanidade,

que a supunha capaz de ir ao fim — bateu num grande muro e parou. Que importam o

princípio e o fim?”

In: MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa.

Aponte a alternativa que apresenta, relativamente ao período citado, uma característica,

uma obra e seu respectivo autor:

a) Preferência por ambientes místicos e exóticos, melancolia, musicalidade.

“A relíquia”

João da Cruz e Sousa;

b) Linguagem científica, explorando as temáticas da decomposição, da podridão e dos

terrores noturnos.

“Eu”

Augusto dos Anjos;

c) Musicalidade, subjetivismo, religiosidade, emprego da sinestesia.

“Dona Mística”

Alphonsus de Guimaraens;

d) Misticismo e espiritualismo, musicalidade, pessimismo, melancolia.

“Faróis”

João da Cruz e Sousa;

e) Perfeição da forma, musicalidade, expressão da realidade de maneira vaga, imprecisa.

“Ardentias”

Alphonsus de Guimaraens.

LÍNGUA PORTUGUESA

PARNASIANISMO/

SIMBOLISMO

1. V-F-V-F

2. F-F-V-F

3. V-V-F-F-V

4. V-V-F-V

5. V-V-V-F

6. a) Poderiam ser citadas as seguintes características parnasianas presentes no poema:

— Preferência pelo soneto;

— Uso de versos do decassílabos;

— Rigor formal (rítmico e métrico);

— Poesia descritivista.

b) Uso da sinestesia, referência ao vago e nebuloso, presença de elementos sensitivos

(audição, tato, visão) e tema relacionado à morte.

7. 11

8. D

9. D

10. 31

11.B

12.D

13.D

14. 55

15. B

16. 10

17. B

18.C

19. C

20. C

21. D

22. D

23. C

24. A

25. D

26. B

27. A

28. A

29. A

30.D

PRÉ-MODERNISMO/

MODERNISMO

1. UEMS Em Morte e Vida Severina, a obra mais popular da produção de João Cabral de

Melo Neto, o autor compõe um Auto de Natal Pernambucano. Considerando a leitura

dessa obra, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

(01) Em Morte e Vida Severina, enfatizam-se a decadência histórica dos engenhos, substituídos

pelas usinas, e a conseqüente expulsão dos trabalhadores da zona rural para a cidade.

(02) O adjetivo “severina”, que acompanha o itinerário de vida e morte do sertanejo, é

resultado da coisificação do nome próprio Severino, passando a representar todos os

retirantes que morrem “de velhice antes dos trinta, / de emboscada antes dos vinte, /

de fome um pouco por dia.”.

(04) O clímax do drama de Severino é atingido quando o personagem, já sem esperanças,

decide suicidar-se no rio Capibaribe. Há um aprofundamento desse clímax quando Severino

dialoga com seu José, morador de um dos mocambos entre o cais e a água do rio, e o

diálogo é interrompido por uma mulher que anuncia: “Compadre José, compadre, / que

na relva estais deitado: / conversais e não sabeis / que vosso filho é chegado?”.

(08) A criança que nasce no mangue não é uma criança qualquer, ela levará uma existência

diferente daquela vivida por seu pai, sem sofrimento, e que ultrapassará sua origem

“severina”. Isto é o que afirma uma das ciganas: “trago papel de jornal / para

lhe servir de cobertor; / cobrindo-se assim de letras / vai um dia ser doutor.”.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

2. UnB-DF

“Psicanálise do açúcar

O açúcar cristal, ou açúcar de usina,

mostra a mais instável das brancuras:

quem do Recife sabe direito o quanto,

e o pouco desse quanto, que ela dura.

Sabe o mínimo do pouco que o cristal

se estabiliza cristal sobre o açúcar,

por cima do fundo antigo, de mascavo,

do mascavo barrento que se incuba;

e sabe que tudo pode romper o mínimo

em que o cristal é capaz de censura:

pois o tal fundo mascavo logo aflora

quer inverno ou verão mele o açúcar.”

MELO NETO, João Cabral de. Obras completas.

Julgue os itens que se seguem, relativos ao poema acima.

( ) A partir do poema, pode-se associar o processamento da cana, em especial o branqueamento

do açúcar, à tendência de mascaramento da natureza humana por imposições

sociais.

( ) a partir do verso 5, o poeta utiliza os vocábulos “cristal” e “mascavo” para denotar,

respectivamente, as etnias branca e negra que trabalham na lavoura açucareira, valorizando

o segmento simbolizado pelo cristal.

( ) Contrariando a tradição modernista, mais especificamente cabralina, esse poema lírico

apresenta um esquema regular e constante de sílabas e rimas.

( ) Em “o cristal é capaz de censura” (v.10), verifica-se que esse poema apresenta traços

do Surrealismo, terceira fase do Modernismo literário brasileiro.

3. UEMS A respeito do romance São Bernardo, de Graciliano Ramos, é correto afirmar que:

a) Escrito em terceira pessoa, este romance se prende à análise do mundo exterior.

b) Produzido na primeira fase do Modernismo, é um dos pontos altos de nossa literatura.

c) Em São Bernardo, livro de estréia de Graciliano Ramos, a nota de regionalismo encontra-

se em primeiro plano.

d) São Bernardo representa um mergulho do escritor na alma humana com o propósito de

desvendá-la.

e) A obra inaugurou a tendência regionalista na década de 20.

Texto para a questão 4:

“O trabalho era duro. De picareta na mão, cavando terra, no serviço puxado com os companheiros

acostumados fazendo as coisas na maciota, conversando uns com os outros. Parecia o

eito do Santa Rosa. O feitor estava tomando conta, os cabras de pés no chão, e a terra na frente,

a tarefa dura para tirar. Criou calos nas mãos. E o sol queimava-lhe as costas, um sol como o da

ilha. Os primeiros dias foram difíceis, mas aos poucos foi se acostumando. Os homens falavam da

vida de cada um. E riam-se alto das troças, das pilhérias que tiravam. Botavam apelidos, falavam

de mulheres, de episódios, de amores, de desgraça dos outros. A vida para eles era as noites que

eles tinham para gozar e os domingos e os dias santos em que se espichavam pelas portas dos

mocambos quando não se davam às mulheres, à cachaça, aos folguedos dos ensaios para os

grandes dias do carnaval. Ricardo levou dias sem fazer conhecimento que fosse mais ligado.

Chegava para o serviço e saía para casa como entrara a primeira vez. Terminou porém entrando

na conversa dos companheiros, embora pouco tivesse para contar. Pouco sabia para fazer os

outros abrir em gargalhada enquanto a picareta tinia na terra dura. Estavam construindo o leito

da linha para os bondes que vinham substituir as maxambombas, os trens que davam àqueles

caminhos de Beberibe um sinal de vida mais humana, com os seus apitos saudosos e aquele ir e vir

de comboios compridos, com horas certas, com passageiros que tiravam prosas, que se familiarizavam.

Viriam os bondes amarelos, parando de poste em poste. A Encruzilhada já se despojara de

seus trens. E agora chegava a vez de Beberibe. Com pouco as maxambombas ficariam lá para as

oficinas encostadas. Muitas seriam vendidas para as usinas. Iriam apitar pelos canaviais, pelas

ingazeiras, pelas cajazeiras, arrastando cana para as esteiras.”

REGO, José Lins do. O moleque Ricardo. Rio de Janeiro: INL/MEC, 1980, p. 28-9.

4. UnB-DF Julgue os itens abaixo, relativos ao texto e à literatura brasileira.

( ) O texto é construído pelo foco narrativo de primeira pessoa, em que uma personagem

revela seus pensamentos, suas lembranças, seus sentimentos e suas sensações.

( ) As informações do texto comprovam que a literatura neo-realista produzida pelo romance

regionalista reflete a realidade da sua época, constituindo também uma forma

de documento que registra os costumes e o contexto social e econômico do período

que focaliza.

( ) A obra de José Lins do Rego abrange a decadência da economia dos engenhos de

cana-de-açúcar, o cangaço, o misticismo, a exploração do trabalhador rural e a seca,

configurando uma prosa regionalista nitidamente pertencente ao que se costuma chamar

de romance social nordestino, cujo marco inaugural é A Bagaceira, de José

Américo de Almeida.

( ) No texto, a enumeração de ações exemplifica o recurso literário do fluxo de consciência,

muito característico da prosa realista.

5. UFMS Considerando as proposições abaixo, assinale a(s) correta(s).

(01) Em Fogo Morto, vários temas são abordados, dentre os quais: a falência da sociedade

patriarcal nordestina, o surgimento do cangaço e a denúncia da miséria e da exploração

de grande parcela da população do Nordeste.

(02) Em Fogo Morto, configuram-se aspectos da realidade social nordestina de uma época:

a fragilidade de um seleiro, vítima do autoritarismo do dono das terras onde vive;

o desprestígio de um senhor de engenho arruinado pelo surgimento de novas relações

de trabalho e produção; a aspiração por justiça numa sociedade oprimida pelas arbitrariedades

do cangaço, da polícia e da “politicagem” das elites.

(04) Em algumas passagens do romance Capitães da Areia, percebe-se a intenção de garantir

a semelhança com a vida real. Exemplo claro desse tipo de procedimento encontra-

se no comportamento da personagem Sem-Pernas. Explorando o próprio defeito

físico, o garoto aproxima-se das pessoas para, depois, trair-lhes a confiança.

(08) O desfecho de Capitães da Areia é trágico: além da morte de Dora, a única mulher

aceita pelo bando de Pedro Bala, ocorre o assassinato do próprio Pedro Bala, pondo

fim aos sonhos dos garotos abandonados.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

6. UEGO A respeito de Clarice Lispector, autora de Laços de Família, entre outras obras é

correto afirmar que:

( ) Em Laços de Família, com exceção apenas de “O jantar”, todos os doze contos são

narrados em 1ª pessoa do singular.

( ) Suas narrativas são centradas em momentos de vivência interior das personagens —

fluxo de consciência — que geralmente não seguem ordem cronológica.

( ) Laços de Família está impregnado de intenção crítica, perceptível à medida que a

contista arma seu jogo narrativo no interior do seio familiar burguês, cuja insatisfatória

rede de relações subjuga o ser humano, condiciona-o e limita sua liberdade, em

troca de valores ilusórios.

( ) Laços de Família é um romance composto de treze capítulos independentes que tematizam

os dramas cotidianos vividos pela família.

( ) A tônica existencialista alimenta a progressão das personagens em seu drama particular,

explorando a fragilidade do ser ante o compromisso inevitável da vida.

7. UFMS Sobre o livro de contos Brás, Bexiga e Barra Funda, é correto afirmar que:

(01) os contos integram à formação cultural do brasileiro a contribuição dos imigrantes

italianos: ao recriar sua linguagem, Alcântara Machado traz à tona a forma de expressão

de uma população marginalizada, desmistificando a existência de uma assimilação

passiva da cultura e da tradição locais pelos imigrantes italianos.

(02) ao olhar o progresso de São Paulo com ceticismo, Alcântara Machado demonstrou a

decadência das famílias “quatrocentonas” e a contribuição das culturas italiana e espanhola

para a construção da identidade nacional.

(04) no conto “Nacionalidade”, o barbeiro Tranqüillo Zampinetti, radicado em São Paulo,

constrói uma pequena fortuna na cidade que o acolheu e, com o passar do tempo,

integra-se definitivamente à pátria que o recebeu, culminando com o requerimento de

naturalização brasileira pelo patriarca da família Zampinetti.

(08) Bruno Zampinetti, no conto “Nacionalidade”, representa o elo definitivo entre o patriarca

da família Zampinetti e a nova pátria, na medida em que, depois de ter concluído o

curso de Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito de São Paulo, reduto universitário

dos filhos da elite paulistana, foi ele o autor do requerimento que solicitou ao

Ministro da Justiça e Negócios Internacionais do Brasil a naturalização de Tranqüillo.

(16) no conto “Nacionalidade”, os filhos de Tranqüillo Zampinetti, Bruno e Lorenzo, “não

queriam saber de falar italiano. Nem brincando”. Essa negação dos rapazes é a negação

da manutenção da cultura paterna, o que acaba contribuindo para a desarticulação

do discurso de superioridade do “colonizador” europeu, veiculado pelo patriarca

da família.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

Texto para a questão 8:

“NOVOS & VELHOS

Mário Quintana

Não, não existe geração espontânea. Os (ainda) chamados modernistas, com a sua livre poética,

jamais teriam feito aquilo tudo se não se houvessem grandemente impressionado, na incauta

adolescência, com os espetáculos de circo dos parnasianos.

Acontece que, por sua vez, fizeram eles questão de trabalhar mais perigosamente, sem rede de

segurança — coisa que os acrobatas antecessores não podiam dispensar.

Quanto a estes, os seus severos jogos atléticos eram uma sadia reação contra a languidez dos

românticos.

E assim, sem querer, fomos uns aprendendo dos outros e acabando realmente por herdar suas

qualidades ou repudiar seus defeitos, o que não deixa de ser uma maneira indireta de herdar.

Por essas e outras é que é mesmo um equívoco esta querela, ressuscitada a cada geração, entre

novos e velhos.

Quanto a mim, jamais fiz distinção entre uns e outros. Há uns que são legítimos e outros que

são falsificados. Tanto de um como de outro grupo etário.

Porque na verdade a sandice não constitui privilégio de ninguém, estando equitativamente

distribuída entre novos e velhos, em prol do equilíbrio universal.

E, além de tudo, os novos significam muito mais do que simples herdeiros: embora sem saber,

embora sem querer, são por natureza os nossos filhos naturais.”

8. AEU-DF Julgue os itens que seguem, em relação à teoria literária e aos estilos de época na

Literatura Brasileira.

( ) Ao falar do próprio fazer poético e do conflito existente entre as diferentes gerações,

Mário Quintana posiciona-se como poeta novo.

( ) Ele é reconhecidamente um dos grandes nomes da literatura nacional, seja por seus

textos em prosa, seja pelos seus poemas.

( ) Em seus poemas, presenteia-nos com uma poesia musical e leve, a tratar, acima de

tudo, de temáticas ligadas à vida e a sua beleza.

9. U.Católica de Brasília-DF O poema que se segue apresenta algumas das reivindicações

básicas do Modernismo Brasileiro. Leia-o com atenção para responder às questões propostas,

colocando Verdadeiro (V) ou Falso (F).

“Manuel Bandeira — Poética

Estou farto do lirismo comedido

Do lirismo bem comportado

Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de

[apreço ao sr. diretor

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.

Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais

Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção

Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador

Político

Raquítico

Sifilítico

De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.

De resto não é lirismo.

Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas

[we as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos

O lirismo dos bêbados

O lirismo difícil e pungente dos bêbados

O lirismo dos clowns de Shakespeare

— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.”

( ) Nesse texto Manuel Bandeira se opõe à perfeição formal do Parnasianismo, ao purismo

que freia a liberdade criadora do artista e o afasta de sua inspiração, para preocupar-

se com aspectos alheios ao poema.

( ) O poema é expressamente uma reivindicação de uma linguagem preciosa, elegante e

rara para a arte literária.

( ) Em relação ao Modernismo Brasileiro, pode-se afirmar que, passados o entusiasmo e

o dinamismo, de que dão mostras os versos de Manuel Bandeira, a nossa literatura se

acomodou a um lirismo comedido, metrificado, de rimas raras.

( ) Nestes versos “Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho

vernáculo de um vocábulo” (v.5, v.6), Manuel Bandeira se opõe ao purismo parnasiano,

que não admitia o uso de estrangeirismos e de vulgarismos.

( ) Os versos “Quero antes o lirismo dos loucos / O lirismo dos bêbados / o lirismo

difícil e pungente dos bêbados / O lirismo dos clowns de Shakespeare / Não quero

mais saber do lirismo que não é libertação” (v.21 - v.25) apresentam relações com as

propostas do Surrealismo, pois exaltam o lirismo nascido do inconsciente.

10.U.Católica-GO

( ) Sobre o Modernismo que produziu Macunaíma, podemos dizer que apresentava nacionalismo

exacerbado, constante busca por uma linguagem nacional, parodização

de textos do passado, liberdade formal de modo a integrar forma e conteúdo, bem

como irreverência irônica e sarcástica.

( ) Em Macunaíma, Mário de Andrade, fiel ao preceito modernista de criar uma língua

nacional, evita o uso de arcaísmos e gírias bem como as palavras de origem africana.

( ) Macunaíma é divindade dos indígenas macuxis, acavaés, arecunas, taulipanques e

caraíbas que habitam o oeste do planalto de Roraima e o Alto Rio Branco. É o ser que

trabalha à noite, espírito grande e bom que criou a terra e as plantas. Mário de Andrade,

fiel aos princípios modernistas de ironia, deu esse nome ao seu anti-herói por

espírito de contradição e sarcasmo.

“Quando o herói saiu do banho estava branco louro e de olhos azuizinhos, água lavara

o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo

retinta dos Tapanhumas”.

( ) No passo anterior, o autor descreve o banho tomado por Jiguê, irmão de Macunaíma,

na lapa de águas mágicas que o transformaram em branco. Macunaíma e Maanape

também foram banhar-se nas águas encantadas, para se tornarem brancos. No trecho

em questão, sob o manto da fantasia, o autor faz referência às três raças que constituem

a etnia do povo brasileiro: o branco, o índio e o negro.

( ) Macunaíma deve ser considerado o protótipo do anti-herói: feio, maldoso, ardiloso, é

capaz de trair o próprio irmão, possuindo-lhe a mulher.

( ) O herói criado por Mário de Andrade devia contrapor-se, como o fez, ao modelo

europeu de indivíduo, sem máculas, sem vícios, sem defeitos de caráter. Devia, igualmente,

humanizar o homem brasileiro tornando-o real, com todos os seus defeitos e

todas as suas virtudes, características de todo o ser humano.

11.UFBA

Texto I

“— Dê seu jeito... — Balduíno encolheu os ombros.

O soldado abriu a mão na cara de Antônio Balduíno, mas o negro já estava por baixo, as pernas

batendo nas do soldado que caiu. Se levantou com o sabre na mão. Antônio Balduíno abriu a

navalha:

— Venha se é homem!

— Não tenho medo de macho...

— Eu não respeito farda — e Antônio Balduíno foi arrancando o sabre do soldado que já levava

uma navalhada no rosto.

Depois que desarmou o soldado, largou a navalha e esperou Osório na escuridão. Vinha gente,

homens e guardas e mais soldados. Osório se atirou em cima de Balduíno e recebeu um daqueles

socos pesados do negro. Ficou estatelado no chão. Um gringo que apreciava a luta puxou Antônio

Balduíno:

— Vá embora que vem muito soldado aí. (...)”

AMADO, Jorge. Jubiabá. São Paulo: Martins, 1961. p. 117.

TEXTO II

“O CAPOEIRA

— Qué apanhá sordado?

— O quê?

— Qué apanhá?

Pernas e cabeças na calçada.”

ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil. 6. ed. São Paulo: Globo, 1998. p. 87.

A leitura dos textos I e II permite afirmar:

(01) Em ambos os textos, ocorre a ruptura com a tradição literária nacional, um incorporando

a linguagem popular, e o outro abandonando a rima e a métrica.

(02) No ritmo e nas ações dos dois textos, há um contraste: o primeiro é rápido e imprevisível,

e o segundo, lento e previsível.

(04) Os dois textos se diferenciam tanto pelas características do gênero escolhido quanto

pela síntese do segundo e pelo estilo emocional do primeiro.

(08) Oswald de Andrade consegue uma forma de dar maior autenticidade ao seu poema,

transcrevendo a fala coloquial e popular nos diálogos, sem respeitar as normas ortográficas.

(16) Nesse trecho do romance de Jorge Amado, a presença repetida de nomes — próprios

e comuns — para identificar os lutadores contribui para evitar a ambigüidade em um

momento de ação tão rápida.

(32) “Qué apanhá” (v. 1 e 3) é uma realização popular de duas formas verbais no infinitivo.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

12. Unifor-CE Considerando-se as características mais marcantes de prosadores da chamada

“geração de 30”, é correto afirmar que:

a) os contos e romances de Clarice Lispector e Guimarães Rosa podem ilustrar a valorização

dos costumes e da cultura regional.

b) o romance Angústia, de Graciliano Ramos, desenvolve tema muito semelhante ao do

romance Menino de Engenho, de José Lins do Rego.

c) Jorge Amado e José Lins do Rego manifestaram preocupação em caracterizar aspectos

culturais, sociais e econômicos de suas respectivas regiões.

d) os impulsos da memória pessoal são fundamentais para a construção de Vidas Secas, de

Graciliano Ramos, e para a elaboração de Capitães da Areia, de Jorge Amado.

e) Graciliano Ramos e Jorge Amado cultivam o mesmo pessimismo em relação ao homem,

sobretudo quando se comparam Gabriela, Cravo e Canela e São Bernardo.

13. Unifor-CE Caso se queira encontrar dentro da literatura informações sobre a vida nos

engenhos de cana-de-açúcar nordestinos, ou sobre a influência da economia cacaueira na

vida das pessoas, ou sobre a atuação política dos velhos coronéis e dos cangaceiros, tais

informações podem ser colhidas na fase de nossa literatura reconhecida como a:

a) da geração de 45.

b) do romance de 30.

c) do regionalismo naturalista.

d) do regionalismo romântico.

e) da literatura dos viajantes.

14. UFSE Referindo-se à “geração de 30”; um crítico considera: “A prosa de ficção encaminhada

para o ‘realismo bruto’ de Jorge Amado, de José Lins do Rego, de Érico Veríssimo

e, em parte, de Graciliano Ramos, beneficiou-se amplamente da ‘descida’ à linguagem

oral, aos brasileirismos léxicos, e sintáticos, que a prosa modernista tinha preparado.”

De acordo com essa consideração, é correto afirmar que:

a) Rubem Fonseca e Clarice Lispector são autores diretamente influenciados por Macunaíma

e Memórias Sentimentais de João Miramar.

b) os romances do “ciclo da cana-de-açúcar” e do “ciclo do cacau” devem algo de sua

linguagem a conquistas do Modernismo.

c) as realidades regionais do país tornaram-se temas literários somente a partir de Menino

de Engenho e Gabriela, Cravo e Canela.

d) as obras de Monteiro Lobato e de Lima Barreto refletem as opções estéticas trabalhadas

por Mário de Andrade e Oswald de Andrade.

e) os romances que tratam da vida violenta dos marginalizados nas grandes cidades constituíram

a principal linha de trabalho dos prosadores modernistas de 22.

15.UFBA

“— O dia de hoje está difícil;

não sei onde vamos parar.

Deviam dar um aumento,

ao menos aos deste setor de cá.

As avenidas do centro são melhores,

mas são para os protegidos:

há sempre menos trabalho

e gorjetas pelo serviço;

e é mais numeroso o pessoal

(toma mais tempo enterrar os ricos).

........................................................

— Mas não foi pelas gorjetas, não,

que vim pedir remoção:

é porque tem menos trabalho

que quero vir para Santo Amaro

aqui ao menos há mais gente

para atender a freguesia;

para botar a caixa cheia

dentro da caixa vazia.

— E que disse o Administrador,

se é que te deu ouvido?

........................................................

— No de Casa Amarela me deixou

mas me mudou de arrabalde.

— E onde vais trabalhar agora,

qual o subúrbio que te cabe?

— Passo para o dos industriários,

que é também o dos ferroviários,

de todos os rodoviários

e praças-de-pré dos comerciários.

— Passa para o dos operários,

deixas o dos pobres vários;

melhor: não são tão contagiosos

e são muito menos numerosos.

— É, deixo o subúrbio dos indigentes

onde se enterra toda essa gente

que o rio afoga na preamar

e sufoca na baixa-mar.

........................................................

— É a gente retirante

que vem do Sertão de longe.

........................................................

— E da maneira em que está

não vão ter onde se enterrar.

........................................................

— E esse povo lá de riba

de Pernambuco, da Paraíba,

que vem buscar no Recife

poder morrer de velhice,

encontra só, aqui chegando

cemitérios esperando.

— Não é viagem o que fazem,

vindo por essas caatingas, vargens;

aí está o seu erro:

vêm é seguindo o seu próprio enterro.”

MELO NETO, João Cabral de. Morte e Vida Severina.

2. ed. Rio de Janeiro: Sabiá, 1967. p. 96, 99, 100 e

101.

A leitura desses fragmentos e de todo o poema permite concluir:

(01) As falas dos coveiros são marcadas por um tom crítico, bem como por um realismo

impiedoso, mas involuntário.

(02) O diálogo entre os dois personagens individualiza-os, distanciando-os do caráter simbólico

de outros personagens da obra.

(04) O cemitério é o lugar em que o protagonista toma conhecimento da existência da morte

hierarquizada.

(08) O encontro de Severino com a morte, tema recorrente em todo o poema, ilustra bem

o descompasso entre o esperado e o acontecido.

(16) O personagem-símbolo — Severino — é mostrado, no desenrolar de toda a ação,

sempre na condição de observador distanciado, ouvindo diálogos e solilóquios de

outros personagens, exceto na fala inicial, quando ele se apresenta.

(32) Severino, ao chegar ao cemitério, descobre o verdadeiro sentido da morte, e sua vida

toma um novo rumo: o retorno ao ponto de origem.

(64) O poema trabalha no sentido de valorizar positivamente a morte como o fim desejável

para uma vida de desafios insuperados.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

16. Uneb-BA

“Sinhá Vitória tinha amanhecido nos seus azeites. Fora de propósito, dissera ao marido umas

inconveniências a respeito da cama de varas. Fabiano, que não esperava semelhante desatino,

apenas grunhira: — ‘Hum! hum!’ E amunhecara, porque realmente mulher é bicho difícil de

entender, deitara-se na rede e pegara no sono. Sinhá Vitória andara para cima e para baixo,

procurando em que desabafar. Como achasse tudo em ordem, queixara-se da vida. E agora vingava-

se em Baleia, dando-lhe um pontapé.”

RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. 18. ed. São Paulo: Martins, 1967. p. 48.

Inserindo-se o fragmento no contexto do romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é

correto afirmar:

a) Sinhá Vitória possui desejos de consumo que traduzem a ânsia de acumular posses.

b) O grunhido de Fabiano é revelador da sua dificuldade para se comunicar através da

linguagem verbal.

c) A cadela Baleia é considerada, pela família, tão-somente como um animal de estimação.

d) A narrativa prende-se, sobretudo, à discussão de problemas que se esgotam no regional.

e) Fabiano e Sinhá Vitória não se adaptam ao meio rural, por isso desejam o convívio com as

pessoas na cidade.

17. Unifor-CE Considere as seguintes preocupações de um romancista:

I. Narrar uma história de modo a entrelaçar o destino das personagens com as específicas

condições culturais, sociais e econômicas da região em que vivem.

II. Nos diálogos, buscar ser fiel à linguagem oral das personagens, por mais rudes que

sejam.

III. Nas descrições, acentuar a importância que têm os elementos da natureza para o

modo de vida das personagens.

Nos casos de Fogo Morto e Menino de Engenho, constituíram preocupações de seu autor:

a) II, somente.

b) I e II, somente.

c) I e III, somente.

d) II e III somente.

e) I, II e III.

18.UFPE

“Esse incessante morrer que nos teus versos encontro

é tua vida, poeta, e por ele te comunicas

com o mundo em que te esvais. (...)

Não é o canto da andorinha,

debruçada nos telhados da Lapa,

Anunciando que tua vida passou à toa, à toa.

Não é o médico mandando exclusivamente

tocar um tango argentino,

Diante da escavação no pulmão esquerdo

e do pulmão infiltrado.

Não são os carvoeirinhos raquíticos

voltando encarapitados nos burros velhos.

Não são os mortos do Recife

dormindo profundamente na noite. (...)

Que o poeta Manuel Bandeira escute este apelo

de um homem humilde.”

ANDRADE, Carlos Drummond de. Ode no cinquentenário do poeta brasileiro.

A partir da leitura do texto, analise as proposições a seguir:

1) Drummond homenageia Bandeira com um exercício de intertextualidade, abordando o

universo do poeta pernambucano com suas próprias palavras. Essa homenagem não

gerou imitação. Bandeira está na vertente mais clássica do modernismo; já Drummond

assimilou as conquistas de vanguarda.

2) Drummond alude à freqüente tematização da morte nos poemas confessionais de Bandeira,

ao clima de melancolia e desejo insatisfeito que percorre a obra deste.

3) A intertextualidade é explorada, utilizando os versos de Andorinha, de Pneumotórax, de

Profundamente, de Vou-me embora pra Pasárgada (de Libertinagem) e dos Meninos Carvoeiros

e de Cotovia (de Ritmo Dissoluto).

4) O poema adota a paródia e o lirismo exacerbado, dentro dos preceitos da estética modernista.

Está(ão) correta(s):

a) 1, 3 e 4.

b) 1 apenas.

c) 2 apenas.

d) 1 e 2 apenas.

e) 2, 3 e 4 apenas.

19. Unifor-CE

“Em sua obra, um tema praticamente permanente é a crise da subjetividade. Esta crise se manifesta

com tamanha gravidade que o próprio ato de narrar ameaça ser impossível. Não admira,

pois, que em alguns de seus romances a velha noção de enredo já não é absoluta: às vezes

importa mais a metáfora estranha, a entrega aos livres pensamentos, a crise existencial que não

está apenas nas personagens, mas no próprio narrador.”

O trecho acima está levantando algumas características que se encontram presentes em:

a) Grande Sertão: Veredas.

b) A Hora da Estrela.

c) Fogo Morto.

d) A Estrela Sobe.

e) O Tempo e o Vento.

20. UFSE

“Epigrama nº 10

A minha vida se resume,

desconhecida e transitória,

em contornar teu pensamento,

sem levar dessa trajetória

nem esse prêmio de perfume

que as flores concedem ao vento.”

No poema acima de Cecília Meireles, o tema, muito característico da autora, é:

a) a transitoriedade da vida e o desejo de evasão; as estrofes são regulares, com versos

livres.

b) a transitoriedade e a inconseqüência da vida: as estrofes são regulares, com versos

livres.

c) o desejo de evasão e de utopia; os versos são redondilhas maiores, brancos.

d) o desejo de evasão e de utopia; os versos são octossílabos rimados.

e) a transitoriedade e a inconseqüência da vida; os versos são octossílabos rimados.

21.UFMA

Sejam as estrofes finais do poema “Aniversário”, de Álvaro de Campos, heterônimo de

Fernando Pessoa:

“(...)

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...

A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na louça, com mais copos,

O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado —,

As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!

Não penses! Deixa o pensar na cabeça!

Hoje já não faço anos.

Duro.

Somam-se-me dias.

Serei velho quando o for.

Mais nada.

Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...”

Ao longo desses versos, o poeta contrapõe o passado ao presente, sugerindo que:

a) a nitidez do presente impede a visão do passado distante, perdido na infância.

b) no tempo em que festejavam seu aniversário, as tias e os primos escondiam a

festa “debaixo do alçado”.

c) o coração pare no presente para que só o pensamento, único móvel para a felicidade,

continue a pulsar.

d) a inocência perdida no passado possa ser reavivada no presente solitário da fase adulta

do poeta.

e) os dias do presente sejam somados àquela infância melancólica, marcada pela sombra.

22.UFBA

“Quem me dera que eu fosse o pó da estrada

E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

Quem me dera que eu fosse os rios que correm

E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio

E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro

E que ele me batesse e me estimasse...

Antes isso que ser o que atravessa a vida

Olhando para trás de si e tendo pena...”

PESSOA, Fernando. Obra poética. Poemas completos de Alberto Caeiro.

Rio de Janeiro: José Aguilar, 1992. p. 215.

Constitui característica da poesia de Caeiro comprovável no texto:

(01) Repúdio ao misticismo.

(02) Desejo de integração plena com a natureza.

(04) Valorização das sensações visuais.

(08) Percepção de fragmentos da realidade.

(16) Descompromisso com o futuro.

(32) Visão de mundo marcada pela simplicidade do existir tão-somente.

(64) Negação da interioridade das coisas.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

23.UERJ

“Manifesto da poesia Pau-Brasil

(fragmento)

Lançado por Oswald de Andrade, no Correio da Manhã, em 18 de março de 1924.

Houve um fenômeno de democratização estética nas cinco partes sábias do mundo. Instituírase

o naturalismo. Copiar. Quadro de carneiros que não fosse lã mesmo não prestava. A interpretação

do dicionário oral das Escolas de Belas-Artes queria dizer reproduzir igualzinho... Veio a

pirogravura. As meninas de todos os lares ficaram artistas. Apareceu a máquina fotográfica. E

com todas as prerrogativas do cabelo grande, da caspa e da misteriosa genialidade de olho virado

– o artista fotógrafo.

Na música, o piano invadiu as saletas nuas, de folhinha na parede. Todas as meninas ficaram

pianistas. Surgiu o piano de manivela, o piano de patas. A Playela. E a ironia eslava compôs para

a Playela. Stravinski.

A estatuária andou atrás. As procissões saíram novinhas das fábricas.

Só não se inventou uma máquina de fazer versos – já havia o poeta parnasiano.

(...)

Nossa época anuncia a volta ao sentido puro.

Um quadro são linhas e cores. A estatuária são volumes sob a luz.

A poesia Pau-Brasil é uma sala de jantar domingueira, com passarinhos cantando na mata

resumida das gaiolas, um sujeito magro compondo uma valsa para flauta e a Maricota lendo o

jornal. No jornal anda todo o presente.”

apud TELES, Gilberto M. Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro. Petrópolis: Vozes, 1977.

Duas características da poesia modernista que aparecem sugeridas no último parágrafo do

Manifesto da Poesia Pau-Brasil são:

a) incorporação da temática cotidiana – enfoque no presente.

b) valorização dos encontros familiares – enaltecimento da natureza.

c) aproveitamento do elemento musical – retrato de cenas familiares.

d) citação jornalística da realidade – reprodução do noticiário histórico.

24.U. Uberaba-MG Considere as seguintes afirmações sobre a literatura brasileira no século

XX:

I. O interesse pela paisagem nacional e pelos temas ligados ao cotidiano, o verso livre e

a linguagem coloquial são procedimentos comuns à poesia dos modernistas.

II. A Semana de Arte Moderna foi uma reação aos ataques de poetas parnasianos que

consideravam a obra dos primeiros poetas modernistas um tanto incipiente.

III. Definem a poética de João Cabral de Melo Neto: a elaboração de uma linguagem

concisa, elíptica, de acentuada economia de meios e a preocupação de fazer da imagem

o núcleo do poema.

Está correto o que se afirma:

a) apenas em I.

b) apenas em I e III.

c) apenas em I e II.

d) Em I, II e III.

25.U. Uberaba-MG Leia as assertivas que se seguem e faça o que se pede.

I. Lucíola, de José de Alencar, é uma narrativa em que predomina o enredo do amor,

apesar de existirem preocupações de ordem social.

II. Dom Casmurro, de Machado de Assis, é uma narrativa voltada para os acontecimentos

exteriores, privilegiando, assim, o tempo cronológico.

III. O narrador, em Vidas secas, de Graciliano Ramos, está na terceira pessoa, distante dos

fatos narrados por ser aquele que somente organiza a história, apresentando-a ao leitor.

IV. Na obra Libertinagem, Manuel Bandeira alcança, com desenvoltura, o ideal poético

preconizado pela poesia moderna: lirismo esfusiante e libertação do verso clássico.

V. Na poesia de Carlos Drummond de Andrade a preocupação social abrange o regional,

o nacional e o universal.

Assinale a alternativa que contém as alternativas corretas.

a) I, II, III e V.

b) I, III, IV e V.

c) II, III, IV e V.

d) I, II, III e IV.

26.U. F. Uberlândia-MG Muitos autores brasileiros do Modernismo foram influenciados

pelas vanguardas artísticas européias, as hoje chamadas vanguardas históricas. Leia o texto

abaixo e indique a que vanguarda ele se filia.

“O pastor pianista

Soltaram os pianos na planície deserta

Onde as sombras dos pássaros vêm beber.

Eu sou o pastor pianista,

Vejo ao longe com alegria meus pianos

Recortarem os vultos monumentais

Contra a lua.

Acompanhado pelas rosas migradoras

Apascento os pianos que gritam

E transmitem o antigo clamor do homem.”

Murilo Mendes.

a) Surrealismo.

b) Futurismo.

c) Cubismo.

d) Dadaísmo

27.U. Uberaba-MG

“Infância

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.

Minha mãe ficava sentada cosendo.

Meu irmão pequeno dormia.

Eu sozinho menino entre mangueiras

lia a história de Robinson Crusoé,

comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu

a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu

chamava para o café.

café preto que nem a preta velha

café gostoso

café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo

Olhando para mim:

— Psiu... Não acorde o menino.

Para o berço onde pousou um mosquito.

E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava

no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história

era mais bonita que a de Robinson Crusoé.”

ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia poética.

Feita a leitura do poema, indique a alternativa que não está correta:

a) O estilo livre de construção dos versos e de organização das estrofes insere o poema no

Modernismo.

b) A primeira estrofe do poema tem caráter narrativo referenciado pela cena dinâmica que

apresenta.

c) O tema deste poema está expresso em seu título e é um tema que se repete na obra de

Carlos Drummond de Andrade.

d) A presença do pronome “Eu” é o elemento único e essencial que permite classificar

este poema como lírico.

28.U. Uberaba-MG

I

“Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida.”

II

“Alguns anos vivi em Itabira.

Principalmente nasci em Itabira.

Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.”

III

“Que pode uma criatura senão,

entre criaturas, amar?

amar e esquecer,

amar e malamar,

amar, desamar, amar?

sempre, e até de olhos vidrados, amar?”

Com base na leitura dos fragmentos acima, do poeta Carlos Drummond de Andrade, julgue

verdadeiras (V) ou falsas (F) as afirmativas abaixo:

I. ( ) Sua poesia tem várias faces, ora mostra o desajuste do eu-lírico diante do

mundo, ora se volta para as suas raízes ancestrais, ora tematiza o amor em

seus encontros e desencontros.

II. ( ) O primeiro fragmento exprime o sentimento de quem vem na contramão, reforçado

pelo adjetivo “torto” e pelo galicismo gauche.

III. ( ) No segundo fragmento, Drummond demonstra desprezo pela terra natal que o

tornou triste. Angustiado, o poeta acredita que a saída para a problemática existencial

reside na lembrança de Itabira.

IV. ( ) No terceiro fragmento, o poeta não vê o amor como algo inevitável: mesmo

diante desse sentimento acredita no poder de opção e no livre arbítrio do homem.

A seqüência correta é:

a) F / V / V / V.

b) V / V / F / F.

c) V / F / V / V.

d) F / V / F / F.

Texto para a questão 29:

“— ‘Vosmecê me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é: fasmisgerado...

fas-me-gerado... falmisgeraldo... familhas-gerado...?’

Disse, de golpe, trazia entre dentes aquela frase. Soara com riso seco. Mas, o gesto, que se

seguiu, imperava-se de toda a nudez primitiva, de sua presença dilatada. Detinha minha resposta,

não queria que eu a desse de imediato. E já aí outro susto vertiginoso suspendia-me: alguém

podia ter feito intriga, invencionice de atribuir-me a palavra de ofensa àquele homem; que muito,

pois, que aqui ele se famanasse, findo para exigir-me, rosto a rosto, o fatal, a vexatória satisfação?

— ‘Saiba vosmecê que saí ind’hoje da Serra, que vim, sem parar, essas seis léguas, expresso

direto pra mor de lhe preguntar a pregunta, pelo claro...’

Se sério, se era. Transiu-se-me.

— ‘Lá, e por estes meios de caminho, tem nenhum ninguém ciente, nem têm o legítimo – o livro

que aprende as palavras... É gente pra informação torta, por se fingirem de menos ignorâncias...

Só se o padre, no São Ão, capaz, mas com padres não me dou: eles logo engambelam... A bem.

Agora, se me faz mercê, vosmecê me fala, no pau da peroba, no aperfeiçoado: o que é que é, o

que já lhe preguntei?’

Se simples. Se digo. Transfoi-se-me. Esses trizes:

— Famigerado?

— ‘Sim senhor’... — e, alto, repetiu, vezes, o termo, enfim nos vermelhões da raiva, sua voz fora

de foco. E já me olhava, interpelador, intimativo – apertava-me. Tinha eu que descobrir a cara. –

Famigerado? Habitei preâmbulos. Bem que eu me carecia noutro interim, em indúcias. Como por

socorro, espiei os três outros, em seus cavalos, intugidos até então, mumumudos. Mas, Damázio:

— ‘Vosmecê declare. Estes aí são de nada não. São da Serra. Só vieram comigo, pra testemunho...’

Só tinha de desentalar-me. O homem queria estrito o caroço: o verivérbio.

— Famigerado é enôxio, é: ‘célebre’, ‘notório’, ‘notável’...

[...]

— Famigerado? Bem. É: ‘importante‘, que merece louvor, respeito...

— ‘Vosmecê agarante, pra a paz das mães, mão na escritura?’

Se certo! Era para se empenhar a barba. Do que o diabo, então eu sincero disse:

— Olhe: eu, como o senhor me vê, com vantagens, hum, o que eu queria uma hora destas era

ser famigerado – bem famigerado, o mais que pudesse!...

— ‘Ah! Bem!...’ – soltou, exultante.”

ROSA, Guimarães. O Famigerado. In: Primeiras Estórias.

29. Cefet-RJ Assinale a opção falsa.

Em Guimarães Rosa, autor pós-modernista,

a) a criatividade acaba por submeter-se à tirania da gramática e dos dicionários dos outros,

ainda que isso provoque mutilações irreversíveis.

b) o sertão aparece como uma forma de aprendizado sobre a vida, sobre a existência, não

apenas do sertanejo, mas do homem. “O sertão é o mundo.”

c) a linguagem é a verdadeira matéria e, ainda que calcada em aspectos do falar sertanejo,

mistura-se à pesquisa erudita, à exploração sonora, sintática e semântica do português.

d) o folclórico, o pitoresco e o documental cedem lugar a sua maneira nova de repensar as

dimensões da cultura.

e) o sertão não se restringe aos limites geográficos brasileiros, ainda que dele extraia a sua

matéria-prima.

30. F. M. Triângulo Mineiro-MG Leia os versos a seguir para responder à questão.

“Multipliquei-me, para me sentir,

Para me sentir, precisei sentir tudo,

Transbordei-me, não fiz senão extravasar-me.”

Nos versos acima, o poeta expressa a sua necessidade de conhecer o universo além da

contingência individual. Para isso, ele recorreu aos heterônimos e desdobrou-se em personalidades.

Trata-se de:

a) Fernando Pessoa.

b) Luís Vaz de Camões.

c) Camilo Castelo Branco.

d) Alexandre Herculano.

e) Eça de Queirós.

31. Cefet-RJ

“A caatinga estende-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram

ossadas. O vôo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.

— Anda, excomungado.

O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar

alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário – e a obstinação

da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha,

e o vaqueiro precisava chegar, não sabia onde.”

RAMOS, Gracialiano. Vidas secas. São Paulo: Livraria Martins, 16ª ed. p. 3.

Considerando o romance Vidas secas, de Graciliano Ramos, é falso afirmar que:

a) o seu regionalismo é crítico, indo além do neo-realismo, que caracterizou a segunda

fase modernista.

b) o “herói” é sempre um problema: não aceita o mundo, nem os outros, nem a si mesmo.

c) a natureza interessa ao romancista só enquanto propõe o momento da realidade hostil.

d) o autor abre ao leitor o universo mental esgarçado e pobre de um homem e sua família,

tangidos pela seca e opressão dos que podem mandar: o “dono” e o “soldado amarelo”.

e) o narrador, ao apresentar-se na 1ª pessoa do discurso, parece ter sumido por trás das criaturas,

mas na verdade apenas deslocou o eu para a natureza e para o latifúndio.

32.U. Caxias do Sul-RS Lima Barreto, ............. e .......... apontam para uma renovação da

Literatura Brasileira, que se convencionou chamar de ............ , numa época em que os

estilos passadistas ainda tentavam se impor.

a) Graça Aranha / Graciliano Ramos / Pré-Modernismo

b) Euclides da Cunha / Monteiro Lobato / Pré-Modernismo

c) Monteiro Lobato / Simões Lopes Neto / Naturalismo

d) Graciliano Ramos / Euclides da Cunha / Naturalismo

e) Simões Lopes Neto / Graça Aranha / Regionalismo

33. UFRS Assinale a alternativa incorreta sobre a obra de Monteiro Lobato.

a) A obra literária de Lobato, um dos intelectuais mais importantes da sua época, se insere

no Regionalismo Pré-Modernista.

b) O conto “Urupês”, que dá título ao primeiro livro do autor, nasceu de um panfleto em

que Lobato criou a figura típica do “Jeca-Tatu”.

c) As denúncias de Lobato sobre as queimadas nos campos e sobre o caboclo miserável,

indiferente e preguiçoso, ajudaram a projetá-lo como ficcionista.

d) Além de contos, crônicas e ensaios variados, a obra de Lobato compreende vários textos

de literatura infantil.

e) A prosa de Lobato é marcada pelo gosto documental naturalista e pelo uso de uma

linguagem ornamentada, como pode ser comprovado nas obras Fruto Proibido, de 1895,

Sertão, de 1896, e Canaã, de 1902.

34. PUC-RS A produção poética da transição do século XIX para o XX evidencia duas tendências

principais: uma que rejeita formalmente o Romantismo, outra que busca a genuína

expressão poética. Registra-se, ainda, na época, o caso isolado do poeta _________,

cuja reduzida produção caracteriza-se pela linguagem __________ e, ao mesmo tempo,

___________.

a) Alphonsus de Guimaraens / subjetiva / plástica

b) Augusto dos Anjos / cientificista / corrosiva

c) Eduardo Guimaraens / erudita / sugestiva

d) Augusto dos Anjos / impressionista / sonora

e) Alphonsus de Guimaraens / cientificista / grotesca

35. PUC-RS Associar a “Consciência Humana” à imagem de um “morcego”, assim como

fazer poesia sobre o “verme”, ou afirmar que o homem, por viver “entre as feras”, também

sente necessidade “de ser fera” são algumas das imagens poéticas de ________. Apesar

das críticas contundentes de que foi alvo, o poeta, muito distante da obsessão _________

pela forma, ou da sugestão das imagens __________, já revelava, a seu tempo, elementos

de modernidade.

a) Cruz e Sousa / simbolista / parnasianas

b) Augusto dos Anjos / parnasiana / simbolistas

c) Alphonsus Guimaraens / parnasiana / realistas

d) Cruz e Sousa / romântica / parnasianas

e) Augusto dos Anjos / simbolista / parnasianas

36. PUC-RS INSTRUÇÃO: Para responder à questão, enumerar a segunda coluna de acordo

com a primeira, relacionando as idéias, expressões, autores e obras ao que convencionou

denominar de Pré-Modernismo e Geração de 22.

1. Pré-Modernismo

2. Geração de 22

( ) Oswaldo de Andrade

( ) Lima Barreto

( ) Mario de Andrade

( ) Os Sertões

( ) fragmentação da narrativa

( ) ruptura com a tradição

( ) ecletismo

( ) irreverência

A seqüência correta, de cima para baixo, é a da alternativa:

a) 2 – 2 – 2 – 1 – 1 – 1 – 1 – 2.

b) 2 – 1 – 2 – 1 – 2 – 2 – 1 – 2.

c) 2 – 1 – 2 – 2 – 1 – 2 – 2 – 2.

d) 1 – 1 – 1 – 1 – 2 – 2 – 1 – 2.

e) 1 – 1 – 2 – 1 – 2 – 2 – 1 – 1.

37. UnB-DF A partir do mapa que segue, em que cada seta aponta para uma região geográfica

do Brasil, e das informações relativas a parte da explosão da energia criativa brasileira no

campo literário no século XX, julgue os itens a seguir.

( ) Efetivamente, as condições geográficas contribuem para que haja baixo índice demográfico

na região A; em conseqüência, as manifestações artísticas que a ela se referem

são esparsas. Merece destaque, no entanto, pelo componente histórico, a narrativa

Galvez, o imperador do Acre.

( ) Circunstâncias geográficas fizeram surgir na região B uma vasta produção literária

em que predomina o caráter local, principalmente de natureza econômica, conforme

os exemplos citados.

( ) A região C não tem tradição literária, por ser área fronteiriça, local de passagem

obrigatória para quem busca os países vizinhos a oeste; merecem ser citados apenas

os dois autores de romances do período simbolista.

( ) Devido a ser, historicamente, o maior pólo econômico, com grande densidade populacional,

a região D apresenta intensa atividade cultural, concentrando a maior parte

da tradição literária brasileira, conforme exemplificado.

( ) Na região E, com exceção de Simões Lopes Neto, que é essencialmente um escritor

de temática regional, os demais autores mencionados desenvolvem também temas

voltados para problemas existenciais, em uma dimensão universalista, atemporal.

38. UnB-DF

A criatividade dos artistas produz obras que conseguem vencer a veloz passagem do tempo

e a brevidade da vida. Na tabela acima, que apresenta aspectos essenciais da História da

Literatura Brasileira, todos os elementos de uma mesma coluna mantêm-se em relação.

Julgue se as informações dos itens seguintes completam, respectiva e corretamente, os

espaços numerados.

( ) Barroco

( ) Ubirajara

( ) Helena e Capitu

( ) Oswald de Andrade

( ) aventuras e desventuras da vida de uma emigrante nordestina na cidade grande

39.UFMT

“Atenção ao Sábado

Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e

alguém despeja um balde de água no terraço: sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de

manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em

mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar

cheio de abelhas. No sábado é que as formigas subiam pela pedra. Foi num sábado que vi um

homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca e pirão; nós já tínhamos

tomado banho. De tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: ao vento

sábado era a rosa de nossa semana. Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada,

não? No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico

a semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e, de súbito, antes do vento espantado poder

recomeçar, vejo que é sábado de tarde. Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais. Então

eu não digo nada, aparentemente submissa. Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo

de manhã. Domingo de manhã também é a rosa da semana. Não é propriamente rosa que eu

quero dizer.”

LISPECTOR, Clarice. Os melhores contos de Clarice Lispector. Seleção de Walnice Galvão. São Paulo: Global, 1997.

( ) O texto de Clarice exemplifica a vertente intimista da 3ª geração modernista.

( ) O título Atenção ao Sábado pode indicar tanto o tema a ser desenvolvido quanto um

convite/alerta ao leitor.

( ) O eixo do texto é a preocupação com o trabalho e os compromissos dele decorrentes.

cronologia/

especificação

período

literário

autor

obra

tema

personagens

século XVIII

1

Tomás Antônio

Gonzaga

Marília de

Dirceu

sentimento

amoroso

idealizado,

bucolismo

Marília /

Dirceu

século XX

(2ª metade)

Contemporaneidade

Clarice

Lispector

A hora da

estrela

5

Macabéa /

Olimpo

século XIX

(1ª metade)

Romantismo

José de

Alencar

2

indianismo,

idealização das

relações branco

versus nativo

Peri / Cei

século XIX

(2ª metade)

Realismo

Machado de

Assis

Dom

Casmurro

ciúmes e

suspeita de

traição

feminina

3

século XX

(1ª metade)

Modernismo

4

Amar, verbo

intransitivo

educação

sexual do

jovem do sexo

masculino

Carlos /

Fräulein Elza

40.UFMS Considerando a leitura do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, assinale

a(s) alternativa(s) correta(s).

(01) O namoro de Chicó e Rosinha funciona como o elemento romântico que ameniza a

composição picaresca de Chicó, um sujeito tosco que vive metido em confusões.

(02) Quem anuncia o espetáculo para o público é um palhaço, espécie de representante do autor

em cena, cônscio de “que sua alma é um velho catre, cheio de insensatez e de solércia”.

(04) O motivo alegado por João Grilo para se vingar do padeiro e de sua mulher é o

tratamento a ele dispensado por ocasião de uma doença: ele passara três dias entrevado

em uma cama e sequer um copo d’água lhe fora mandado. Para acertar as contas

com os patrões, o “amarelo safado e inteligente” vale-se do ponto fraco de ambos: o

fato de a mulher trair o marido.

(08) João Grilo é o malandro que passa a vida engambelando aqueles que vivem ao seu

redor. No entanto, durante o julgamento, a Compadecida traz à cena as dificuldades

pelas quais passou o “amarelo”: se João Grilo é hábil na malandragem, existe uma

história de privações que o conduziu a isso: “João foi um pobre como nós, meu filho.

Teve de suportar as maiores dificuldades, numa terra seca e pobre como a nossa.”.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

41.UFGO O teatro de Dias Gomes caracteriza-se pelo espírito de discussão social, tema

predominante na dramaturgia brasileira, na virada dos anos 50/60. Dessa forma,

( ) a religiosidade ingênua de Zé-do-Burro retoma, em O pagador de promessas, a tradição

moralizante dos autos medievais, em que a ênfase no sagrado pressupunha a

retomada de valores espirituais negligenciados pelas práticas mundanas.

( ) as personagens-tipo constituem um grande recurso do teatro de Dias Gomes. Em O

pagador de promessas, esses tipos (Bonitão, Minha Tia, Dedé Cospe-Rima) são caracterizados

por traços superficiais e estereotipados, formando a “paisagem humana

de fundo”, que se solidariza ou se contrapõe aos objetivos de Zé-do-Burro.

( ) além da atitude religiosa obstinada de Zé-do-Burro, que desconsidera o formalismo dogmático

da igreja católica, a peça também representa um mundo governado por “forças

superiores”, cujo sistema organizado volta-se contra um indivíduo fanático e desprotegido.

( ) a personagem Zé-do-Burro mostra-se incapaz de medir as conseqüências dos dissabores

causados por sua promessa, quando ingenuamente ameaça a sustentação de valores cristalizados.

Acusado de subversivo e impedido de cumprir seu compromisso religioso, não

se submete, mesmo assim, diante do inevitável insucesso de seu empreendimento.

42. Mackenzie-SP A estrofe que NÃO apresenta elementos típicos da produção poética de

Augusto dos Anjos é:

a) Eu, filho do carbono e do amoníaco,

Monstro de escuridão e rutilância,

Sofro, desde a epigênese da infância,

A influência má dos signos do zodíaco.

b) Se a alguém causa inda pena a tua chaga,

Apedreja a mão vil que te afaga,

Escarra nessa boca que te beija!

c) Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.

Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:

Na bruta ardência orgânica da sede,

Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

d) Beijarei a verdade santa e nua,

Verei cristalizar-se o sonho amigo…

Ó minha virgem dos errantes sonhos,

Filha do céu, eu vou amar contigo!

e) Agregado infeliz de sangue e cal,

Fruto rubro de carne agonizante,

Filho da grande força fecundante

De minha brônzea trama neuronial.

43. AEU-DF

“OUTRO BRASIL QUE VEM AÍ

Gilberto Freyre

Eu ouço as vozes

eu vejo as cores

eu sinto os passos

de outro Brasil que vem aí

mais tropical

mais fraternal

mais brasileiro.

O mapa desse Brasil em vez das cores dos Estados

terá as cores das produções e dos trabalhos.

Os homens desse Brasil em vez das cores das três raças

terão as cores das profissões e regiões.

As mulheres do Brasil em vez das cores boreais

terão as cores variamente tropicais.

Todo brasileiro poderá dizer: é assim que eu quero o Brasil

todo brasileiro e não apenas o bacharel e o doutor,

o preto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e o semibranco.

Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil

lenhador

lavrador

pescador

vaqueiro

marinheiro

funileiro

carpinteiro

contanto que seja digno do governo do Brasil

que tenha olhos para ver pelo Brasil,

ouvidos para ouvir pelo Brasil,

coragem de morrer pelo Brasil,

ânimo de viver pelo Brasil,

mão para agir pelo Brasil,

mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos Brasis.

…………………………………

Mãos todas de trabalhadores,

pretas, brancas, pardas, roxas, morenas,

de artistas

de escritores

de operários

de lavradores

de pastores

de mães criando filhos

de pais ensinando meninos

de padres benzendo afilhados

de mestres guiando aprendizes

de irmãos ajudando irmãos mais moços

de lavadeiras lavando

de pedreiros edificando

de doutores curando

de cozinheiros cozinhando

de vaqueiros tirando leite das vacas chamadas comadres dos homens.

Mãos brasileiras

brancas, morenas, pretas, pardas, roxas

tropicais

sindicais

fraternais.

Eu ouço as vozes

eu vejo as cores

eu sinto os passos

desse Brasil que vem aí.”

Julgue os itens que seguem, em relação à teoria literária e aos estilos de época na Literatura

Brasileira.

( ) Ainda que em versos brancos, o poema apresenta ritmo variado e isometria.

( ) É uma ode que, por sua temática, busca discutir a realidade nacional e encontrar

soluções para seus problemas.

( ) Autor do antológico Casa-Grande e Senzala, além de Sobrados e Mocambos e Ordem e

Progresso, Gilberto Freyre dedicou-se a fundo ao estudo da formação do povo brasileiro.

( ) Em sua juventude, embora não tenha participado da “Semana de 22”, destacou-se

como um dos mais geniais poetas da 1ª Geração do Modernismo.

44. Uneb-BA

I. “Antônio Balduíno agora era livre na cidade religiosa da Bahia de Todos os Santos e do paide-

santo Jubiabá. Vivia a grande aventura da liberdade. Sua casa era a cidade toda, seu emprego

era corrê-la. O filho do morro pobre é hoje o dono da cidade.

Cidade religiosa, cidade colonial, cidade negra da Bahia. Igrejas suntuosas bordadas de ouro,

casas de azulejos azuis, antigos sobradões onde a miséria habita, ruas e ladeiras calçadas de

pedras, fortes velhos, lugares históricos, e o cais, principalmente o cais, tudo pertence ao negro

Balduíno. Só ele é dono da cidade porque só ele a conhece toda, sabe de todos os seus segredos,

vagabundeou em todas as suas ruas, se meteu em quanto barulho, em quanto desastre aconteceu

na sua cidade. Ele fiscaliza a vida da cidade que lhe pertence.

……………………………

Brilha a luz de um saveiro. O vento levará até ele a melodia do realejo que o velho italiano toca?

Um dia — pensa Antônio Balduíno — hei de viajar, hei de sair para outras terras.

Um dia ele tomará um navio, um navio como aquele holandês que está todo iluminado, e

partirá pela estrada larga do mar. A greve o salvou. Agora sabe lutar.”

AMADO, Jorge. Jubiabá. 48. ed. Rio de Janeiro: Record, 1987. p. 64 e 329.

II. “Agora Fabiano era vaqueiro, e ninguém o tiraria dali. Aparecera como um bicho, entocara-

se como um bicho, mas criara raízes, estava plantado. Olhou as quipás, os mandacarus e os

xique-xiques. Era mais forte que tudo isso, era como as catingueiras e as baraúnas. Ele, sinhá

Vitória, os dois filhos e a cachorra Baleia estavam agarrados à terra.

Chape-chape. As alpercatas batiam no chão rachado. O corpo do vaqueiro derreava-se, as

pernas faziam dois arcos, os braços moviam-se desengonçados. Parecia um macaco.

Entristeceu. Considerar-se plantado em terra alheia! Engano. A sina dele era correr mundo, andar

para cima e para baixo, à toa, como um judeu errante. Um vagabundo empurrado pela seca.

…………………………

Tudo seco em redor. E o patrão era seco também, arreliado, exigente e ladrão, espinhoso como

um pé de mandacaru.

Indispensável os meninos entrarem no bom caminho, saberem cortar mandacaru para o gado,

consertar cercas, amansar brabos. Precisavam ser duros, virar tatus.

…………………………

Comiam, engordavam. Não possuíam nada: se se retirassem, levariam a roupa, a espingarda, o

baú de folha e troços miúdos. Mas iam vivendo na graça de Deus, o patrão confiava neles (…).”

RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. 71. ed. Rio, São Paulo: Record, 1996. p. 19, 24 e 44-5.

Com base na leitura dos fragmentos e das obras de que foram extraídos, a comparação

entre Fabiano e Balduíno conduz às afirmações:

(01) A vida dos dois personagens decorre num círculo vicioso de acontecimentos rotineiros,

relacionados com a problemática geradora das narrativas que protagonizam.

(02) A inquietação interior é um estado permanente em Fabiano, ao contrário de Balduíno,

voltado para o imediatismo de uma vida exterior, para a aventura.

(04) Fabiano se adapta ao ambiente hostil em que vive, ao passo que Balduíno se insurge,

fazendo valer a sua individualidade.

(08) O saber usar as palavras, para Fabiano, é inalcançável; já, para Balduíno, é objeto de

crescimento e de aprendizado, conduzindo-o à condição de líder.

(16) Fabiano é caracterizado por um permanente sentimento de derrota, vítima das adversidades;

Balduíno é o herói de uma vida marcada por acontecimentos vitoriosos.

(32) A valorização negativa do trabalho por parte dos dois personagens justifica-se pelo

servilismo a que são submetidos no desempenho das profissões que exercem.

(64) A devoção religiosa alimentada pelos dois personagens impede-os de atitudes impensadas

a que se sentem inclinados em momentos difíceis.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

45.UEPA

“O que é bossa nova? Bossa nova é mais solidão de uma rua de Ipanema do que a agitação

comercial de Copacabana […] é mais um olhar do que um beijo; mais uma ternura que uma

paixão. Bossa nova é o novo segredo da mocidade.”

Vinícius de Morais.

Não obstante as palavras do poeta, a Bossa Nova também representou:

a) um novo modo de apresentar o samba, criticado pela imprensa e por intelectuais brasileiros,

quando do seu lançamento oficial nos Estados Unidos da América do Norte, no

início da década de 60, por considerá-lo alienante em relação a realidade brasileira.

b) um movimento musical ligado a música pop, vinculado desde o início à televisão e a

um projeto publicitário de marketing, que fabricou vários de seus ídolos, onde se destacaram

João Gilberto e Tom Jobim.

c) um novo estilo musical criado no Rio de Janeiro, reunindo técnicas típicas da música brasileira

e o jazz norte-americano, sendo a seu modo libertário, mas criticado especialmente após 64

por compositores e militantes de esquerda de que ela deveria ser uma “música participante”.

d) uma nova maneira de apresentar o samba brasileiro, de modo a enfrentar o regime

militar implantado desde 1964, fazendo críticas à realidade nacional através de letras

extremamente simples e que eram facilmente assimiladas pela população.

e) um estilo musical surgido na década de 70, fazendo críticas às músicas de protesto em

moda na época, em função do estado de ditadura em vigor no país, utilizando-se de

referenciais considerados “rebeldia sem causa aparente”.

46. Unifor-CE Considere as seguintes afirmações sobre Graciliano Ramos e sua obra:

I. Este autor é um representante da “geração de 30” não apenas por razões cronológicas:

seus romances têm o traço realista e a ambientação regional que definem a ficção da

segunda fase modernista.

II. Caetés, sua obra-prima, é fruto do amadurecimento de quem já criara personagens

como Fabiano e Paulo Honório.

III. Não é à toa que João Cabral homenageou, num poema, a este grande conterrâneo seu:

a literatura de ambos norteia-se pelo lirismo sentimental e pela força de uma retórica

quase incontrolável.

Está correto SOMENTE o que se afirma em:

a) I. d) I e II.

b) II. e) II e III.

c) III.

47.UFPE

“Irmão… é uma palavra boa e amiga. Se acostumaram a chamá-la de irmã. Ela também os trata

de mano, de irmão. Para os menores é como uma mãezinha. Cuida deles. Para os mais velhos é

como uma irmã que brinca inocentemente com eles e com eles passa os perigos da vida aventurosa

que levam.

Mas nenhum sabe que para Pedro Bala, ela é a noiva. Nem mesmo o Professor sabe. E dentro do

seu coração Professor também a chama de noiva.”

AMADO, Jorge. Capitães de Areia.

Considerando a obra e o autor do texto, assinale a alternativa incorreta.

a) O autor faz parte do romance regional de 30, quando se aprofundaram as radicalizações

políticas na realidade brasileira.

b) Jorge Amado representa a Bahia, “descobrindo” mazelas, violências e identificando

grupos marginalizados e revolucionários em Capitães da Areia.

c) Dora, Pedro Bala e Professor são alguns dos personagens da narrativa, que aborda a

dramática vida dos camponeses das fazendas de cacau no sul da Bahia.

d) O tom da narrativa aproxima-se do naturalismo, alternando trechos de lirismo e crueza.

O nível de linguagem é coloquial e popular.

e) Capitães da Areia pertence à primeira fase da produção de Jorge Amado, quando era

notório seu engajamento com a política de esquerda. Daí o esquematismo psicológico:

o mundo dividido em heróis (o povo) e bandidos (a burguesia).

INSTRUÇÃO: Para responder à questão 48, ler o poema de Oswald de Andrade que segue.

“O Cruzeiro

Primeiro farol de minha terra

Tão alto que parece construído no céu

Cruz imperfeita

Que marcas o calor das florestas

E os discursos de 22 câmaras de deputados

Silêncio sobre o mar do Equador

Perto de Alfa e de Beta

Perdão dos analfabetos que contam casos

Acaso”

48. PUC-RS Um dos motivos pelos quais o poema se identifica com a proposta modernista é:

a) a utilização da paródia.

b) a rigorosa metrificação.

c) a valorização da objetividade.

d) a expressão através da musicalidade.

e) o emprego do verso livre.

49.U. F. Rio Grande-RS O Modernismo Brasileiro, através de seus autores mais representativos

na Semana de Arte Moderna, propôs:

a) o apego às normas clássicas oriundas do neoclassicismo mineiro.

b) a ruptura com as vanguardas européias, tais como o futurismo e o dadaísmo.

c) uma literatura que investisse na idealização da figura indígena como ancestral do brasileiro.

d) a focalização do mundo numa perspectiva apenas psicanalítica.

e) a literatura como espaço privilegiado para a expressão dos falares brasileiros.

50. PUC-RS A segunda fase do Modernismo brasileiro

a) rompe com os limites entre prosa e poesia.

b) valoriza o fluxo da consciência nos textos em prosa.

c) dá maior destaque à poesia em detrimento da prosa.

d) inclina-se para o experimentalismo da linguagem.

e) apresenta uma prosa cuja temática predominante é o Brasil.

51.UFSM Considere a afirmativa:

Poeta e prosador, destacou-se em importante período da literatura brasileira, intervindo

com inquietude e gerando polêmica, como aconteceu no lançamento do Manifesto Antropófago.

Assinale autor e movimento relacionados com a afirmativa.

a) Mário de Andrade – Modernismo.

b) Ferreira Gullar – Concretismo.

c) Caetano Velloso – Tropicalismo.

d) Oswald de Andrade – Modernismo.

e) Chico Buarque – Tropicalismo.

52. PUC-RS ……… deu novo sentido à paródia com seu “Canto de Regresso à Pátria” e

“Meus Oito Anos”, em que satiriza os versos de ……… e de ………, respectivamente.

a) Mario de Casimiro de Gonçalves Dias

Andrade Abreu

b) Oswald de Gonçalves Dias Casimiro de

Andrade Abreu

c) Oswald de Álvares de Olavo Bilac

Andrade Azevedo

d) Manuel Álvares de Castro Alves

Bandeira Azevedo

e) Mario de Castro Alves Olavo Bilac

Andrade

53. PUC-RS Nas duas primeiras décadas do século XX, ……… propostas por autores como

……… e ……… revelam uma expressiva renovação dos padrões estéticos vigentes até

então.

a) técnicas Euclides da Rachel de

Cunha Queiroz

b) temáticas Euclides da Graça Aranha

Cunha

c) temáticas Graça Aranha Oswald de

Andrade

d) linguagens Rachel de Oswald de

Queiroz Andrade

e) técnicas Rachel de Graça Aranha

Queiroz

54. PUC-RS A ……… dos escritores da primeira fase do Modernismo no Brasil, tais como

………, determinou uma mudança que ……… a propulsão de estilos pessoais.

a) irreverência Oswald de Andrade permitiu

b) agressividade Mario de Andrade impediu

c) consciência Carlos Drummond possibilitou

de Andrade

d) consistência Oswald de Andrade neutralizou

e) coloquialidade Manuel Bandeira restringiu

55. PUC-RS Contemporâneos de Euclides da Cunha, ……… e ……… também souberam

descortinar facetas do Brasil. O primeiro discute a questão da ………; o segundo critica

……… .

a) Graça Lima imigração a política

Aranha Barreto

b) Augusto Graça política o racismo

dos Anjos Aranha

c) Graciliano Lima seca o messianismo

Ramos Barreto

d) Jorge Guimarães terra a miséria

Amado Rosa

e) Graça Graciliano terra a ganância

Aranha Ramos

56. PUC-RS Grandes poetas brasileiros podem ser reconhecidos a partir da segunda fase do

Modernismo brasileiro. Merecem destaque ………, pelo(a) novo(a) ………, e ………,

pela complexidade de sua obra.

a) Manuel Bandeira nacionalismo Carlos Drummond

de Andrade

b) Cecília Meireles nacionalismo Manuel Bandeira

c) Mário de Andrade simbolismo Cecília Meireles

d) Carlos Drummond religiosidade Manuel Bandeira

de Andrade

e) Cecília Meireles simbolismo Carlos Drummond

de Andrade

57. ITA-SP Leia os textos seguintes:

1

“(…)

Minha terra tem palmeiras

Onde canta o sabiá;

As aves que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

(…)”

DIAS, Gonçalves. Poesias completas. São Paulo: Saraiva, 1957.

2

“lá?

ah!

Sabiá…

papá…

maná…

Sofá…

sinhá…

cá?

bah!”

PAES, José Paulo. Um por todos. Poesia reunida. São Paulo: Brasiliense, 1986.

a) Aponte uma característica do texto 1 que o filia ao Romantismo e uma do texto 2 que o

filia ao Concretismo.

b) É possível relacionar o texto 2 com o 1? Justifique.

58. Fuvest-SP

“Política Literária

O poeta municipal

discute com o poeta estadual

qual deles é capaz de bater o poeta

[federal.

Enquanto isso o poeta federal

tira ouro do nariz.”

“Anedota Búlgara

Era uma vez um czar naturalista

que caçava homens.

Quando lhe disseram que também se

[caçam borboletas e andorinhas,

ficou muito espantado

e achou uma barbaridade.”

ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia.

Costuma-se reconhecer que estes poemas, pertencentes ao Modernismo, apresentam aspectos

característicos do “poema-piada”, modalidade bastante praticada nesse período literário.

a) Identifique um recurso de estilo tipicamente modernista que esteja presente em ambos

os poemas. Explique-o sucintamente.

b) Considere a seguinte afirmação:

O poema-piada visa a um humorismo instantâneo e, por isso, esgota-se em si mesmo,

não indo além desse objetivo imediato.

A afirmação aplica-se aos poemas aqui reproduzidos? Justifique brevemente sua resposta.

Texto para a questão 59.

“Nosso Tempo (fragmento)

Este é tempo de partido,

tempo de homens partidos.

Em vão percorremos volumes,

viajamos e nos colorimos.

A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.

Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.

As leis não bastam. Os lírios não nascem

da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se

na pedra.

Visito os fatos, não te encontro.

Onde te ocultas, precária síntese,

penhor de meu sono, luz

dormindo acesa na varanda?

Miúdas certezas de empréstimo, nenhum beijo

sobe ao ombro para contar-me

a cidade dos homens completos.

Calo-me, espero, decifro.

As coisas talvez melhorem.

São tão fortes as coisas!

Mas eu não sou as coisas e me revolto.

Tenho palavras em mim buscando canal,

São roucas e duras,

irritadas, enérgicas,

comprimidas há tanto tempo,

perderam o sentido, apenas querem explodir.”

Carlos Drummond de Andrade.

59. Ceetps-SP Assinale a alternativa correta com relação ao texto.

a) No trecho “nenhum beijo/sobe ao ombro para contar-me” está contida a causa maior

para a revolta do poema: solidão.

b) O poema é altamente negativo, faltando-lhe o sentimento de esperança, revelando os

conflitos da vida do poeta.

c) O poema, por meio de frases curtas e negações, acaba por expressar o sentimento de

incompletude e angústia do homem moderno, frente à existência.

d) O poeta quer comunicar-se e não consegue, pois lhe faltam palavras.

e) O poeta se ressente de não ter a força das coisas, tendo apenas vontade de explodir.

60. Fuvest-SP

“Chega!

Meus olhos brasileiros se fecham saudosos.

Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.

Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?

Eu tão esquecido de minha terra…

Ai terra que tem palmeiras

onde canta o sabiá!”

ANDRADE, Carlos Drummond de. “Europa, França e Bahia”, Alguma poesia.

Neste excerto, a citação e a presença de trechos … constituem um caso de …… .

Os espaços pontilhados da frase acima deverão ser preenchidos, respectivamente, com o

que está em:

a) do famoso poema de Álvares de Azevedo / discurso indireto.

b) da conhecida canção de Noel Rosa / paródia.

c) do célebre poema de Gonçalves Dias / intertextualidade.

d) da célebre composição de Villa-Lobos / ironia.

e) do famoso poema de Mário de Andrade / metalinguagem.

Texto para a questão 61:

“Música

Uma coisa triste no fundo da sala.

Me disseram que era Chopin.

A mulher de braços redondos que nem coxas

martelava na dentadura dura

sob o lustre complacente.

Eu considerei as contas que era preciso pagar,

os passos que era preciso dar,

as dificuldades…

Enquadrei o Chopin na minha tristeza

e na dentadura amarela e preta

meus cuidados voaram como borboletas.”

ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma Poesia.

61. Fatec-SP As marcas modernistas mais acentuadas no poema são:

a) alusão ao compositor Chopin, como forma de recuperar valores subjetivos da estética

romântica.

b) crítica aos procedimentos parnasianos, por meio de imagens que remetem ao corpo.

c) marcas do fluxo da consciência, que tornam o texto relativamente hermético.

d) uso da primeira pessoa, como forma de realçar a objetividade da poesia e da dor.

e) emprego de construções da linguagem coloquial, versos livres e imagens inusitadas.

62. FEI-SP Manuel Bandeira é um importante poeta:

a) realista.

b) barroco.

c) romântico.

d) modernista.

e) árcade.

63. PUC-SP Libertinagem, uma das obras mais expressivas de Manuel Bandeira, apresenta

temática variada. Indique a alternativa em que não há correspondência entre o tema e o

poema.

a) cotidiano – “Poema tirado de uma notícia de jornal”.

b) recordações da infância – “Profundamente”.

c) teor metalingüístico – “Poética”.

d) evasão e exílio – “Vou-me embora pra Pasárgada”.

e) amor erótico – “Irene no céu”.

64. PUC-SP

“Assim eu quereria o meu último poema

Que fosse terno dizendo as coisas mais

simples e menos intencionais

Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas

Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume

A pureza da chama em que se consomem os

diamantes mais límpidos

A paixão dos suicidas que se matam sem

explicação.”

No poema acima, de Manuel Bandeira, a liberdade de forma se dá

a) pela linguagem simples, por certo coloquialismo e pela presença de versos brancos e

livres.

b) pela rigorosa seleção vocabular e pela ordem das palavras que dificultam o entendimento

do texto.

c) pelas comparações e metáforas que traduzem sentimentos opostos e conflitantes.

d) pelo desejo expresso de escrever um poema sobre a beleza das flores sem perfume.

e) pelo uso da metalinguagem que introduz uma reflexão sobre o ato de escrever.

65. Fatec-SP Sobre a poesia de João Cabral de Melo Neto, é correto afirmar que ela

a) se caracteriza por procedimentos subjetivos em que a vivência nordestina se destaca.

b) apresenta certos aspectos de construção que põem em evidência os substantivos concretos.

c) evidencia o experimentalismo constante, próprio da primeira geração modernista.

d) revela um tom regionalista que jamais conseguiu superar.

e) manifesta um caráter místico, próprio de outro poeta de sua geração: Jorge de Lima.

66. Fuvest-SP

“Decerto a gente daqui

jamais envelhece aos trinta

nem sabe da morte em vida,

vida em morte, severina”

NETO, João Cabral de Melo. Morte e vida severina.

Neste excerto, a personagem do “retirante” exprime uma concepção da “morte e vida

severina”, idéia central da obra, que aparece em seu próprio título. Tal como foi expressa

no excerto, essa concepção só não encontra correspondência em:

a) “morre gente que nem vivia”.

b) “meu próprio enterro eu seguia”.

c) “o enterro espera na porta:

o morto ainda está com vida”.

d) “vêm é seguindo seu próprio enterro”.

e) “essa foi morte morrida

ou foi matada?”.

Texto para a questão 67:

“Minha Nossa Senhora! Aquele homem tinha má sorte! Aquele homem enorme com tantos

filhinhos pequenos e uma mulher paralítica na cama!… E no entanto eu era feliz! e com três

estrelinhas-do-mar para me darem sorte… É certo: eu pusera imediatamente as estrelas no diminutivo,

porque se houvesse de ceder alguma ao operário, já de antemão eu desvalorizava as três,

todas as três, na esperança desesperada de dar apenas a menor. Não havia diferença mais, eram

apenas três ‘estrelinhas’-do-mar. Fiquei desesperado. Mas a lei se riscara iniludível no meu espírito:

e se eu desse boa sorte ao operário na pessoa da minha menor estrelinha pequetitinha?… Bem

que podia dar a menor, era tão feia mesmo, faltava uma das pontas, mas sempre era uma estrelinha-

do-mar. Depois: o operário não era bem vestido como papai, não carecia de uma boa sorte

muito grande não. Meus passos tontos já me conduziam para o fundo do quintal fatalizadamente.

(…) Lá estavam as três estrelinhas, brilhando no ar do sol, cheias de uma boa sorte imensa. E eu

tinha que me desligar de uma delas, da menorzinha estragada, tão linda! Justamente a que eu

gostava mais, todas valiam igual, porque a mulher do operário não tomava banhos de mar? Mas

sempre, ah meu Deus que sofrimento! Eu bem não queria pensar mas pensava sem querer, deslumbrado,

mas a boa mesmo era a grandona perfeita, que havia de dar mais boa sorte pra aquele

malvado de operário que viera, cachorro! dizer que estava com má sorte. Agora eu tinha que dar

pra ele a minha grande, a minha sublime estrelona-do-mar!…

(…)

— Tome! eu soluçava gritado, tome a minha… tome a estrela-do-mar! dá… dá, sim, boa sorte!…

O operário olhou surpreso sem compreender. Eu soluçava, era um suplício medonho.

— Pegue depressa! faz favor! depressa! dá boa sorte mesmo!

Aí que ele entendeu, pois não me agüentava mais! Me olhou, foi pegando na estrela, sorriu por

trás dos bigodões portugas, um sorriso desacostumado, não falou nada felizmente que senão eu

desatava a berrar. A mão calosa quis se ajeitar em concha pra me acarinhar, certo! ele nem media

a extensão do meu sacrifício! e a mão calosa apenas roçou por meus cabelos cortados.

Eu corri. Eu corri pra chorar à larga, chorar na cama, abafando os soluços no travesseiro sozinho.

Mas por dentro era impossível saber o que havia em mim, era uma luz, uma Nossa Senhora,

um gosto maltratado, cheio de desilusões claríssimas, que eu sofria arrependido, vendo inutilizarse

no infinito dos sofrimentos humanos a minha estrela-do-mar.”

ANDRADE, Mário de. “Tempo da camisolinha” In: Contos Novos.

67. Ceetps-SP Considere o que se segue:

I. Nas narrativas, destaca-se a análise introspectiva, explorando-se a dimensão afetiva e

psíquica da relação entre o sujeito e o mundo.

II. Essa obra foi chamada de “rapsódia” por envolver vários motivos populares; contém

anedotas e lendas, além de herói que, no entender do autor, não possui civilização

nem consciência nacional, como o brasileiro. Daí ser chamado de herói sem nenhum

caráter.

III. Tanto a sintaxe quanto o ritmo e o vocabulário da fala brasileira incorporam-se à fala

do narrador e ao diálogo das personagens.

IV. “E todos principiaram muito calmos, falando de papai. A imagem dele foi diminuindo,

diminuindo e virou uma estrelinha brilhante no céu. Agora todos comiam o peru

com sensualidade, porque papai fora muito bom, sempre se sacrificara por nós”.

V. As narrativas do livro focalizam momentos especiais vividos com intensidade e paixão

pelas personagens.

É correto associar a Contos Novos somente

a) I e III.

b) I, III e V.

c) II, III e IV.

d) I, II, III e IV.

e) I, III, IV e V.

68.U. F. Uberlândia-MG Leia os excertos seguintes e indique a alternativa INCORRETA.

“ALGAZARRA

A fala dos bichos

é comprida e fácil:

miados soltos

na campina;

águias

hidráulicas

nas pontes;

na cozinha

a hidra espia

medrosas as cabeças;

enguias engolem

sete redes

saturam de lombrigas

o pomar;

(…)”

CESAR, Ana Cristina. 26 poetas hoje.

“BUCÓLICA

Agora vamos correr o pomar antigo

Bicos aéreos de patos selvagens

Tetas verdes entre folhas

E uma passarinhada nos vaia

(…)”

ANDRADE, Oswald. Pau-Brasil.

a) Os textos possuem características vanguardistas, uma vez que criam situações e espaços

surreais, compondo um pomar em que os encanamentos se transformam em “lombrigas”

e as frutas em “tetas verdes”.

b) Embora modernos, esses poemas são representantes do Arcadismo, porque ambos trabalham

com elementos da natureza, colocando o homem em contato direto com ela. Tal

procedimento é verificável em toda a literatura ocidental.

c) No poema de Ana Cristina Cesar, a “algazarra” do título, que está ligada a uma grande

fantasia, se estabelece a partir dos versos “águias/hidráulicas” e se estende até o último

verso.

d) A “algazarra” também pode ser verificada nos jogos sonoros das palavras, que geram

ambigüidade de sentido, como na palavra “águias”, que pode ser “águas”, e no verso

“enguias engolem”, em que “engolem” repercute nas primeiras letras de “enguias”.

69.UFF-RJ Sobre autores de nossa literatura e aspectos de sua obra é INCORRETO

afirmar:

a) Mário de Andrade, escritor do Modernismo, foi um pesquisador incessante das variadas

manifestações da cultura brasileira e, por seu espírito crítico, exerceu influência

decisiva na renovação de nossa literatura. Estudou e escreveu também sobre folclore,

música e pintura.

b) Machado de Assis, importante escritor nascido no século XIX, produziu uma obra rica

em gêneros literários, destacando-se principalmente no conto e no romance, com seu

poder de análise da psicologia humana. Destacam-se entre seus contos: A Missa do

Galo, A Cartomante, Uns Braços.

c) José de Alencar foi um escritor do século XIX, cuja vasta obra inclui romances nas

linhas regionalista, urbana, indianista e histórica, além de numerosos textos sobre as

relações entre a língua e a literatura nacional.

d) Álvares de Azevedo foi um poeta romântico que se destacou sobretudo na temática

indianista. Exaltou principalmente o sentimento de honra e a valentia do índio. Escreveu

alguns dos poemas mais conhecidos de nossa literatura, tais como: Lira dos Vinte

Anos, Macário, Marabá, O Canto do Guerreiro.

e) Guimarães Rosa, importante escritor do século XX, foi um inovador em termos de

linguagem. Utilizou-se de vários processos para elaborar seu texto, tais como: criação

de palavras, exploração de aspectos sonoros, adaptação estética do linguajar regionalista

pleno de arcaísmos. De sua obra, que expressa uma profunda visão dos problemas

humanos, podem-se citar Grande sertão: veredas, Sagarana, Primeiras Estórias.

70.U. F. Uberlândia-MG

“Ah, o mundo é quanto nós trazemos.

Existe tudo porque existo”.

Fernando Pessoa.

“Da minha pessoa de dentro não tenho noção de realidade.

Sei que o mundo existe, mas não sei se existo”.

Alberto Caeiro.

Lendo comparativamente os dois fragmentos, e considerando a proposta poética pessoana,

pode-se afirmar que:

a) Tanto em Alberto Caeiro como em Fernando Pessoa “ele-mesmo”, o eu é sempre uma

identidade “fingida”.

b) Há uma espécie de neo-romantismo em Fernando Pessoa, devido ao centramento no

eu.

c) Observa-se uma permanência do naturalismo do século XIX, devido ao naturismo de

Caeiro.

d) Em ambos, observa-se uma mesma relação entre o eu e o mundo.

71.U. F. Juiz de Fora-MG Leia os seguintes fragmentos de poesia:

Texto 1

“O poeta é um fingidor

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente”

Fernando Pessoa.

Texto 2

“Sou um guardador de rebanhos.

O rebanho é os meus pensamentos.

E o meus pensamentos são todos sensações.”

Alberto Caeiro.

Texto 3

“Severo aguarda o fim que pouco tarda.

Que é qualquer vida? Breve sóis e sono.”

Ricardo Reis.

Texto 4

“Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!

Ser completo como uma máquina!

Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!”

Álvaro de Campos.

A partir dos fragmentos acima, assinale a única alternativa INCORRETA:

a) a teoria do fingimento é a base da proposta poética tanto de Fernando Pessoa ele-mesmo

quanto dos seus heterônimos;

b) Alberto Caeiro assume uma fingida postura de pastor de ovelhas para sentir a natureza;

c) Ricardo Reis tem sempre uma postura reflexiva diante da vida e da arte;

d) Álvaro de Campos, influenciado pelo futurismo, dedicou toda sua poesia ao elogio do

mundo moderno.

72.U. F. Viçosa-MG Sobre a construção dos personagens do romance Vidas Secas, é INCORRETO

afirmar que:

a) o “herói” personagem é sempre um problema: retirante, não aceita o mundo, nem a si

mesmo, em sua dura realidade.

b) no drama dos retirantes, Graciliano interessa-se pela investigação do aspecto social, da

hostilidade da terra nordestina, ignorando o aspecto psicológico de seus personagens.

c) Graciliano apresenta seus personagens com uma visão fatalista, de total negação e destruição,

enfim, de anulação do homem, num mundo sem amor.

d) na narrativa, todos os personagens representam, realmente, “vidas secas”: mostradas

em linguagem sóbria, racional, lúcida, exprimem a visão de um mundo árido e sombrio.

e) o autor constrói seus personagens como figuras humanas animalizadas, vítimas de um

ambiente de desencanto e indiferença, de uma terra áspera, dura e cruel.

73.U. F. Viçosa-MG A respeito de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, somente NÃO podemos

afirmar que:

a) os personagens, Fabiano, Sinhá Vitória e os filhos, são convertidos em criaturas brutalizadas,

numa sugestão de que a dureza do solo nordestino aproxima a vida humana da

vida animal.

b) embora composta de pequenas narrativas isoladas, a obra mantém a estrutura de um

romance pela presença quase constante de seus personagens e por uma sucessão temporal.

c) a obra insere-se no chamado romance de 30 por uma total fidelidade aos experimentalismos

lingüísticos da fase heróica do movimento modernista.

d) o retirante Fabiano, incapaz de verbalizar seus próprios pensamentos, expressa-se, quase

sempre, através do discurso indireto livre de um narrador onisciente.

e) a narrativa denuncia o flagelo do sertão nordestino, onde o homem, fundindo-se ao seu

meio, é arrastado por um destino adverso e inútil.

74.U. Uberaba-MG O fragmento a seguir, embora breve, permite perceber algumas características

importantes do romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Com base no seu conhecimento

do livro como um todo e na leitura atenta do fragmento, assinale a alternativa

INCORRETA:

“Ainda na véspera eram seis viventes, contando com o papagaio. Coitado, morrera na areia do

rio, onde haviam descansado, à beira de uma poça: a fome apertara demais os retirantes e por ali

não havia sinal de comida, (…) Sinhá Vitória, queimando o assento no chão, as mãos cruzadas

segurando os joelhos ossudos, pensava em acontecimentos antigos que não se relacionavam:

festas de casamento, vaquejadas, novenas, tudo numa confusão.”

a) O fragmento permite observar que, neste romance, o plano social articula-se com o

plano psicológico.

b) No texto há expressões que colocam num mesmo grupo homens e animais.

c) Por este fragmento percebe-se que o que aproxima homens e animais é a fome e a

miséria.

d) O texto registra o momento em que Sinhá Vitória, penalizada com a morte do papagaio,

por quem nutria um grande afeto, entra num estado de devaneio confuso, de verdadeiro

caos mental.

75. Univali-SC

“Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive”.

Manuel Bandeira.

O poema acima pertence à 1ª fase do Modernismo, cujas características encontram-se:

I. No tom coloquial, sem rima, e na ausência de pontuação.

II. Na mulher idealizada, na ânsia de viver a vida intensamente, na fuga da realidade.

III. No fluxo de consciência, na métrica imperfeita e na valorização do sentimento amoroso.

Estão corretas:

a) apenas I.

b) apenas II.

c) apenas III.

d) as afirmativas I e II.

e) as afirmativas II e III.

76. Fempar A obra de Graciliano Ramos pode ser identificada como pertencente à 2ª fase do

Modernismo, pois:

I. explora a tendência do romance de 30 de focalizar problemas sociais, criticando a

exploração que leva às diferenças sociais.

II. insere-se na perspectiva regionalista ao ambientar-se no Nordeste brasileiro e procurar

desvendar a realidade de nossa sociedade.

III. serve-se de valores realistas e naturalistas – neo-realismo e neo-naturalismo – ao fazer

também da obra um palco para a discussão de questões ideológicas.

IV. realiza uma abordagem de tensão crítica em que o herói se encontra angustiado e em

conflito com a sociedade e com seu íntimo, numa sondagem da criatura humana na

vertente intimista.

Estão corretas as afirmativas:

a) I e III apenas.

b) II e IV apenas.

c) II, III e IV apenas.

d) I, II, III e IV.

e) I, III e IV apenas.

77. PUC-PR São características do Modernismo brasileiro nos anos 20, exceto:

a) interesse em “descobrir o Brasil”, levando os escritores a realizarem viagens pelo interior

do país.

b) ímpeto iconoclasta, representado pela tendência à escrita de “poemas-piada”.

c) ruptura com outras artes, no intuito de reivindicar total autonomia para a linguagem

literária.

d) as propostas de renovação da linguagem embasaram-se em teorias elaboradas pelas

“vanguardas européias”.

e) influência de um estilo de vida cultural europeu, resultando na formação de grupos

unidos em torno da publicação de revistas e manifestos.

78. UFRS Leia o trecho de Memórias Sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade.

“Mas na limpidez da manhã mendiga cornamusas

vieram sob janelas de grandes sobrados.

Milão estendia os Alpes imóveis no orvalho.”

No trecho, destacam-se alguns procedimentos formais. Assinale com V (Verdadeiro) ou

com F (Falso) as afirmações abaixo.

( ) O trecho constitui uma amostra da tentativa do autor de eliminar as diferenças entre

prosa e poesia.

( ) A passagem revela facetas do experimentalismo típico do Modernismo brasileiro.

( ) A citação denota um forte teor nacionalista, avesso às influências das vanguardas

européias.

( ) O texto apresenta neologismos que passaram a fazer parte da linguagem poética do

Modernismo.

( ) O fragmento concretiza uma linguagem telegráfica vista como expressão adequada

da vida moderna.

A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

a) V – F – V – V – F.

b) F – V – F – V – F.

c) V – F – F – F – V.

d) F – V – V – F – V.

e) V – V – F – F – V.

79. UFRS Assinale a alternativa incorreta.

a) O Modernismo brasileiro de 1922 teve, entre outros objetivos, as renovações formais,

expressas em prefácios, manifestos, poemas e romances.

b) Manuel Bandeira, poeta nascido em Recife, abordou em sua obra múltiplos temas aos

quais, algumas vezes, atribuiu caráter autobiográfico.

c) Vinicius de Moraes, autor de Soneto de fidelidade e Soneto de separação, também

escreveu poemas infantis e a peça de teatro Orfeu da Conceição.

d) Carlos Drummond de Andrade, autor de Alguma poesia, Sentimento do mundo, A Rosa

do povo e Claro enigma, caracteriza-se pela construção de uma poética rigorosa e pela

desatenção aos temas do cotidiano.

e) João Cabral de Melo Neto destaca-se na Literatura Brasileira pelo desinteresse em relação

ao saudosismo e ao confessionalismo, característico da tradição lírica em Língua

Portuguesa.

80.UFRN No último parágrafo de Famigerado, de Guimarães Rosa, o personagem Damázio

faz a seguinte reflexão:

“Não há como que as grandezas machas duma pessoa instruída!”

Considerando os indícios presentes nessa fala, assinale a opção correspondente à temática

desenvolvida no conto em questão.

a) O senso de justiça e a rudeza dos costumes.

b) O conhecimento lingüístico e as relações de poder.

c) A religiosidade na sabedoria do homem sertanejo.

d) A expressão do humor na cultura popular.

81.UFRN

“Nem mãe nem pai acharam logo a maravilha, repentina. Mas Tiantônia. Parece que foi de

manhã. Nhinhinha, só sentada olhando o nada diante das pessoas: — ‘Eu queria o sapo vir aqui’.

Se bem a ouviram, pensaram fosse um patranhar, o de seus disparates, de sempre. Tiantônia, por

vezo, acenou-lhe com o dedo. Mas, aí, reto, aos pulinhos, o ser entrava na sala, para aos pés de

Nhinhinha, — e não o sapo de papo, mas bela rã brejeira, vinda do verduroso, a rã verdíssima.

Visita dessas jamais acontecera. E ela riu: — ‘Está trabalhando um feitiço…’ Os outros se pasmaram;

silenciaram demais.”

ROSA, Guimarães. Fragmento de “A menina de lá”.

Levando em consideração o modo de o narrador contar a história, é legítimo afirmar que:

a) a menina é encorajada pela família a fazer disparates.

b) o pai e a mãe não se surpreendem com os atos da filha.

c) Nhinhinha transforma o sapo em bela rã brejeira.

d) Tiantônia reconhece os poderes de Nhinhinha.

82. Unifor-CE

“E eu fui vendo logo que os animais dele não prestavam. O matungo, p’ra se deitar, ajoelhava

que nem vaca, e a modo e coisa que era cego de um olho. Mas eu entendi que ele não era cego

nenhuns-nada: era uma pelinha que tinha crescido tapando a vista — que, até, depois, seu Raymundo

boticário tirou p’ra mim… O pica-pau parecia que não ia durar mais muito tempo vivo…

Tinha sinal de duas sangraduras… Mau, mau!”

Há suficientes elementos no trecho acima para reconhecê-lo como pertencente a:

a) um poema em prosa de Murilo Mendes.

b) um romance indianista de José de Alencar.

c) uma narrativa de Guimarães Rosa.

d) um conto típico de Dalton Trevisan.

e) um ensaio de Euclides da Cunha.

83. UFSE

“Sou remediado lavrador, isto é — de pobre não me sujo, de rico não me emporcalho. Defesa

e acautelamento é que não me falecem, nesta fazenda Santa-Cruz-da-Onça, de hospitalidades;

minha. Aqui é um recanto. Por moleza do calor era que eu ficava a observar. Nesse dia, nada vezes

nada. De enfastiado e sem-graça, é que eu comia demais. Do almoço, empós, me remitia, em

rede, em quarto.”

O texto acima pertence a um conto que, pelo trabalho com a linguagem e pelo espaço da

ação, pode ser identificado como um trecho de:

a) Raul Pompéia, narrado em primeira pessoa, na qual o autor traça um momento de sua

autobiografia.

b) Guimarães Rosa, narrado em terceira pessoa, explorando um cenário que não costuma

representar.

c) Guimarães Rosa, narrado em primeira pessoa, focando o universo cultural que mais lhe

interessou.

d) Dalton Trevisan, narrado em primeira pessoa, explorando o cenário que costuma representar.

e) Dalton Trevisan, narrado em terceira pessoa, focando um universo cultural que pouco

explorou.

84.UFPE

“— Severino retirante,

Deixe agora que lhe diga:

Eu não sei bem a resposta

Da pergunta que fazia

Se não vale mais saltar

Fora da ponte e da vida:

Nem conheço essa resposta,

Se quer mesmo que lhe diga;

Ainda mais quando ela é

Esta que vê, severina;

Mas se responder não pude

à pergunta que fazia,

Ela, a vida, a respondeu

Com sua presença viva.”

MELO NETO, João Cabral de. Morte e vida severina.

Sobre o poema de João Cabral, assinale a alternativa incorreta.

a) Escrito em versos, é um auto de Natal nordestino e tem como personagem principal,

Severino, um favelado recifense, que quer saltar “fora da ponte e da vida”.

b) Os versos transcritos representam a voz de outro personagem (seu José, o mestre Carpina),

que dá a Severino alguma esperança.

c) “A vida a respondeu com sua presença viva” é alusão ao filho recém-nascido de seu

José.

d) A expressão severina (formada por derivação imprópria) significa aqui, anônimo, igual

aos demais, e realça a linguagem despojada do texto.

e) A poesia de Cabral é engajada com o seu meio, embora contida, chegando a demonstrar

desprezo pela confissão sentimental.

85.U. Salvador-BA

“Os vazios do homem não sentem ao nada

do vazio qualquer: do do casaco vazio,

do da saca vazia (que não ficam de pé

quando vazios, ou o homem com vazios);

os vazios do homem sentem a um cheio

de uma coisa que inchasse já inchada;

ou ao que deve sentir, quando cheia,

uma saca: todavia não, qualquer saca.

Os vazios do homem, esse vazio cheio,

não sentem ao que uma saca de tijolos,

uma saca de rebites; nem têm o pulso

que bate numa de sementes, de ovos.”

NETO, João Cabral de Melo. Poesias completas (1940-1965), 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975, p. 37.

Considerando o estilo de João Cabral de Melo Neto, marque V para as características

presentes no texto e F, para as demais.

( ) Lirismo sentimental.

( ) Denúncia social em tom eloqüente.

( ) Temática universalizante.

( ) Linguagem marcada pela concisão.

( ) Exploração da polissemia do signo verbal.

86. Unifor-CE

“Vejo através da janela de meu trem

os domingos das cidadezinhas,

com meninas e moças,

e caixeiros engomados que vêm olhar

os passageiros empoeirados dos vagões.

(…)

Devo fazer um poema em louvor dessa estrada,

com todos os bemóis de minha alma lírica,

porque ela, na minha inocência de menino,

foi a minha primeira mestra na paisagem.”

Os versos acima são parte de um poema modernista de Jorge de Lima. Em relação a esses

versos, é correto afirmar:

I. Há neles (sobretudo nos cinco primeiros) um registro afetivo, descritivo, em tom coloquial.

II. Nos quatro últimos, o poeta se aproxima bastante do estilo da poesia parnasiana.

III. À época em que foram escritos, o trem representava um elemento da modernização do

cotidiano.

Está correto o que se afirma em:

a) III, somente.

b) I e II, somente.

c) I e III, somente.

d) II e III, somente.

e) I, II e III.

Texto para as questões 87 e 88.

“Confidência do Itabirano

Alguns anos vivi em Itabira.

Principalmente nasci em Itabira.

Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.

Noventa por cento de ferro nas calçadas.

Oitenta por cento de ferro nas almas.

E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,

vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,

é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora de ofereço:

esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil;

este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;

este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;

este orgulho, esta cabeça baixa…

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.

Hoje sou funcionário público.

Itabira é apenas uma fotografia na parede.

Mas como dói!”

Carlos Drummond de Andrade.

87.U. F. Juiz de Fora-MG Assinale o verso que melhor explica o título do poema:

a) “Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.”

b) “Noventa por cento de ferro nas calçadas.”

c) “este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;”

d) “de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.”

88.U. F. Juiz de Fora-MG Assinale a única relação CORRETA entre o fragmento de verso

e o comentário:

a) “… o hábito de sofrer…” – permanência da herança romântica;

b) “… que ora te ofereço…” – o poeta dirige-se a um hipotético itabirano;

c) “Tive ouro, tive gado…” – referência a uma origem aristocrática rural;

d) “este couro de anta…” – o poeta lamenta a destruição da natureza.

89.UFMG Todos os seguintes versos, de Antologia poética, contêm uma reflexão sobre o

fazer literário, EXCETO

a) Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra.

b) As palavras não nascem amarradas, / elas saltam, se beijam, se dissolvem.

c) Penetra surdamente no reino das palavras, lá estão os poemas que esperam ser escritos.

d) Que é poesia, o belo? Não é poesia, / e o que não é poesia não tem fala.

90.UFMG Com base na leitura de Antologia poética, é INCORRETO afirmar que a poesia

de Carlos Drummond de Andrade apresenta temas

a) explicitamente políticos.

b) freqüentemente autobiográficos.

c) marcadamente existenciais.

d) preponderantemente negativistas.

91.U. F. Uberlândia-MG “Não deixarei de mim nenhum canto radioso, uma voz matinal

palpitando na bruma e que arranque a alguém seu mais secreto espinho.”

A partir do fragmento do poema “Legado”, de Carlos Drummond de Andrade, só NÃO se

pode afirmar que:

a) há no poema a questão da metalinguagem.

b) o poeta avalia modestamente sua obra.

c) trata-se de uma consciência poética moderna.

d) o poema pode ajudar a abrandar as dores da alma.

92.U. F. Viçosa-MG

“No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.”

ANDRADE, Carlos Drummond de. Carlos Drummond de Andrade: poesia e prosa.

8. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. p. 15.

No fragmento anterior observamos algumas tendências do Modernismo. Assinale a alternativa

que NÃO corresponde às características modernistas evidenciadas no poema:

a) a visão dinâmica da vida expressa por uma poética de tendência exclusivamente futurista.

b) o jogo rítmico, refletindo o estado psicológico do movimento.

c) a linguagem coloquial e a rejeição do verso perfeito dos parnasianos.

d) a experimentação lingüística expressa no verso intencionalmente repetitivo.

e) o tom revolucionário, expressivo da preocupação do poeta com o homem e sua problemática

político-social.

93.UFMG Com relação aos contos “A terceira margem do rio” e “Partida do audaz navegante”,

de Primeiras estórias, de João Guimarães Rosa, é INCORRETO afirmar que ambos

constituem narrativas que

a) focalizam uma situação de separação vivida pelas personagens.

b) se constroem a partir da focalização de uma situação familiar.

c) se constroem a partir do ponto de vista de um narrador em primeira pessoa.

d) se constroem a partir do ponto de vista infantil de um narrador-menino.

94. F. I. de Vitória-ES Em um dos contos de Primeiras Estórias, o narrador dirige-se a um

interlocutor presente, cujas falas não são registradas, e, empregando linguagem pretensiosa,

põe em questão a identidade do homem e o sentido da vida; em outro, o foco-narrativo

situa-se na relação entre o letrado e o iletrado, extraindo-se dessa efeitos de surpresa e

humor, por causa do significado de uma palavra. Os contos são, respectivamente:

a) “A terceira margem do rio” e “O espelho”.

b) “O espelho” e “Famigerado”.

c) “A terceira margem do rio” e “Famigerado”.

d) “O espelho” e “Pirlimpsiquice”.

e) “Pirlimpsiquice” e “Famigerado”.

95.U. F. Uberlândia-MG

“… E foi assim que no grande parque do colégio lentamente comecei a aprender a ser amada,

suportando o sacrifício de não merecer, apenas para suavizar a dor de quem não ama”.

LISPECTOR, Clarice. “Os desastres de Sofia”.

A partir do fragmento do conto, e considerando a obra como um todo, assinale a alternativa

INCORRETA:

a) O tema desse conto é o envolvimento amoroso violento vivido por uma adolescente e

um adulto.

b) Os processos de aprendizagem permanente, essencial para a vida, estão sempre presentes

na obra de Clarice.

c) A infância e a adolescência são temas que se destacam em Felicidade Clandestina.

d) Sofia, nesse conto, detém uma sabedoria em progresso que ela trata de associar com a

intuição feminina.

96. UFR-RJ Mário Quintana teria, para alguns historiadores de literatura brasileira, encontrado

fórmulas felizes de humor, sem ter saído do clima neo-simbolista que condicionara sua

formação.

A respeito do poeta pode-se afirmar que

a) pertenceu à mesma geração de Drummond.

b) pertenceu ao primeiro momento do modernismo.

c) ao lado de Cruz e Souza, representa a expressão máxima do nosso simbolismo.

d) sua poesia caracteriza-se por um extremo rigor parnasiano.

e) é um legítimo representante da poesia paulista.

97.UFSM Em obras, como Libertinagem, ……… compõe versos que, por trás da aparente

………, expressam fortes sentimentos a respeito da ……… .

Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas.

a) Manuel Bandeira – simplicidade – condição humana

b) Mário Quintana – simplicidade – vida na cidade

c) Carlos Drummond de Andrade – dificuldade – vida na cidade

d) Manuel Bandeira – formalidade – vida no campo

e) Mário Quintana – dificuldade – condição humana

98. PUC-RS Em relação a Carlos Drummond de Andrade, é correto afirmar que:

a) participou entusiasticamente das atividades culturais da chamada Geração de 22.

b) buscou o nacionalismo primitivista através do aproveitamento de material folclórico.

c) produziu uma poesia intimista, resignada diante dos valores burgueses.

d) sua prosa, fragmentada, repleta de imagens e de figuras de estilo, aproxima-se da

poesia.

e) seu ecletismo temático harmoniza-se com o domínio das nuanças da palavra.

99. PUC-RS Relacione as colunas:

1. Carlos Drummond de Andrade.

2. Manuel Bandeira.

3. João Cabral de Melo Neto.

( ) busca da simplicidade e da humildade, exemplificada pelo título “Poema do beco”.

( ) comparação entre as paisagens nordestinas, que inspiram o título Agrestes, e as espanholas,

que inspiram o título Sevilha andando.

( ) memorialismo e ambientação em paisagens interioranas, como em Boitempo.

a) 2, 3, 1.

b) 1, 2, 1.

c) 1, 3, 2.

d) 2, 2, 1.

e) 3, 2, 2.

INSTRUÇÃO: Para responder à questão 100, ler o texto que segue.

“Lá adiante, em plena estrada, o pasto se enramava, e uma pelúcia verde, verde e macia, se

estendia no chão até perder de vista.

A caatinga despontava toda em grelos verdes […]

Insetos cor de folha — esperanças — saltavam sobre a grama.

[…]

Mas a triste realidade duramente ainda recordava a seca.

Passo a passo, na babugem macia, carcaças sujas maculavam a verdura.

Reses famintas, esquálidas, magoavam o focinho no chão áspero, que o mato ainda tão curto

mal cobria, procurando em vão apanhar nos dentes os brotos pequeninos.”

100. PUC-RS Trata-se de trecho de ………, de Rachel de Queiroz — obra que se caracteriza

pela ………, evidenciando a consciência crítica da autora acerca do problema da seca. É

dessa forma que a obra se associa ao que se convencionou denominar de romance ……….

a) Fogo Morto irreverência regionalista

b) O Quinze denúncia de vanguarda

c) São Bernardo verossimilhança nacionalista

d) O Quinze verossimilhança de 30

e) Jubiabá denúncia regionalista

101. U. Caxias do Sul-RS Considere as proposições sobre Mário de Andrade.

I. Em sua obra, recria, em prosa e verso, mitos do folclore nacional.

II. Seus contos centram-se no homem do campo, enquanto a poesia reflete a temática

urbana.

III. A correspondência mantida com escritores contemporâneos tornou-se parte significativa

de sua obra.

Com base nas afirmações acima, é certo concluir que:

a) apenas a I está correta.

b) apenas a II está correta.

c) apenas a III está correta.

d) apenas a I e a III estão corretas.

e) a I, a II e a III estão corretas.

Texto para as questões 102 e 103:

“Fabiano ia satisfeito. Sim senhor, arrumara-se. Chegara naquele estado, com a família morrendo

de fome, comendo raízes. Caíra no fim do pátio, debaixo de um juazeiro, depois tomara conta

da casa deserta. Ele, a mulher e os filhos tinham-se habituado à camarinha escura, pareciam ratos

— e a lembrança dos sofrimentos passados esmorecera (…).

— Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta.

Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar

só. E, pensando bem, ele não era um homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas

dos outros. (…) Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos alguém tivesse percebido a

frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando:

— Você é um bicho, Fabiano.

Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, um bicho capaz de vencer dificuldades”.

102. FEI-SP Pode-se reconhecer nesse fragmento:

a) a linguagem oral e carregada de expressões de origem indígena do romance Macunaíma,

de Mário de Andrade, um dos marcos do Modernismo brasileiro.

b) um retrato alegórico do sertão, realizado com as inovações lingüísticas características

de Grande Sertão: Veredas, escrito por Guimarães Rosa.

c) o tema da miséria nordestina retratado em Vidas Secas, de Graciliano Ramos, representante

da prosa regionalista da segunda geração modernista.

d) o enaltecimento das riquezas naturais do Brasil, típico do Romantismo, em particular

na obra O Guarani, de José de Alencar.

e) a intenção de analisar e conhecer cientificamente o povo nordestino e seu ambiente,

objetivo de Os Sertões, de Euclides da Cunha.

103. FEI-SP Observe as palavras sublinhadas no texto: “ele”, “você” e “alguém”. Assinale a

alternativa que analise corretamente sua classe morfológica:

a) pronome pessoal do caso oblíquo – pronome demonstrativo – pronome relativo.

b) pronome pessoal do caso oblíquo – pronome possessivo – pronome demonstrativo.

c) pronome demonstrativo – pronome de tratamento – pronome pessoal do caso reto.

d) pronome pessoal do caso reto – pronome demonstrativo – pronome relativo.

e) pronome pessoal do caso reto – pronome de tratamento – pronome indefinido104. PUC-SP

“O mulungu do bebedouro cobria-se de arribações. Mau sinal, provavelmente o sertão ia pegar

fogo. Vinham em bandos, arranchavam-se nas árvores da beira do rio, descansavam, bebiam e,

como em redor não havia comida, seguiam viagem para o Sul. O casal agoniado sonhava desgraças.

O sol chupava os poços, e aquelas excomungadas levavam o resto da água, queriam matar o

gado. (…) Alguns dias antes estava sossegado, preparando látegos, consertando cercas. De repente,

um risco no céu, outros riscos, milhares de riscos juntos, nuvens, o medonho rumor de asas

a anunciar destruição. Ele já andava meio desconfiado vendo as fontes minguarem. E olhava com

desgosto a brancura das manhãs longas e a vermelhidão sinistra das tardes. (…)”

O trecho acima é de Vidas Secas, obra de Graciliano Ramos. Dele é incorreto afirmar-se

que

a) prenuncia nova seca e relata a luta incessante que os animais e o homem travam na

constante defesa da sobrevivência.

b) marca-se por fatalismo exagerado, em expressão como “o sertão ia pegar fogo”, que

impede a manifestação poética da linguagem.

c) atinge um estado de poesia, ao pintar com imagens visuais, em jogo forte de cores, o

quadro da penúria da seca.

d) explora a gradação, como recurso estilístico, para anunciar a passagem das aves a caminho

do Sul.

e) confirma, no deslocamento das aves, a desconfiança iminente da tragédia, indiciada

pela “brancura das manhãs longas e a vermelhidão sinistra das tardes”.

105. Fuvest-SP Um escritor classificou Vidas Secas como “romance desmontável”, tendo em

vista sua composição descontínua, feita de episódios relativamente independentes e seqüências

parcialmente truncadas. Essas características da composição do livro

a) constituem um traço de estilo típico dos romances de Graciliano Ramos e do Regionalismo

nordestino.

b) indicam que ele pertence à fase inicial de Graciliano Ramos, quando este ainda seguia

os ditames do primeiro momento do Modernismo.

c) diminuem o seu alcance expressivo, na medida em que dificultam uma visão adequada

da realidade sertaneja.

d) revelam, nele, a influência da prosa seca e lacônica de Euclides da Cunha, em Os sertões.

e) relacionam-se à visão limitada e fragmentária que as próprias personagens têm do mundo.

106. Fuvest-SP Em Vidas secas e em Morte e vida severina, os retirantes Fabiano e Severino

a) são quase desprovidos de expressão verbal, o que lhes dificulta a comunicação até mesmo

com os mais próximos.

b) encontram na relação carinhosa com os filhos sua única fonte permanente de ternura

em um meio hostil.

c) surgem como flagelados, que fogem das regiões secas, mas se decepcionam quando

chegam ao Recife.

d) são homens rústicos e incultos, que não possuem habilidades técnicas ou ofícios que

lhes permitam trabalhar.

e) aparecem como oprimidos tanto pelo meio agreste quanto pelas estruturas sociais.

107. Fuvest-SP

I. Em Vidas secas, a existência dos seres oprimidos e necessitados é apresentada como

um mundo fechado, no qual os sonhos e esperanças são ilusões; já em Primeiras

estórias, na vida de carências e opressões, algumas vezes abrem-se brechas que dão

lugar à solidariedade, ao humor e aos sonhos realizáveis.

II. Em Primeiras estórias, o homem rústico, dotado de cultura oral-popular, já se encontra

ausente; em Vidas secas, ele ainda ocupa o centro da narrativa.

III. Em Vidas secas, a visão de mundo das personagens infantis é parte importante da

narrativa; já naqueles contos de Primeiras estórias em que elas surgem, a percepção

da criança não se mostra importante ou reveladora.

A oposição entre Vidas secas e Primeiras estórias está correta apenas em

a) I.

b) II.

c) I e II.

d) I e III.

e) II e III.

108. Mackenzie-SP “O nome de Diadorim, que eu tinha falado, permaneceu em mim. Me

abracei com ele. Mel se sente é todo lambente — ‘Diadorim, meu amor…’ Como era que

eu podia dizer aquilo? Explico ao senhor: como se drede fosse para eu não ter vergonha

maior, o pensamento dele que em mim escorreu figurava diferente, um Diadorim assim

meio singular, por fantasma, apartado completo do viver comum, desmisturado de todos,

de todas as outras pessoas — como quando a chuva entre-onde-os-campos.”

Assinale a afirmação INCORRETA sobre a obra da qual se extraiu o fragmento acima.

a) Retrata determinada região do sertão brasileiro e também tematiza questões universais.

b) Apresenta a travessia do sertão como metáfora da travessia da vida.

c) Atribui novos sentidos a palavras usuais.

d) Reproduz com fidelidade o linguajar do sertão mineiro.

e) Explora recursos comuns à poesia, tais como o ritmo, as aliterações, as metáforas.

109. Fuvest-SP Um dos recursos expressivos de Guimarães Rosa consiste em deslocar palavras

da classe gramatical a que elas pertencem. Destas frases de “Sorôco, sua mãe, sua

filha”, a única em que isso não ocorre é:

a) “… os mais detrás quase que corriam. Foi o de não sair mais da memória”.

b) “… não queria dar-se em espetáculo, mas representava de outroras grandezas”.

c) “… mas depois puxando pela voz ela pegou a cantar”.

d) “… sem jurisprudência, de motivo nem lugar, nenhum, mas pelo antes, pelo depois”.

e) “… ela batia com a cabeça, nos docementes”.

1. 06

2. V-F-F-F

3. D

4. F-V-V-F

5. 07

6. F-V-V-F-V

7. 29

8. F-V-V

9. V-F-F-V-V

10.V-V-F-F-V-F

11. 29

12.C

13.B

14.B

15. 13

16.B

17. E

18.D

19.B

20. E

21.D

22. 42

23.A

24.B

25.B

26.A

27.D

28.B

29.A

30.A

31. E

32. B

33. E

34. B

35. B

36. B

37.V-V-F-V-V

38. F-F-F-F-V

39. V-V-F

40. 13

41. F-V-V-V

42.D

43. F-F-V-F

44. 14

45. C

46.A

47. C

48. E

49. E

50. E

51.D

52. B

53. B

54.A

55.A

56. E

57. a) São diversas as características românticas do poema 1 que poderiam ser citadas:

— Nacionalismo;

— Saudosismo:

— Exaltação da natureza americana;

— Retomada da redondilha.

Quanto ao poema 2, poderia-se citar:

— Não segue a estrutura sintática tradicional;

— Exploração do significante lingüístico, que pode ter diferentes significados.

b) Sim, o texto 2 está relacionado intertextualmente com o 1, retomando o tema deste.

GABARITO

IMPRIMIR

Voltar Avançar

2

Língua Portuguesa - Pré-modernismo/modernismo

58. a) Pode-se citar como recurso modernista presente em ambos os textos, a paródia. Trata,

nos poemas, de uma paródia das ideologias ligadas à cultura do poder. Em “Política Literária”,

a transformação da poesia em política não acrescenta nada à poesia; em “Anedota

Búlgara”, satiriza-se a intolerância e a violência disfarçadas em gosto e predileção A oralidade,

o verso livre e sem ornamentos, a conclusão final chocante (peripécia) e o bom de

deboche contra tudo o que não se apresente vivo ou espontâneo na cultura e na sociedade

são outros recursos utilizados no poema que contribuem para garantir o efeito pretendido.

b) Não, a afirmação não pode ser atribuída aos poemas em questão, pois o humorismo

destes não se esgota em si mesmo; a sensação de humor não se dá apenas instantaneamente,

mas enquanto os fatos presentes, e satirizados, do poema, existirem.

59.C

60.C

61. E

62.D

63. E

64.A

65.B

66. E

67. E

68.B

69.D

70.A

71.D

72.C

73.D

74.D

75.A

76.D

77.C

78. E

79.D

80.B

81.D

82.C

83.C

84.A

85. F-F-V-V-V

86.C

87.A

88.C

89.A

90.D

91.D

92.C

93.D

94.B

95.A

96.A

97.A

98. E

99. A

100. D

101. E

102. C

103. E

104. B

105. E

106. E

107. A

108. D

109. C

 

ROM A NT ISM O

3. F. Católica de Salvador-BA Observa-se a inversão, como recurso estilístico, no verso:

a) “A flor dizia em vão”

b) “Mas não me deixes, não.”

c) “E a corrente passava”

d) “Dizia sempre a flor, e sempre embalde”

e) “Leva-a do seu torrão”

Para responder as questões 4 e 5, leia atentamente os textos abaixo:

Lira XXII

Nesta triste masmorra,

de um semi-vivo corpo sepultura,

inda, Marília, adoro

a tua formosura.

Amor na minha idéia te retrata;

busca, extremoso, que eu assim resista

À dor imensa, que me cerca e mata.”

Tomás Antônio Gonzaga.

Perdoa-me, visão de meus amores

Perdoa-me, visão dos meus amores,

Se a ti ergui meus olhos suspirando!...

Se eu pensava num beijo desmaiando

Gozar contigo uma estação de flores!

De minhas faces os mortais palores,

Minha febre noturna delirando,

Meus ais, meus tristes ais vão revelando

Que peno e morro de amorosas dores...”

Álvares de Azevedo.

4. U.F. Juiz de Fora-MG Depois de ler comparativamente os dois textos acima, assinale a

alternativa inaceitável:

a) Em ambos os poemas o eu sucumbe e morre em conseqüência do sofrimento amoroso.

b) No poema de Gonzaga, a idéia funciona como uma tentativa racional de vencer a dor.

c) No poema de Álvares de Azevedo, a razão nada pode contra o sentimentalismo exacerbado.

d) Em ambos os poemas, o eu refere-se ao passado a partir da dor do presente.

5. U.F. Juiz de Fora-MG Em que verso se encontra referência direta ao contexto histórico

biográfico?

a) “Que peno e morro de amorosas dores”.

b) “À dor imensa que me cerca e mata”.

c) “Nesta triste masmorra”.

d) “Se a ti ergui meus olhos suspirando”.

6. U.E. Ponta Grossa-PR A poesia romântica brasileira, em seus diversos momentos, apresenta

como características:

01. escapismo e subjetivismo;

02. naturalismo e pitoresco;

04. nacionalismo e religiosidade;

08. socialismo e ilogismo;

16. imaginação criadora e amor à natureza.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

Instrução: Para responder às questões 7 e 8, ler o texto que segue.

As Três Irmãs do Poeta

É noite! As sombras correm nebulosas.

Vão três pálidas virgens silenciosas

Através da procela irriquieta.

Vão três pálidas virgens... vão sombrias

Rindo colar um beijo as bocas frias...

Na fronte cismadora do – Poeta –

‘Saúde, irmão! Eu sou a Indiferença.

Sou eu quem te sepulta a idéia imensa,

Quem no teu nome a escuridão projeta...

Fui eu que te vesti do meu sudário...,

Que vais fazer tão triste e solitário?...’

– ‘Eu lutarei’ – responde-lhe o Poeta.

‘Saúde, meu irmão! Eu sou a Fome.

Sou eu quem o teu negro pão consome...

O teu mísero pão, mísero atleta!

Hoje, amanhã, depois... depois (qu’importa?)

Virei sempre sentar-me à tua porta...

– ‘Eu sofrerei’ – responde-lhe o Poeta.

‘Saúde, meu irmão! Eu sou a Morte.

Suspende em meio o hino augusto e forte.

Volve ao nada! Não sentes neste enleio

Teu cântico gelar-se no meu seio?!’

– ‘Eu cantarei no céu’ – diz-lhe o Poeta!”

Instrução: Para responder à questão 7, analisar as afirmativas que seguem, sobre o texto.

I. Mostra a estreita convivência do poeta com a indiferença, com a fome e com a

morte.

II. Expressa a força do poeta através de sua capacidade de superar mesmo a morte.

III. Idealiza a função do poeta, uma vez que esta ultrapassa a condição humana.

IV. Pertence ao movimento literário denominado Romantismo.

7. PUC-RS Pela análise das afirmativas, conclui-se que está correta a alternativa:

a) I e II.

b) II e III.

c) II e IV.

d) III e IV.

e) I, II, III e IV.

8. PUC-RS O texto pode ser vinculado a uma tendência de expressão poética denominada:

a) subjetivismo.

b) ufanismo.

c) nacionalismo.

d) futurismo.

e) condoreirismo.

Texto para a questão 9.

Leito de folhas verdes

Por que tardas, Jatir, que tanto a custo

À voz do meu amor moves teus passos?

Da noite a viração, movendo as folhas,

Já nos cimos do bosque rumoreja.

Eu sob a copa da mangueira altiva

Nosso leito gentil cobri zelosa

Com mimoso tapiz de folhas brandas,

Onde o frouxo luar brinca entre flores.

Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,

Já solta o bagari mais doce aroma!

Como prece de amor, como estas preces,

No silêncio da noite o bosque exala.

Brilha a lua no céu, brilham estrelas,

Correm perfumes no correr da brisa,

A cujo influxo mágico respira-se

Um quebranto de amor, melhor que a vida!

A flor que desabrocha ao romper dalva

Um só giro do sol, não mais, vegeta:

Eu sou aquela flor que espero ainda

Doce raio do sol que me dê vida.

Sejam vales ou montes, lago ou terra,

Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,

Vai seguindo após ti meu pensamento;

Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!

Meus olhos outros olhos nunca viram,

Não sentiram meus lábios outros lábios,

Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas

A arasóia na cinta me apertaram.

Do tamarindo a flor jaz entreaberta,

Já solta o bogari mais doce aroma;

Também meu coração, como estas flores,

Melhor perfume ao pé da noite exala!

Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes

À voz do meu amor, que em vão te chama!

Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil

A brisa da manhã sacuda as folhas!”

Gonçalves Dias.

9. CEETPS-SP Assinale a alternativa correta com relação ao texto.

a) Principalmente pela manifestação de elementos simbólicos, tais como “luar”, “vales”,

“bosque” e “perfumes”, pode-se dizer que o poema muito se aproxima da estética

simbolista.

b) O poema romântico indianista recupera as antigas cantigas de amigo medievais, para

expressar o amor por meio da espera.

c) O poema de Gonçalves Dias demonstra profunda influência renascentista, recebida

principalmente de Camões.

d) Apesar da intensa presença da natureza, o poema em questão já se aproxima do parnasianismo,

pela presença dos elementos mitológicos.

e) Mesmo sendo romântico, notam-se ainda no poema, os aspectos marcantes do Arcadismo,

principalmente no que diz respeito ao bucolismo.

10. UEGO Assinale V, para os itens verdadeiros, e F, para os falsos.

O romance Lucíola, de José de Alencar permite entrever várias características do Romantismo:

( ) Observa-se uma preocupação em não ferir o tradicionalismo e as convenções familiares

da época, realçando seus preceitos e preconceitos.

( ) O amor é visto unicamente sob o aspecto da sexualidade e apresentado como uma

mera satisfação de instintos animais.

( ) Uma das formas com que Alencar conciliou a impossibilidade de união entre os

dois grupos distintos, o marginal e o burguês, foi trabalhar a dualidade, colocando

na mesma mulher as imagens de virgem, de Maria da Glória e da cortesã, Lúcia.

( ) O romance Lucíola ambienta-se na época do autor e retrata os costumes da sociedade

carioca do Segundo Reinado.

( ) Observa-se neste romance a atitude romântica de eleger a prostituta como centro da

narrativa, procurando justificar suas dores e compreendendo o tipo de vida que levava.

11. Unifor-CE Nossos primeiros escritores nacionalistas – Gonçalves Dias e José de Alencar

entre eles – voltaram seus olhos sobre nossas raízes históricas-culturais, buscando

nelas aspectos heróicos, dignos de alta expressão literária. É o que se pode verificar

quando se lêem, dos dois autores citados, respectivamente, as obras:

a) Senhora e Lira dos Vinte Anos;

b) Quincas Borba e Os Escravos;

c) Ressurreição e O Navio Negreiro;

d) O Mulato e Canção do Exílio;

e) I - Juca Pirama e O Guarani.

12. UFSE No período romântico brasileiro, os aspectos estéticos e os históricos ligaram-se

de modo especialmente estreito e original: entre nós, o Romantismo deu expressão à

consolidação da Independência, à afirmação de uma nova Nação e à busca das raízes

históricas e míticas de nossa cultura – características que se encontram amplamente:

a) na poesia de Gonçalves de Magalhães influenciada pela de Gonçalves Dias;

b) nos romances urbanos da primeira fase de Machado de Assis;

c) nos romances de costumes de Joaquim Manuel de Macedo;

d) na lírica confidencial de Álvares de Azevedo e de Casimiro de Abreu;

e) na ficção regionalista e indianista de José de Alencar.

13. U.F. Uberlândia-MG Existem diferenças básicas entre a paisagem retratada pelos árcades

e a paisagem retratada pelos românticos.

Escolha a alternativa correta que define essas duas paisagens:

a) A paisagem romântica é amena e monótona e a paisagem árcade é sempre graciosa e

fulgurante.

b) A paisagem árcade é bucólica e a paisagem romântica é ainda mais bucólica, devido

aos exageros do eu-lírico.

c) A paisagem romântica reflete os sentimentos do eu-lírico, enquanto a paisagem árcade

é harmoniosa, alheia ao eu-lírico.

d) A paisagem árcade é mais visual enquanto a paisagem romântica só é perceptível

através da leitura.

14. UFF-RJ Assinale o fragmento que não corresponde ao indianismo romântico:

a) “As leis da cavalaria no tempo em que floresceu em Europa não excediam por certo

em pundonor e brios à bizarria dos selvagens brasileiros.” (José de Alencar).

b) “Não há hoje a menor razão porque desconheçamos a importância da parte indígena

na população do Brasil; e menos ainda para que apaixonados declamemos contra selvagens

que por direito natural defendiam a sua liberdade, independência e as terras

que ocupavam.” (Gonçalves de Magalhães).

c) “Imaginei um poema... como nunca ouviste falar de outro: guerreiros diabólicos, mulheres

feiticeiras, sapos e jacarés sem conta: enfim, um gênesis americano, uma Ilídia

Brasileira, uma criação recriada.” (Gonçalves Dias).

d) “É certo que a civilização brasileira não está ligada ao elemento indiano nem dele

recebeu influxo algum; e isto basta para não ir buscar entre as tribos vencidas os

títulos da nossa personalidade literária.” (Machado de Assis).

e) “O maravilhoso, tão necessário à poesia, encontrar-se-á nos antigos costumes desses

povos [indígenas], como na força incompreensível de uma natureza constantemente

mutável em seus fenômenos.” (Ferdinand Denis).

15. UFRS Leia o texto abaixo.

............... é um tema dominante na poesia ............... de cunho romântico no Brasil; nela, a

mulher é freqüentemente ............... sob o olhar apaixonado do poeta, que usa ............... como

termo de comparação capaz de expressar a intensidade dos seus sentimentos.

Assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas desse texto.

a) O amor – nacionalista – homenageada – a religião

b) A pátria – sentimental – martirizada – o mito

c) O amor – intimista – idealizada – a natureza

d) A infância – histórica – divinizada – a Idade Média

e) A morte – nacionalista – humilhada – a música

16. UFRS Leia o texto abaixo.

“Uma das facetas do Romantismo é conceber o poeta como um gênio inspirado, dono de uma

sensibilidade extraordinária. Isso faz com que ele expresse suas idéias e emoções de uma forma

original e seja capaz de revelar realidades inacessíveis ao homem comum.”

Dos exemplos citados abaixo, identifique aquele(s) que expressa(m) a concepção acima.

I. “Meia-noite soou na floresta

No relógio de sino de pau;

E a velhinha, rainha da festa,

Se assentou sobre o grande jirau.”

(Bernardo Guimarães)

II. “Se é vate quem acesa a fantasia

Tem de divina luz na chama eterna;

Se é vate quem do mundo o movimento

Co’o movimento das canções governa;

(...)

Se é vate quem dos povos, quando fala,

As paixões vivifica, excita o pasmo.”

(Laurindo Rabelo)

III. “Tenho medo de mim, de ti, de tudo,

Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes,

Das folhas secas, do chorar das fontes,

Das horas longas a correr velozes.

(...)

O véu da noite me atormenta em dores,

A luz da aurora me intumesce os seios,”

(Casemiro de Abreu)

Quais exemplos correspondem à concepção citada?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas I e II.

d) Apenas II e III.

e) I, II e III.

17. FUVEST-SP

“Assim, o amor se transformava tão completamente nessas organizações*, que apresentava

três sentimentos bem distintos: um era uma loucura, o outro uma paixão, o último uma religião.

…………… desejava; …………… amava; …………… adorava.”

(*organizações = personalidades)

ALENCAR, José de. O Guarani.

Neste excerto de O Guarani, o narrador caracteriza os diferentes tipos de amor que três

personagens masculinas do romance sentem por Ceci. Mantida a seqüência, os trechos

pontilhados serão preenchidos corretamente com os nomes de

a) Álvaro / Peri / D. Diogo.

b) Loredano / Álvaro / Peri.

c) Loredano / Peri / D. Diogo.

d) Álvaro / D. Diogo / Peri.

e) Loredano / D. Diogo / Peri.

18. UEMS Assinale a única alternativa verdadeira sobre José de Alencar e sua obra

Senhora:

a) ainda que considerando romântico, através da Senhora, Alencar revela traços realistas;

constrói uma personagem feminina sem tantas idealizações e já indica o caminho

da crítica social;

b) juntamente com Diva e Iracema, Senhora completa a série considerada de perfis femininos

que o autor utiliza para a composição da crônica de costumes brasileiros;

c) O enredo de Senhora baseia-se na história de uma moça pobre, Lúcia Camargo que,

após ser abandonada por Fernando Seixas, recebe uma herança e vinga-se: “compra”

de volta o ambicioso noivo;

d) Fernando, após o casamento, vê-se desprezado e humilhado pela esposa; arrependido,

trabalha e consegue juntar os mil contos do dote para devolução, mas o casamento, já

comprometido, é desfeito;

e) Alencar, numa tentativa de representar por completo o Brasil, escreveu romances indianistas

e urbanos, porém nunca se valeu da composição regionalista e, assim, não

atingiu seu intento.

Texto para as questões 19 e 20.

“Logo após a vitória, o cristão tornara às praias do mar, onde havia construído sua cabana e

onde o esperava a terna esposa. De novo sentiu em sua alma a sede do amor; e tremia de pensar

que Iracema houvesse partido, deixando ermo aquele sítio tão povoado outrora pela felicidade.

Como a seca várzea com a vinda do inverno reverdece e se matiza de flores, a formosa filha do

sertão com a volta do esposo reanimou-se; e sua beleza esmaltou-se de meigos e ternos sorrisos.

Outra vez sua graça encheu os olhos do cristão, e a alegria voltou a habitar em sua alma.

O cristão amou a filha do sertão como nos primeiros dias, quando parece que o tempo nunca

poderá estancar o coração. Mas breves sóis bastaram para murchar aquelas flores de uma alma

exilada da pátria.

O imbu, filho da serra, se nasce da várzea porque o vento ou as aves trouxeram a semente,

vinga, achando boa terra e fresca a sombra; talvez um dia cope a verde folhagem e enflore. Mas

basta um sopro do mar, para tudo murchar. As folhas lastram o chão; as flores, leva-as a brisa.

Como o imbu na várzea, era o coração do guerreiro branco na terra selvagem. A amizade e o

amor o acompanharam e fortaleceram durante algum tempo, mas agora longe de sua casa e de

seus irmãos, sentia-se no ermo. O amigo e a esposa não bastavam mais à sua existência, cheia de

grandes desejos e nobres ambições.

Passava os já tão breves, agora longos sóis, na praia, ouvindo gemer o vento e soluçar as ondas.

Com os olhos engolfados na imensidade do horizonte, buscava, mas embalde, descobrir no azul

diáfano a alvura de uma vela perdida nos mares.”

ALENCAR, José de. Iracema. São Paulo: Scipione. 1994. p. 56.

19. UFBA A leitura do fragmento e do romance de onde foi extraído permite afirmar:

01. O aproveitamento da fauna e da flora americana fixa e valoriza a cor local, seguindo

uma tendência da época em que a obra foi escrita.

02. Os personagens atuam impulsionados por sentimentos que os levam à prática de atos

grandiosos ou de ações aviltantes que os caracterizam, respectivamente, como heróis

ou como vilões.

04. A amizade entre Poti e Martim é reveladora do objetivo do autor de mostrar o colonizador

como amistoso e cordial.

08. O movimento da narrativa é retardado pela inserção desse episódio de reencontro

entre Iracema e Martim, fato inteiramente alheio à seqüência dos acontecimentos

que constituem o enredo.

16. A atitude contemplativa de Martim pode ser considerada fortuita, sem qualquer conseqüência

para o desenrolar da trama.

32. A ação se transfere das praias do mar para o seio da floresta, onde ocorre o desfecho

da história de amor de que trata o romance.

64. A razão que leva a filha da floresta e o guerreiro branco a se exilarem justifica, para

ambos, a firmeza de permanecer em terra estranha.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

20. UFBA Com relação à linguagem, existe uma explicação adequada em:

01. A expressão “sede do amor” difere de sede de amor, já que a primeira dá idéia de

concretude, enquanto a segunda, de abstração do sentimento amoroso.

02. A comparação entre a várzea e a filha do sertão remete, respectivamente, à chegada

do inverno e à volta do esposo, ambas com função revitalizadora.

04. A oração “para murchar aquelas flores de uma alma exilada da pátria” exprime a

conseqüência da ação do tempo no estado de ânimo do guerreiro branco.

08. A comparação presente no primeiro período do penúltimo parágrafo, evidencia a

fragilidade do amor do guerreiro por sua pátria e a resistência do imbu na várzea.

16. O trecho “os já tão breves, agora longos sóis” contém idéias antitéticas que estão

relacionadas com a mudança de estado de espírito experimentada pelo cristão.

32. O termo “embalde” expressa a incerteza da realização da ação de “buscava”.

64. As palavras “diáfano” e “alvura” referem-se a um mesmo nome.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

21. UFF-RJ Na literatura, a visão romântica representativa da mulher é a de uma figura

idealizada, frágil e inatingível.

Assinale a opção em que a visão da mulher não se enquadra nesta característica:

a) “Ah! Vem, pálida virgem, se tens pena

De quem morre por ti, e morre amando.

Dá vida em teu alento à minha vida,

Une nos lábios meus minha alma à tua!” (Álvares de Azevedo)

b) “Anjos longiformes

De faces rosadas

E pernas enormes

Quem vos acompanha?” (Vinícius de Moraes)

c) “Anjo no nome, Angélica na cara!

Isso é ser flor, e Anjo juntamente:

Ser Angélica flor e anjo florente,

Em quem, senão em vós se uniformara.” (Gregório de Matos)

d) “Minha mãe cozinhava exatamente:

arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas.

Mas cantava.” (Adélia Prado)

e) “Baixas do céu num vôo harmonioso! ...

Quem és tu bela e branca desposada?

Da laranjeira em flor a flor nevada

Cerca-te a fronte ó ser misterioso! ...” (Castro Alves)

22. Cefet-PR Assinale a alternativa incorreta sobre o Romantismo.

a) O romance indianista de José de Alencar representa contestação política ao domínio

português.

b) Bernardo Guimarães foi o primeiro escritor regionalista brasileiro com o romance

Ermitão de Muquém.

c) O aproveitamento da linguagem do sertão é um dos traços marcantes da obra do Visconde

de Taunay.

d) A Moreninha garante a Joaquim Manuel de Macedo o pioneirismo na prosa romântica

brasileira.

e) Franklin Távora é considerado o criador da Literatura do Norte, região tida por ele

como a mais autenticamente brasileira.

23. UFRS Considere as afirmações abaixo, referentes ao romance romântico no Brasil.

I. A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, insere-se na linha primitivista da

corrente romântica, em que as personagens vivem em contato constante com a natureza.

II. Uma das fontes de inspiração do romance Memórias de um Sargento de Milícias, de

Manuel Antônio de Almeida, é a novela picaresca espanhola.

III. A heroína de A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, é mestiça; porém, na sua

apresentação inicial, são destacadas sua tez clara “como marfim” e sua beleza

“branca”.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas I e II.

d) Apenas II e III.

e) I, II e III.

O fragmento abaixo foi retirado do romance O Guarani. Leia-o com atenção e responda às

questões 24 a 27.

“O índio, antes de partir, circulou a alguma distância o lugar onde se achava Cecília, de uma

corda de pequenas fogueiras feitas de louro, de canela, urataí e outras árvores aromáticas.

Desta maneira tornava aquele retiro impenetrável; o rio de um lado, e do outro as chamas que

afugentariam os animais daninhos, e sobretudo os répteis; o fumo odorífero que se escapava das

fogueiras afastaria até mesmo os insetos. Peri não sofreria que uma vespa e uma mosca sequer

ofendesse a cútis de sua senhora, e sugasse uma gota desse sangue precioso; por isso tomara

todas essas precauções.”

24. FEI-SP O Guarani foi publicado em 1857 e na época gerou uma grande repercussão. O

autor desse romance é:

a) Machado de Assis.

b) Álvares de Azevedo.

c) José Lins do Rego.

d) José de Alencar.

e) Gonçalves Dias.

25. FEI-SP Sobre o romance, é possível afirmar que:

a) projeta um futuro trágico para o Brasil.

b) aponta para um tempo em que os indígenas recuperarão o território brasileiro e expulsarão

os brancos e negros.

c) defende a união entre negros e índios contra os colonizadores portugueses.

d) reconstitui acontecimentos históricos verídicos do período inicial da colonização do

Brasil.

e) pretende narrar a fundação de uma nova nação a partir da miscigenação entre brancos

e indígenas.

26. FEI-SP A propósito do trecho transcrito, é correto afirmar que:

I. A descrição do amor que Peri nutre por Ceci visa a criar uma imagem idealizada do

índio brasileiro.

II. O trecho descreve os conflitos entre o homem branco e o negro.

III. O autor pretende demonstrar a inferioridade do indígena brasileiro frente ao colonizador

europeu.

a) somente I está correta. d) I e III estão corretas.

b) somente III está correta. e) II e III estão corretas.

c) I e II estão corretas.

27. FEI-SP Em O Guarani, o autor procura valorizar as origens do povo brasileiro e transformar

certos personagens em heróis, com traços do caráter do “bom selvagem”: pureza,

valentia e brio. Essa tendência é típica do:

a) romance urbano.

b) romance regionalista.

c) romance indianista.

d) poemas épicos.

e) poemas históricos.

28. UEMS

Maldição

baudelaire macalé luiz melodia/ quanta maldição/ o meu coração não quer dinheiro/quer poesia/

baudelaire e macalé luiz melodia/ rimbaud a missão/ poeta e ladrão/ escravo da paixão sem

guia/ edgar allan poe tua mão na pia/ lava com sabão/ tua solidão/ tão infinita quanto o dia/

vicentinho van gogh luiza erundina/ voltem pro sertão/ pra plantar feijão/ tulipas para a burguesia/

baudelaire macalé luiz melodia/ waly salomão/ itamar assumpção/ o resto é perfumaria”

BALEIRO, Zeca. In: Vô imbolá, 1999.

Em sua música “Maldição”, Zeca Baleiro menciona Edgar Allan Poe (grande influência

para muitos escritores brasileiros, especialmente para uma das gerações do Romantismo).

Uma das obras em que podemos observar tal influência é Noite na taverna e seu

autor foi um dos mais influenciados por Poe. Referimo-nos a:

a) Álvares de Azevedo.

b) Gonçalves Dias.

c) Casimiro de Abreu.

d) Castro Alves.

e) Olavo Bilac.

29. Uneb-BA

“Quando Seixas convenceu-se que não podia casar com Aurélia, revoltou-se contra si próprio.

Não se perdoava a imprudência de apaixonar-se por uma moça pobre e quase órfã, imprudência

a que pusera remate o pedido do casamento. O rompimento deste enlace irrefletido era para ele

uma coisa irremediável, fatal; mas o seu procedimento o indignava.

Aurélia percebeu imediatamente a mudança que se havia operado em seu noivo, e inquiriu do

motivo. Fernando disfarçou; a moça não insistiu; e até pareceu esquecer a sua observação.

Uma noite porém, em que Seixas se mostrara mais preocupado, na despedida ela disse-lhe:

— A sua promessa de casamento o está afligindo, Fernando; eu lha restituo. A mim basta-me o

seu amor, já lho disse uma vez; desde que mo deu, não lhe pedi nada mais.”

ALENCAR, José de. Senhora: perfil de mulher. São Paulo: FTD, 1992. p. 104-6.

Considerando-se o fragmento inserido no contexto da obra, é verdadeira a afirmativa:

a) O personagem Seixas revela-se guiado por sentimentos nobres.

b) Aurélia Camargo, na narrativa, desempenha, quanto à relação amorosa, o papel da

mulher fraca, sem força de vontade.

c) A obra, enquanto romântica, vê com naturalidade o casamento de conveniência.

d) Os personagens são desprovidos de idealizações, enfocados como pessoas comuns.

e) A obra apresenta o final feliz, típico desfecho da narrativa romântica.

30. UFF-RJ As estrofes abaixo, partes do poema Canção do Tamoio, representam um momento

da literatura brasileira em que se buscou, através do sentimento nativista, inspiração

em elementos nacionais, especialmente nos índios e em sua civilização.

“Não chores, meu filho;

Não chores, que a vida

É luta renhida;

Viver é lutar.

A vida é combate

Que os fracos abate,

Que os fortes, os bravos,

Só pode exaltar.

Um dia vivemos!

O homem que é forte

Não teme da morte;

Só teme fugir;

No arco que entesa

Tem certa uma presa,

Quer seja tapuia,

Condor ou tapir.

E pois que és meu filho,

Meus brios reveste;

Tamoio nasceste,

Valente serás.

Sê duro guerreiro

Robusto, fragueiro,

Brasão dos tamoios

Na guerra e na paz.

As armas ensaia,

Penetra na vida:

Pesada ou querida,

Viver é lutar.

Se o duro combate

Os fracos abate,

Aos fortes, aos bravos,

Só pode exaltar.”

DIAS, Gonçalves. Poesia Completa. Rio de Janeiro: José Aguilar Ltda., 1959, p. 372.

Identifique o momento literário a que pertence o poema Canção do Tamoio.

a) Barroco. d) Naturalismo.

b) Realismo. e) Romantismo.

c) Modernismo.

31. UFF-RJ O sofrimento amoroso é freqüente nas obras dos poetas românticos, como se

pode observar abaixo:

Se Se Morre de Amor!

Sentir, sem que se veja, a quem se adora,

Compr’ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,

Segui-la, sem poder fitar seus olhos,

Amá-la, sem ousar dizer que amamos,

E, temendo roçar os seus vestidos,

Arder por afogá-la em mil abraços:

Isso é amor, e desse amor se morre!”

DIAS, Gonçalves. Poemas de Gonçalves Dias. São Paulo, Cultrix, [s/d].

A característica que situa o fragmento dentro da poética romântica é:

a) evasão no espaço, transportando o eu-lírico para um lugar ideal, junto à natureza;

b) forte subjetivismo, revelando uma visão pessimista da vida;

c) idealização do amor, transcendendo os limites da vida física;

d) realização de poemas lírico-amorosos, valorizando o idioma nacional;

e) idealização da mulher, conduzindo o eu-lírico à depressão.

32. UFRS Leia as afirmações abaixo sobre os romances O Guarani e Iracema, de José de

Alencar.

I. Em O Guarani, tanto a casa de Mariz, representante dos valores lusitanos, quanto os

Aimorés, que retratam o lado negativo da terra americana, são destruídos.

II. Em Iracema, a guardiã do “segredo da jurema” abandona sua tribo para seguir Martim,

o homem branco por quem se apaixonara.

III. Em O Guarani e Iracema, as personagens indígenas – Peri e Iracema – morrem em

circunstâncias trágicas, na certeza de que serão vingadas.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas I e II.

d) Apenas II e III.

e) I, II e III.

33. UFRS Leia o texto abaixo.

No romance ..............., de José de Alencar, uma ............... apaixona-se por um provinciano

recém chegado ao Rio de Janeiro, experimentando, a partir daí, um processo gradativo de ................

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto acima.

a) Lucíola – cortesã – purificação espiritual.

b) A Pata da Gazela – camponesa – degeneração física.

c) Lucíola – aristocrata – degradação moral.

d) Senhora – adolescente – enriquecimento material.

e) Senhora – adolescente – ascensão social.

34. Unicamp-SP Em Ubirajara, tal como em Iracema e em O Guarani, José de Alencar

propõe uma interpretação de Brasil em que o índio exerce um papel central.

a) Que sentido têm as sucessivas mudanças de nome do protagonista no romance?

b) Qual o papel das notas explicativas nesse romance? Do que elas tratam em sua maior

parte?

c) Como o romance e suas notas tratam o ritual antropofágico, no empenho de construir

uma visão do período pré-cabralino?

35. UFMS Considerando a leitura do romance Inocência, do Visconde de Taunay, assinale

a(s) alternativa(s) correta(s).

01. Às descrições da natureza típica do cerrado brasileiro, palco da história do amor de

Inocência e Meyer, misturam-se cenas da Guerra do Paraguai, conflito que traz para

a cena do romance o soldado Cirino, que se apaixona pela bela sertaneja, tentanto

tirá-la dos braços de seu amado.

02. Apesar do afeto que Pereira sente pela filha, ela é motivo de constante preocupação

para o pai, uma vez que, por obra de qualquer descuido, pode pôr a perder a honra

familiar, aliás uma opinião estendível a outras mulheres em idade casadoura. Segundo

Pereira: “Ih, meu Deus, mulheres numa casa, é coisa de meter medo...São redomas

de vidro que tudo pode quebrar...”

04. Durante um almoço, Pereira enaltece a fartura do Brasil, ao ouvir de Meyer notícias

sobre a morte de pessoas, à míngua, durante o inverno europeu. Essa exaltação dos

recursos alimentares do país, sinônimo dos recursos naturais do Brasil, é um reflexo

da busca e aclamação dos elementos constitutivos de uma nação brasileira, independente

do julgo da metrópole portuguesa.

08. De acordo com a narrativa, são ressaltados aspectos pitorescos do sertão brasileiro,

em contraste com a vida na corte, mais precisamente no Rio de Janeiro, sob a influência

das culturas européias, em especial a francesa. Essa comparação visa a demonstrar

a superioridade do modo de vida na corte e a pobreza e a ignorância do

sertanejo.

36. Unifor-CE Considere as seguintes afirmações sobre o romance Iracema, de José de Alencar:

I. Ao apresentar esta obra como “lenda do Ceará”, o autor já indica a combinação que

fará entre elementos históricos e fantasia.

II. O autor valeu-se de uma narrativa, mas não deixou de explorar sistematicamente

recursos típicos da linguagem poética.

III. Aqui, diferentemente do que ocorre na obra de Gonçalves Dias, a personalidade, os

costumes, os valores e a cultura do índio real estão fielmente retratados.

Está correto somente o que se afirma em:

a) I. d) I e II.

b) II. e) II e III.

c) III.

Para responder às questões 37 e 38, leia os textos a seguir:

“Meus oito anos

Oh! que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!”

Casimiro de Abreu.

“Nasci no campo, e ao desprender-me das faixas infantis, ao saltar do berço, vi quase ao mesmo

tempo o céu e o mar, os campos e as matas. Não foi na cidade, onde se morre abafado, não; foi

ao ar livre, e, infante ainda, senti a brisa da praia brincar com meus cabelos e o vento da montanha

trazer-me de longe o perfume das florestas.

Que deliciosa vida aquela! Como eu corria por aqueles prados! Que colheita que fazia de flores!

Que destemido caçador de borboletas!

Ah! meus oito anos! Quem me dera tornar a tê-los!... Mas... nada, não queria, não; aos oito anos

ia eu para a escola, e confesso francamente que a palmatória não me deixou grandes saudades.”

ABREU, Casimiro de. Obras completas. Rio de Janeiro: Edição de Ouro, 1965. p. 203.

37. UFRJ O texto de Casimiro de Abreu apresenta um tema relevante no Romantismo: a infância.

A abordagem desse tema é integralmente feita de acordo com o padrão romântico na

literatura brasileira? Justifique a resposta, com suas palavras.

38. UFRJ Associado ao tema da infância, o texto de Casimiro de Abreu aborda ainda outro

tema significativo na literatura romântica: a relação entre o homem e a natureza.

Ao tratar desse tema, o texto segue o padrão literário romântico? Justifique a resposta,

com suas palavras.

39. UFPR Sobre o romance Senhora, de José de Alencar, é correto afirmar. Assinale V

(verdadeiro) ou F (falso).

( ) Ambientado no Rio de Janeiro do Segundo Império, trata-se de caso de exceção na

ficção do autor, uma vez que o restante de sua obra romanesca é dedicado à reelaboração

das origens históricas do país ou à apresentação romântica de cenários regionais.

( ) Heroína romântica, Aurélia recusa-se a utilizar-se do dinheiro para alcançar seus

objetivos, servindo como porta-voz direta das críticas do autor aos valores burgueses.

( ) Em sua trajetória ao longo da narrativa, Fernando passa por uma transformação

que o redime de suas atitudes iniciais, oferecendo condições para um desfecho

feliz ao lado de Aurélia.

( ) Escrito na forma de um relato de memórias da protagonista, o romance apresenta

os fatos do enredo em ordem cronológica, iniciando-se a narrativa com as recordações

da infância de Aurélia.

( ) Até o final do romance, o autor consegue sustentar a atenção dos leitores, ocultando

habilmente as razões que levaram ao desentendimento entre os protagonistas.

( ) A escassez de detalhes descritivos e a incorporação de elementos da cultura popular

são algumas das características fundamentais do estilo de Alencar, o que o opõe

aos autores da geração literária que sucedeu à sua.

( ) A transação que resulta no vínculo entre Aurélia e Fernando acaba por permitir que

outro casal, ligado por laços afetivos sinceros, mas divididos por razões econômicas,

possa encontrar sua felicidade.

40. Unioeste-PR Com respeito à leitura de O Guarani, assinale a(s) alternativa(s)

procedente(s).

01. O tom confidencial da narrativa, focalizado em primeira pessoa, reforça a grandeza

do índio Peri.

02. A natureza age como mediadora: o óleo da cabuíba, como um bálsamo poderoso,

salva Peri da morte.

04. A descrição que o narrador faz de Álvaro (cap. III – “A Bandeira”) é representativa

da tese de Rousseau sobre a bondade natural do selvagem.

08. O brasão escondido de Loredano e sua devoção a Dom Antônio de Mariz são exemplos

da presença do medievalismo na literatura romântica.

16. A apresentação que o narrador faz do rio Paquequer registra um típico processo de

animização, incorporado a uma atmosfera metaforicamente medieval.

32. A ação do romance, em termos históricos, transcorre no século XVII, apesar do

autor ter escrito a obra na segunda metade do século XIX.

64. A elevação de sentimentos e nobreza de caracteres, em oposição à vilania e à maldade,

é ilustrada através da oposição entre Cecília e Isabel, no cap. V, intitulado “Loura

e Morena”.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

41. PUC-SP A questão central proposta no romance Senhora, de José de Alencar, é a do

casamento. Considerando a obra como um todo, indique a alternativa que não condiz

com o enredo do romance.

a) O casamento é apresentado como uma transação comercial e, por isso, o romance

estrutura-se em quatro partes: preço, quitação, posse, resgate.

b) Aurélia Camargo, preterida por Fernando Seixas, compra-o e ele contumaz caça-dote,

sujeita-se ao constrangimento de uma união por interesse.

c) O casamento é só de fachada e a união não se consuma, visto que resulta de acordo no

qual as aparências sociais devem ser mantidas.

d) A narrativa marca-se pelo choque entre o mundo do amor idealizado e o mundo da

experiência degradante governado pelo dinheiro.

e) O romance gira em torno de intrigas amorosas, de desigualdade econômica, mas, com

final feliz, porque, nele, o amor tudo vence.

42. UFMS Sobre o romance Inocência, de Visconde de Taunay, é correto afirmar que:

01. o pitoresco da paisagem sertaneja recebe especial atenção do narrador: os elementos

da natureza são descritos minuciosamente, inclusive através de nomes científicos

em notas de rodapé, como também as relações do homem com essa mesma

natureza.

02. é um romance regionalista, de tendência sertanista, cuja linguagem possui os elementos

necessários para a descrição da paisagem do interior brasileiro, além de explorar

o conflito amoroso próprio da vertente romântica.

04. a austeridade do pai de Inocência é quebrada pela intensidade do amor que a filha

devota a Cirino, levando-o a acobertar a fuga dos amantes da ira de Manecão.

08. Tico, o anão que vigia Inocência o tempo todo, é um dos tipos humanos descritos por

Taunay que dá à narrativa um colorido especial.

16. Inocência é noiva de Manecão, por promessa de seu pai, Pereira. A jovem, no entanto,

apaixona-se por Cirino, uma espécie de curandeiro ambulante que tenta salvá-la

da febre.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

43. Unifor-CE

“Palmares! A ti meu grito!

A ti, barca de granito,

Que no soçobro infinito

Abriste a vela ao trovão,

E provocaste a rajada,

Solta a flâmula agitada

aos uivos da marujada,

Nas ondas da escravidão.”

Está incorreta a seguinte afirmação sobre a estrofe acima:

a) O tom, o tema e o sentimento predominante indicam tratar-se de versos de Álvares de

Azevedo.

b) O estilo e o elemento histórico remetem ao autor de Navio Negreiro e Vozes d’África.

c) Essa estrofe é uma oitava, com versos de sete sílabas que cumprem um padrão de rimas.

d) A expressão “barca de granito” é uma metáfora de “Palmares”, a comunidade dos

escravos que resistiram ao cativeiro.

e) São versos típicos de uma poesia que, romântica e exaltada, identificou-se plenamente

com a causa dos abolicionistas.

44. Cefet-RJ

“Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros do que a asa da graúna,

e mais longos que seu talhe de palmeira.

O favo da jati não era doce como o seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu

hálito perfumado.

Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde

campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava

apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.”

ALENCAR, José de. Iracema. São Paulo: Scipione, 1994,. p. 10.

“Após a independência, século XIX, a nova nação ‘precisava ajustar-se aos padrões de modernidade

da época. (...) Havia a necessidade de auto-afirmação da Pátria que se formava.’”

NICOLA, José de. Literatura brasileira: das origens aos nossos dias. São Paulo: Scipione, 1998. p. 125.

No texto de José de Alencar, temos uma das formas significativas do nacionalismo, sintetizado

pelo:

a) realismo naturalista;

b) sentimentalismo realista;

c) romantismo indianista;

d) bucolismo neoclassicista;

e) nativismo modernista.

Instrução: Para responder às questões 45 e 46, ler o texto que segue.

“(...) florestas virgens se estendiam ao longo das margens do rio, que corria no meio das arcarias

de verdura e dos capitéis formados pelos leques das palmeiras.

Tudo era grande e pomposo no cenário que a natureza, sublime artista, tinha decorado para os

dramas majestosos dos elementos, em que o homem é apenas um simples comparsa.

No ano da graça de 1604, o lugar que acabamos de descrever estava deserto e inculto; a cidade

do Rio de Janeiro tinha-se fundado havia menos de meio século, e a civilização não tivera tempo

de penetrar o interior.

Entretanto, via-se à margem direta do rio uma casa larga e espaçosa, construída sobre uma

eminência e protegida de todos os lados por uma muralha de rocha cortada a pique. (...) A habitação

(...) pertencia a D. Antônio de Mariz, fidalgo português cota d’armas e um dos fundadores

da cidade do Rio de Janeiro.”

45. PUC-RS O Brasil português revela-se no trecho da obra ..............., de José de Alencar,

através da fundação daquela que se tornaria a sua capital. A personagem referida, ...............

de Cecília, que é a protagonista da obra, ............... o poder e a audácia dos novos habitantes.

a) O Guarani – irmão – mitifica

b) Iracema – tutor – critica

c) O Guarani – pai – representa

d) Iracema – tio – retrata

e) Ubirajara – progenitor – rejeita

46. PUC-RS A obra em questão ............... o passado histórico por meio de uma visão

............... da ideologia dominante, como se pode observar, por exemplo, em relação ao

processo de ............... à cultura europeizada por que passa Peri.

a) rejeita – pessimista – adaptação

b) redimensiona – inovadora – rejeição

c) enaltece – ufanista – conformação

d) idealiza – conservadora – rejeição

e) recupera – comprometida – adaptação

Texto para a questão 47.

“Ossian o bardo é triste como a sombra Que seus cantos povoa. O Lamartine É monótono e belo

como a noite, Como a lua no mar e o som das ondas… Mas pranteia uma eterna monodia, Tem na

lira do gênio uma só corda; Fibra de amor e Deus que um sopro agita: Se desmaia de amor a Deus

se volta, Se pranteia por Deus de amor suspira. Basta de Shakespeare. Vem tu agora, Fantástico

alemão, poeta ardente Que ilumina o clarão das gotas pálidas Do nobre Johannisberg! Nos teus

romances Meu coração deleita-se… Contudo, Parece-me que vou perdendo o gosto, (…)”

AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos.

47. FUVEST-SP Considerando-se este excerto no contexto do poema a que pertence

(“Idéias íntimas”), é correto afirmar que, nele,

a) o eu-lírico manifesta tanto seu apreço quanto sua insatisfação em relação aos escritores

que evoca.

b) a dispersão do eu-lírico, própria da ironia romântica, exprime-se na métrica irregular

dos versos.

c) o eu-lírico rejeita a literatura e os demais poetas porque se identifica inteiramente com

a natureza.

d) a recusa dos autores estrangeiros manifesta o projeto nacionalista típico da segunda

geração romântica brasileira.

e) Lamartine é criticado por sua irreverência para com Deus e a religião, muito respeitados

pela segunda geração romântica.

48. UEMS

“O major tinha razão: o Leonardo não parecia ter nascido para emendas. Durante o primeiros

tempos de serviço tudo correu às mil maravilhas; só algum mal-intencionado poderia notar em

casa de Vidinha uma certa fartura desusada na despensa; mas isso não era coisa em que alguém

fizesse conta.”

Memórias de um sargento de milícias.

Com base no texto acima, é correto afirmar:

a) Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, foi o primeiro

escrito no Brasil.

b) Romance de Manuel Antônio de Almeida, possui pouco valor como documentário ou

crônica de uma época.

c) A crítica vê em seu romance um caráter regionalista.

d) Escrito na época do Romantismo, Memórias de um sargento de milícias está totalmente

de acordo com as características do momento.

e) Não há como negar o tom realístico do qual se carrega a narrativa, evidenciado na

linguagem simples e na representação de pessoas comuns.

As questões 49 e 50 referem-se ao seguinte texto:

“O primeiro navio destacado da conserva para levar a Portugal a notícia do descobrimento do

Brasil, e com instâncias ao rei de Portugal para que por amor da religião se apoderasse d’esta

descoberta, cometera a violência de arrancar de suas terras, sem que a sua vontade fosse consultada,

a dois índios, ato contra o qual se tinham pronunciado os capitães da frota de Pedro Álvares.

Fizera-se o índice primeiro do que era a história da colônia: era a cobiça disfarçada com pretextos

da religião, era o ataque aos senhores da terra, à liberdade dos índios; eram colonos degradados,

condenados à morte, ou espíritos baixos e viciados que procuravam as florestas para darem largas

às depravações do instinto bruto.”

DIAS, Gonçalves. Revista do Instituto Histórico e

Geográfico Brasileiro, 4º trim. 1867, p. 274.

49. UFF-RJ A visão de Gonçalves Dias no texto:

a) reforça a posição dos brasileiros que desejam comemorar os 500 anos da chegada dos

portugueses ao Brasil, como se esta tivesse sido um evento relevante e benéfico para

os habitantes de nossa terra;

b) insere-se no contexto do Romantismo, que busca ressaltar os aspectos negativos da

colonização portuguesa, como elemento motivador para um distanciamento e uma

diferenciação em relação a Portugal;

c) recusa a idéia da violência que teria caracterizado a colonização portuguesa no Brasil,

como se a esquadra de Pedro Álvares não houvesse enviado dois índios a Portugal,

contra a vontade deles;

d) ressalta a concordância a que os capitães da frota de Pedro Álvares teriam chegado,

como se o consenso de todos estes comandantes justificasse a atitude de enviar os dois

índios ao rei português;

e) valoriza e confirma a iniciativa de alguns órgãos de imprensa que celebram a conquista

portuguesa como fator importante para nosso posterior desenvolvimento como

nação.

50. UFF-RJ Índice é tudo aquilo que indica ou denota uma qualidade ou característica especial.

No texto, Gonçalves Dias afirma que “fizera-se o índice primeiro do que era a

história da colônia” porque aquela história:

a) seria produzida por pessoas moralmente condenáveis, que alegavam razões religiosas

para seus atos, mas que eram movidas pela ganância;

b) seria conduzida por personagens da mais alta idoneidade moral, que se dedicavam

intensamente à causa da conversão do indígena brasileiro;

c) seria arquitetada por colonos degradados, condenados à morte ou espíritos baixos,

que buscavam no Brasil a redenção de seus pecados;

d) seria derivada da cobiça disfarçada com pretextos da religião, que evitava o ataque

dos colonos degradados aos senhores da terra e à liberdade dos índios;

e) seria causada pelos condenados à morte, ou espíritos baixos e viciados que procuravam

as florestas para se redimirem, convertendo os índios.

51. PUC-RS Além dos romances históricos e/ou indianistas, José de Alencar retratou, em

obras como ..............., contextos e temáticas urbanas, bem como criou romances de tendência

............... . A preocupação em retratar a ............... do país através de temas nacionais

configura-se como um dos aspectos mais significativos do Romantismo brasileiro,

apesar do tom artificial de alguns romances.

a) A Moreninha – realista – desigualdade.

b) Senhora – abolicionista – simplicidade.

c) A Escrava Isaura – regionalista – diversidade.

d) O Moço Loiro – realista – complexidade.

e) Lúciola – regionalista – diversidade.

52. UFRS Leia as estrofes seguintes, extraídas do poema Canção do Exílio de Gonçalves Dias.

“Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

(...)

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.”

Em relação à Canção do Exílio é correto afirmar que:

a) exalta a natureza brasileira em sua fauna e sua flora, destacando-se pela temática

regionalista;

b) se trata de um soneto clássico que celebrizou o poeta como um dos mais importantes

do Romantismo brasileiro;

c) é um canto de amor à pátria e teve alguns dos seus versos incorporados à letra do Hino

Nacional;

d) as estrelas e as flores, referidas na segunda estrofe, simbolizam a falta de preocupação

com os problemas do período colonial;

e) os versos da última estrofe acentuam o sentimento do exílio e expressam o desejo do

poeta de morrer em Portugal.

53. FUVEST-SP

“Teu romantismo bebo, ó minha lua,

A teus raios divinos me abandono,

Torno-me vaporoso… e só de ver-te

Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.”

AZEVEDO, Álvares de. “Luar de verão”, Lira dos vinte anos.

Neste excerto, o eu-lírico parece aderir com intensidade aos temas de que fala, mas revela,

de imediato, desinteresse e tédio. Essa atitude do eu-lírico manifesta a

a) ironia romântica.

b) tendência romântica ao misticismo.

c) melancolia romântica.

d) aversão dos românticos à natureza.

e) fuga romântica para o sonho.

54. UFMS Com relação às Memórias de um Sargento de Milícias, é correto afirmar que:

01. uma das características da obra é a utilização da linguagem oral, característica das

classes de alta cultura e condição social confortável.

02. o personagem principal, Leonardo, é um anti-herói, um aventureiro, contrariando as

convenções literárias da época, o Romantismo, que previa heróis moralmente elevados,

capazes de atos de bravura e coragem.

04. o narrador interrompe com freqüência a narrativa, comentando as ações dos personagens,

tornando a obra uma espécie de crônica da época, aproximando-a da estética realista.

08. é um romance urbano que apresenta grande variedade de tipos humanos (a parteira,

a comadre, o compadre, o barbeiro, o chefe de polícia) e os problemas morais e

sociais do Rio de Janeiro sob o reinado de D. João VI.

16. Leonardo, o personagem central, é filho de Leonardo Pataca e de Maria da Hortaliça,

fruto de “uma pisadela e de um beliscão”, que mais tarde se casa com Vidinha e,

por méritos próprios, torna-se sargento.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

55. UFSE

“Quando junto de ti sinto às vezes

Em doce enleio desvairar-me o siso,

Nos meus olhos incertos sinto lágrimas...

mas da lágrima em troca eu temo um riso!”

Na estrofe acima, de Álvares de Azevedo, revela-se um traço forte de sua poesia, a:

a) idealização da amada, retratada como musa etérea, solene e distante;

b) projeção da própria morte, a um tempo temida e desejada;

c) sátira impiedosa, pela qual se rebaixa a linguagem ao plano do cômico;

d) insegurança amorosa, por temor de que a realidade rechace o devaneio lírico;

e) força material do cotidiano, expressa num detalhismo quase realista.

56. U.F. Vitória-ES Observe com atenção o fragmento abaixo:

I- Juca -Pirama

No meio das tabas de amenos verdores,

Cercadas de troncos – cobertos de flores,

Alteiam-se os tetos d’altiva nação;

São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,

Temíveis na guerra que em densas coortes

Assombram das matas a imensa extensão.

São rudos, severos, sedentos de glória,

Já prélios incitam, já cantam vitória,

Já meigos atendem à voz do cantor:

São todos Timbiras, guerreiros valentes!

Seu nome lá voa na boca das gentes,

Condão de prodígios, de glória e terror!

(...)”

DIAS, Gonçalves. I- Juca-Pirama. In: RIEDEL, Dirce. Literatura

brasileira em curso. Rio de Janeiro: Bloch, 1969. p. 311

Reflita sobre as tendências da poesia romântica indianista e assinale a alternativa que não

confirma a visão idealizada do poeta em relação ao indígena brasileiro:

a) O índio de Gonçalves Dias ganhou o tom dos valorosos cavaleiros medievais e reafirmou

o sentimento nacionalista de nosso Romantismo.

b) “I-Juca-Pirama” expressa o nacionalismo de seu autor, que, ao idealizar a coragem e o

heroísmo do índio brasileiro, atribuiu-lhe também alguns distúrbios de personalidade.

c) O poema gonçalvino enalteceu e preservou as tradições indígenas brasileiras, incorporando-

as ao orgulho nacional.

d) O poeta romântico transformou o silvícola em um dos símbolos da autonomia cultural

e da superioridade da nação brasileira.

e) A poesia romântica indianista resgatou o passado histórico do Brasil e valorizou a

bravura de seus habitantes naturais.

57. UFMG Em relação ao poema “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias, é incorreto afirmar

que ele pertence:

a) ao projeto nacionalista romântico;

b) à tendência romântica para a utopia;

c) à temática romântica da nostalgia;

d) à vertente romântica indianista.

58. U.F. Santa Maria-RS Considere os versos de “Canção do Tamoio”, de Gonçalves Dias.

“Um dia vivemos!

O homem que é forte

Não teme da morte;

Só teme fugir;

No arco que entesa

Tem certa uma presa,

Quer seja tapuia,

Condor ou tapir.”

Vocabulário:

Tapuia – identificação dada a tribos inimigas.

Condor – ave semelhante à águia.

Tapir – anta.

Conforme os versos transcritos,

a) quem erra o alvo precisa fugir da caça;

b) os índios estão em guerra contra os tapuias;

c) a covardia é o único sentimento a ser temido pelos fortes;

d) quem não tem boa pontaria é excluído do grupo de guerreiros;

e) o bom índio se conhece pela qualidade do seu arco.

59. U.E. Ponta Grossa-PR Espumas flutuantes, de Castro Alves, é um conjunto de poemas

que apresentam:

01. exaltação da natureza;

02. linguagem coloquial;

04. expressão de ideais românticos;

08. imaginação criadora;

16. satanismo.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

Texto para a questão 60.

Idéias Íntimas (fragmento)

VII

Em frente do meu leito, em negro quadro

A minha amante dorme. É uma estampa

De bela adormecida. A rósea face

Parece em visos de um amor lascivo

De fogos vagabundos acender-se…

E com a nívea mão recata o seio…

Oh! quantas vezes, ideal mimoso,

Não encheste minh’alma de ventura,

Quando louco, sedento e arquejante,

Meus tristes lábios imprimi ardentes

No poento vidro que te guarda o sono!

(…)

XIII

Havia uma outra imagem que eu sonhava

No meu peito na vida e no sepulcro.

Mas ela não o quis… rompeu a tela

Onde eu pintara meus doirados sonhos.

Se posso no viver sonhar com ela,

Essa trança beijar de seus cabelos

E essas violetas inodoras, murchas,

Nos lábios frios comprimir chorando,

Não poderei na sepultura, ao menos,

Sua imagem divina ter no peito.

Álvares de Azevedo.

60. CEETPS-SP Assinale a alternativa correta com relação ao texto.

a) O idealismo, o sonho, a presença da morte, a imagem da mulher amada, presentes no

poema, revelam o seu caráter romântico de segunda geração.

b) Filiado ao Simbolismo, o poema recorre a imagens nebulosas e sugestivas, tais como:

ventura e tristeza, vida e morte.

c) Ao dizer “É uma estampa/de bela adormecida”, o poema denuncia sua familiaridade

com relatos infantis, característica primordial do Romantismo.

d) As referências ao universo da pintura, “negro quadro”, “rompeu a tela”, “onde eu pintara”,

criam efeitos sinestésicos, confirmando a filiação do poema à estética simbolista.

e) As marcas do erotismo, da loucura e do sonho presentes no poema serão retomadas de

maneira similar na poesia parnasiana.

61. UFMS Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, foi uma

obra inicialmente publicada em folhetins, entre os anos de 1852 e 1853. Dentre as proposições

abaixo, assinale a(s) correta(s) em relação ao romance em questão.

01. A obra pode ser classificada como um romance de costumes, uma vez que registra

traços dos hábitos, tradições e falas de pessoas simples, do povo que vivia no Rio de

Janeiro no começo do século XIX.

02. Apresenta-se, no romance, um nítido contraste entre as personagens masculinas e as

femininas: enquanto os homens se distinguem pela honestidade, a retidão de caráter,

a coragem e a fidelidade, as mulheres são devassas, vulneráveis e desonestas.

04. Embora o romance esteja inserido entre as produções do Romantismo, não se pode

negar o teor realístico do qual se carrega a narrativa, seja no plano da forma - linguagem

simples e direta -, seja no processo de construção das personagens - representação

de pessoas comuns, de baixa renda e seus dramas cotidianos -, seja no espaço

onde essas personagens circulam - a periferia do Rio de Janeiro.

08. As personagens do romance pertencem à classe dominante, à elite de sua época, e

vivem situações idealizadas, características da estética romântica.

16. O desfecho da obra apresenta histórias de luto, dor e sofrimento, contrariando todo o

desenvolvimento orientado pela narrativa.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

As questões 62 e 63 referem-se ao fragmento abaixo:

“Iracema, sentindo que se lhe rompia o seio, buscou a margem do rio onde crescia o coqueiro.

Estreitou-se com a haste da palmeira. A dor lacerou suas entranhas; porém logo o choro infantil

inundou sua alma de júbilo. (...)

– Tu és Moacir, o nascido do meu sofrimento.”

ALENCAR, José de. Iracema.

62. U.F. Juiz de Fora-MG Sobre o romance Iracema, de José de Alencar, é incorreto afirmar que:

a) destaca o elemento indígena como a verdadeira origem do povo brasileiro;

b) o sentimento amoroso justifica as duras ações colonizadoras;

c) a linguagem é um misto de narração e descrição lírica;

d) é uma obra de teor nacionalista em que há uso da cor local.

63. U.F. Juiz de Fora-MG A partir do fragmento acima, e considerando a obra como um

todo, assinale a alternativa incorreta:

a) O amor entre Iracema e Martim desculpa simbolicamente a colonização, na perspectiva

do idealismo romântico.

b) Iracema entrega-se a Martim sem resistência, consciente da sua missão de gerar a

nova raça, o mestiço povo brasileiro.

c) A expressão “nascido do meu sofrimento” pode ser lida como índice da origem violenta

da formação social brasileira.

d) Alencar justifica, a seu modo, a morte da terra virgem pela necessidade se implantar

nela uma civilização.

64. U.F. Santa Maria-RS

“Era um sonho dantesco... O tombadilho

Que das luzernas avermelha o brilho,

Em sangue a se banhar.

Tinir de ferros... estalar do açoite...

Legiões de homens negros como a noite

Horrendos a dançar.”

Assinale a alternativa que identifica, corretamente, autor, título da obra e período literário

dos versos citados.

a) Álvares de Azevedo – Noite na Taverna – Romantismo.

b) Castro Alves – O Navio Negreiro – Romantismo.

c) Aluísio Azevedo – O Mulato – Naturalismo.

d) Álvares de Azevedo – Conde Lopo – Romantismo.

e) Castro Alves – Vozes d’África – Romantismo.

65. Cefet-PR O excerto a seguir foi extraído da obra Noite na Taverna, livro de contos

escrito pelo poeta ultra-romântico Álvares de Azevedo (1831 – 1852).

“Uma noite, e após uma orgia, eu deixara dormida no leito dela a condessa Bárbara. Dei um

último olhar àquela forma nua e adormecida com a febre nas faces e a lascívia nos lábios úmidos,

gemendo ainda nos sonhos como na agonia voluptuosa do amor. Saí. Não sei se a noite era

límpida ou negra; sei apenas que a cabeça me escaldava de embriaguez. As taças tinham ficado

vazias na mesa: aos lábios daquela criatura eu bebera até a última gota o vinho do deleite...

Quando dei acordo de mim estava num lugar escuro: as estrelas passavam seus raios brancos

entre as vidraças de um templo. As luzes de quatro círios batiam num caixão entreaberto. Abri-o:

era o de uma moça. Aquele branco da mortalha, as grinaldas da morte na fronte dela, naquela tez

lívida e embaçada, o vidrento dos olhos mal-apertados... Era uma defunta!... e aqueles traços

todos me lembravam uma idéia perdida... – era o anjo do cemitério! Cerrei as portas da igreja,

que, eu ignoro por quê, eu achara abertas. Tomei o cadáver nos meus braços para fora do caixão.

Pesava como chumbo...”

Com relação ao fragmento acima, afirma-se:

I. Acentua traços característicos da literatura romântica, como o subjetivismo, o egocentrismo

e o sentimentalismo; ao contrário, despreza o nacionalismo e o indianismo,

temas característicos da primeira geração romântica.

II. Idealiza figuras imaginárias, mulheres incorpóreas ou virgens, personagens que confirmam

o amor inatingível, idealizado na literatura ultra-romântica. Desta forma, no

1º. parágrafo, o amor platônico não é superado pelo amor físico.

III. Tematiza a morte, presente em grande parte da obra do autor.

Assinale a alternativa correta.

a) Apenas I está correta. d) Apenas I e II estão corretas.

b) Apenas II e III estão corretas. e) Apenas I e III estão corretas.

c) I, II e III estão corretas.

66. UFGO

Martins Pena foi o fundador da comédia de costumes do teatro brasileiro, da qual faz

parte a peça O Noviço.

Nessa obra, pode-se encontrar (Assinale V, para os itens verdadeiros, e F para os falsos)

( ) o predomínio da caricatura na concepção das personagens, baseada na exploração

de tipos sociais facilmente identificados, o que leva ao efeito cômico desejado.

( ) o Brasil Colonial como pano de fundo histórico-social, época em que a influência

jesuítica foi decisiva na política, na economia e principalmente na educação dos

jovens, direcionando-os para a vida religiosa.

( ) a utilização de recursos dramáticos considerados primários, como o esconderijo, o

disfarce e o erro de identificação, demonstrando a ingenuidade e a simplicidade

que permeiam a edificação da trama.

( ) uma vinculação nítida com o contexto romântico, uma vez que a resolução dos

conflitos se encaminha para o final feliz e a conseqüente realização amorosa dos

dois jovens e, ainda, a punição do violão, recursos ostensivamente colhidos nos

romances de folhetim da época.

67. Uniube-MG Marque (V) para as declarações que estão de acordo com o romance Senhora,

de José de Alencar e (F) para as que não se aplicam adequadamente ao romance:

( ) O autor coloca no centro do romance não mais um herói, mas um ser venal inferior

como é o caso de Seixas, que se casa pelo dote, em virtude da educação que recebera.

( ) Nesta obra, o equilíbrio, rompido temporariamente, acaba por restabelecer-se na

medida em que o autor arranja uma solene redenção fazendo Seixas resgatar-se na

segunda parte da história.

( ) Este romance testemunha que Alencar crê nas “razões do coração” e se seu moralismo

se abate sobre as mazelas de um mundo antinatural (o casamento por dinheiro),

sempre se salva a dignidade última dos protagonistas, e se redimem as transações

vis repondo de pé herói e heroína.

( ) Embora existam personagens más em seu romance (Seixas, por exemplo), elas só o

são aparentemente, pois Alencar acredita que pode operar-se nesse caráter uma

transformação capaz de restituí-lo gradualmente à sua natureza generosa.

A alternativa que contém a seqüência correta é:

a) F – V – V – V. c) V – F – F – V.

b) V – V – F – F. d) F – V – V – F.

68. U.E. Ponta Grossa-PR “Se eu morresse amanhã”, com certeza, é um dos poemas mais

lembrados de Álvares de Azevedo.

“Se eu morresse amanhã, viria ao menos

Fechar meus olhos minha triste irmã;

Minha mãe de saudades morreria

Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!

Que aurora de porvir e que manhã!

Eu perdera chorando essas coroas

Se eu morresse amanhã!

Que sol! Que céu azul! Que doce n’alva

Acorda a natureza mais louçã!

Não me batera tanto amor no peito

Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora

A ânsia de glória, o dolorido afã...

A dor no peito emudecera ao menos

Se eu morresse amanhã!”

Nele estão contemplados temas recorrentes em sua poesia e na estética romântica, como:

01. a exaltação de sentimentos pessoais, com desespero e pessimismo;

02. a análise crítica e científica dos fenômenos sociais brasileiros;

04. o desajustamento do indivíduo ao meio social, que conduz à dor, à aflição e à busca

da solidão;

08. a valorização de elementos ligados à natureza, em poesia simples, pastoril, bucolicamente

ingênua e inocente.

16. a morte como alívio para o “mal-do-século”.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

69. PUC-SP

“Fragmento I

Pálida à luz da lâmpada sombria,

Sobre o leito de flores reclinada,

Como a lua por noite embalsamada,

Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar na escuma fria

Pela maré das águas embalada!

Era um anjo entre nuvens d’alvorada

Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Fragmento II

É ela! é ela! — murmurei tremendo,

E o eco ao longe murmurou — é ela!

Eu a vi — minha fada aérea e pura —

A minha lavadeira na janela!

(…)

Os fragmentos acima são de Álvares de Azevedo e desenvolvem o tema da mulher e do

amor. Caracterizam duas faces diferentes da obra do poeta. Comparando os dois fragmentos,

podemos afirmar que,

a) no primeiro, manifesta-se o desejo de amar e a realização amorosa se dá plenamente

entre os amantes.

b) no segundo, apesar de haver um tom de humor e sátira, não se caracteriza o rebaixamento

do tema amoroso.

c) no primeiro, o poeta figura a mulher adormecida e a toma como objeto de amor jamais

realizado.

d) no segundo, o poeta expressa as condições mais rasteiras de seu cotidiano, porém,

atribui à mulher traços de idealização iguais aos do primeiro fragmento.

e) no segundo, ao substituir a musa virginal pela lavadeira entretida com o rol de roupa suja,

o poeta confere ao tema amoroso tratamento idêntico ao verificado no primeiro fragmento.

Esta noite eu ousei mais atrevido

Nas telhas que estalavam nos meus passos

Ir espiar seu venturoso sono,

Vê-la mais bela de Morfeu nos braços!

Como dormia! que profundo sono!…

Tinha na mão o ferro do engomado…

Como roncava maviosa e pura!…

Quase caí na rua desmaiado!

(…)

É ela! é ela! — repeti tremendo;

Mas cantou nesse instante uma coruja…

Abri cioso a página secreta…

Oh! meu Deus! era um rol de roupa suja!”

70. UFGO A poesia de Gonçalves Dias pode ser dividida em três grandes vertentes temáticas:

a indianista, a saudosista e a lírico-amorosa. A produção poética desse autor pode

ser caracterizada da seguinte forma:

( ) na poesia indianista, predomina uma sensibilidade plástica singular, moldada por

um cenário natural tipicamente brasileiro, no qual está inserido o primeiro habitante

do País, o índio, numa representação quase sempre épica.

( ) na poesia saudosista, o poeta demonstra acentuadas marcas do nacionalismo vigente

no Romantismo, como a exaltação do pitoresco nacional, em que se sobressai

o tratamento exótico da natureza tropical.

( ) na poesia lírico-amorosa, pode-se encontrar um ultraromantismo já convencional,

detectado no sentimentalismo exagerado, que deforma os encantos da mulher

amada, e em lamentos melodramáticos, provocados pelo sofrimento do amor

irrealizado.

( ) em todas as vertentes da poesia de Gonçalves Dias, a natureza tem um caráter

expressivo e dinâmico. Ela é o refúgio acolhedor e o ideal de evasão do eu-poético,

estabelecendo, assim, uma interdependência entre paisagem e estado de alma.

71. U.F. Uberlândia-MG-Modificada Sobre Iracema, de José de Alencar, podemos dizer

que:

1. as cenas de amor carnal entre Iracema e Martim são de tal forma construídas que o

leitor as percebe com vivacidade, porque tudo é narrado de forma explícita.

2. em Iracema temos o nascimento lendário do Ceará, a história de amor entre Iracema e

Martim e as manifestações de ódio das tribos tabajara e potiguara.

3. Moacir é o filho nascido da união de Iracema e Martim. De maneira simbólica ele

representa o homem brasileiro, fruto do negro e do branco.

4. A linguagem do romance Iracema é altamente poética, embora o texto esteja em prosa.

Alencar consegue belos efeitos lingüísticos ao abusar de imagens sobre imagens,

comparações sobre comparações.

Assinale:

a) se apenas 2 e 4 estiverem corretas;

b) se apenas 2 e 3 estiverem corretas;

c) se 2, 3 e 4 estiverem corretas;

d) se 1, 3 e 4 estiverem corretas.

72. UFRS Leia o texto abaixo, extraído do romance Memórias de um Sargento de Milícias,

de Manuel Antônio de Almeida.

“Desta vez, porém, Luizinha e Leonardo, não é dizer que vieram de braço, como este último

tinha querido quando foram para o Campo, foram mais adiante do que isso, vieram de mãos

dadas muito familiar e ingenuamente. E ingenuamente não sabemos se se poderá aplicar com

razão ao Leonardo.”

Considere as afirmações abaixo sobre o comentário feito em relação à palavra ingenuamente

na última frase do texto.

I. O narrador aponta para a ingenuidade da personagem frente à vida e às experiências

desconhecidas do primeiro amor.

II. O narrador, por saber quem é Leonardo, põe em dúvida o caráter da personagem e as

suas intenções.

III. O narrador acentua o tom irônico que caracteriza o romance.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas III.

d) Apenas II e III.

e) I, II e III.

Gabarito Romantismo:

1. V – F – V – V

2. d

3. e

4. a

5. c

6. 21

7. e

8. a

9. e

10. V – F – V – V – V

11. e

12. c

13. c

14. d

15. c

16. d

17. b

18. a

19. 23

20. 05

21. d

22. e

23. d

24. d

25. e

26. a

27. c

28. a

29. d

30. e

31. c

32. c

33. a

34. a) Como todo povo, o índio brasileiro também tem suas tradições, sua cultura, a qual

passa por diferentes estágios. Tais estágios são refletidos na mudança de nome do protagonista:

Jaguaré é o nome do caçador, Ubirajara é o nome do guerreiro e Jurandir é o

nome do hóspede.

b) As notas tratam da língua e dos costumes dos índios. Considerando-se que as notas

são objetivas e a narrativa é subjetiva, pode-se dizer que servem de complemento à narrativa.

c) O ritual antropofágico é tratado sob a perspectiva indígena, e não européia. As notas

contribuem tratando o ritual, não com o preconceito europeu, mas com benevolência. O

romance confirma isso quando Pojucã pergunta se não é digno deste sacrifício, já que,

tendo sido derrotado no combate com Ubirajara, a escravidão causaria mais vergonha

que a própria morte.

35. 06

36. a

37. Não segue integralmente, pois, no último parágrafo, atribuem-se à infância traços negativos,

que desmitificam sua imagem de passado idealizado a que se desejaria retornar.

38. Sim, segue, pois a relação entre o homem e a natureza é apresentada de forma idealizada,

já que, no texto, a natureza é lugar paradisíaco, de experiências positivas.

39. F – F – V – F – F – F – V

40. 50

41. c

42. 27

43. d

44. c

45. c

46. a

47. a

48. e

49. b

50. a

51. e

52. c

53. a

54. 14

55. a

56. b

57. b

58. c

59. 13

60. a

61. 05

62. a

63. b

64. e

65. c

66. V – F – V – V

67. a

68. 17

69. c

70. V – V – F – V

71. a

72. e

- Classicismo

1. FUVEST-SP Em Os Lusíadas, as falas de Inês de Castro e do Velho do Restelo têm em

comum

a) a ausência de elementos de mitologia da Antigüidade clássica.

b) a presença de recursos expressivos de natureza oratória.

c) a manifestação de apego a Portugal, cujo território essas personagens se recusavam a

abandonar.

d) a condenação enfática do heroísmo guerreiro e conquistador.

e) o emprego de uma linguagem simples e direta, que se contrapõe à solenidade do poema

épico.

2. FUVEST-SP Considere as seguintes afirmações sobre a fala do velho do Restelo, em Os

Lusíadas:

I. No seu teor de crítica às navegações e conquistas, encontra-se refletida e sintetizada

a experiência das perdas que causaram, experiência esta já acumulada na época em

que o poema foi escrito.

II. As críticas aí dirigidas às grandes navegações e às conquistas são relativizadas pelo

pouco crédito atribuído a seu emissor, já velho e com um “saber só de experiência

feito”.

III. A condenação enfática que aí se faz à empresa das navegações e conquistas revela

que Camões teve duas atitudes em relação a ela: tanto criticou o feito quanto o exaltou.

Está correto apenas o que se afirma em

a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) I e III.

3. PUC-SP

“Tu só, tu, puro amor, com força crua

Que os corações humanos tanto obriga,

Deste causa à molesta morte sua,

Como se fora pérfida inimiga.

Se dizem fero Amor, que a sede tua

Nem com lágrimas tristes se mitiga,

É porque queres, áspero e tirano,

Tuas aras banhar em sangue humano.

Estavas, linda Inês, posta em sossego,

De teus anos colhendo doce fruito,

Naquele engano da alma ledo e cego,

Que a fortuna não deixa durar muito,

Nos saudosos campos do Mondego,

De teus fermosos olhos nunca enxuito,

Aos montes ensinando e às ervinhas,

O nome que no peito escrito tinhas.”

Os Lusíadas, obra de Camões, exemplificam o gênero épico na poesia portuguesa. Entretanto,

oferecem momentos em que o lirismo se expande, humanizando os versos. O

episódio de Inês de Castro, do qual o trecho acima faz parte, é considerado o ponto alto

do lirismo camoniano, inserido em sua narrativa épica. Desse episódio, como um todo,

pode afirmar-se que seu núcleo central

a) personifica e exalta o Amor, mais forte que as conveniências e causa da tragédia de Inês.

b) celebra os amores secretos de Inês e de D. Pedro e o casamento solene e festivo de ambos.

c) tem como tema básico a vida simples de Inês de Castro, legítima herdeira do trono de

Portugal.

d) retrata a beleza de Inês, posta em sossego, ensinando aos montes o nome que no peito

escrito tinha.

e) relata em versos livres a paixão de Inês pela natureza e pelos filhos e sua elevação ao

trono português.

 - Classicismo gabarito:

1. b

2. e

3. a